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No dia 27 deste mês completou o primeiro ano de vigência do cessar-fogo entre Líbano e Israel, que parou a guerra de 66 dias testemunhada entre setembro e novembro de 2024. A trégua – acordada com base na Resolução 1701, do Conselho de Segurança da ONU -, deveria ter evoluído para uma paz mais duradoura. Porém, um ano depois, o acordo encontra-se em ruínas.
Conforme um relatório divulgado, na quinta-feira (27/11), pela Força de Paz das Nações Unidas no Líbano (Unifil), nos últimos 12 meses, Israel cometeu mais de 10 mil violações do cessar-fogo, principalmente, por meio de agressões aéreas e terrestres praticadas diariamente contra o território libanês e sua população durante esse período. Por outro lado, o Líbano respeitou o acordo na íntegra, com o Hezbollah não disparando sequer uma bala contra Israel durante o último ano.
Os ataques israelenses resultaram na morte de 335 pessoas e em 973 feridos, totalizando 1.308 vítimas do lado libanês, de acordo com um relatório divulgado pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública do Ministério da Saúde Pública do Líbano, com base em dados colhidos desde a assinatura do Acordo de Cessação das Hostilidades, entre 27 de novembro de 2024 e 27 de novembro de 2025. ,
As agressões israelenses no Líbano, desde o cessar-fogo, estão distribuídas da seguinte forma, segundo a ONU e as autoridades libanesas de saúde:
Israel, por sua vez, admitiu que já realizou mais de 1,2 mil ataques dentro do Líbano, que teriam matado 370 combatentes libaneses e palestinos.
Em um comunicado para marcar o primeiro aniversário do cessar-fogo, a Unifil reafirmou que “a plena adesão à Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, ‘tanto na letra quanto no espírito’, continua sendo o único caminho para uma calma duradoura ao longo da Linha Azul, a fronteira de fato entre o Líbano e Israel”.
Segundo a Unifil, as tropas de paz da ONU “mantiveram patrulhas, apoiaram o reposicionamento do exército libanês e as operações subsequentes destinadas a garantir o controle exclusivo de armas ao sul do rio Litani, e auxiliaram na limpeza de estradas e remoção de obstáculos”.
Apesar desses esforços de paz, a Unifil destaca que “desafios persistem” para a estabilização da região, entre eles, a manutenção de posições das forças de ocupação israelenses em território libanês.
Israel mantém, atualmente, postos militares em pelo menos cinco localidades libanesas, posições que os israelenses deveriam ter se retirado janeiro deste ano. Porém, a Unifil confirma que Israel permanece entrincheirado nessas posições elevadas, expandindo as fortificações e construindo muros, o que demonstra que não há intenção de sair em breve.
Para as autoridades libanesas, as cláusulas do acordo são apenas “tinta no papel” para Israel, visto que o regime sionista realizou mais de 10 mil violações, que variam de incursões aéreas a disparos de artilharia, infiltrações terrestres, assassinatos e a contínua ocupação de território libanês.
Israel não comentou sobre as constantes violações, as quais justifica sempre como “ataques ao Hezbollah”, mesmo quando o alvo é a população civil libanesa. A porta-voz da Unifil, Candice Ardell, afirmou que a missão “não encontrou evidências de atividade militar do Hezbollah” em sua área de operações, contradizendo as alegações israelenses usadas para justificar os ataques em curso.

O cessar-fogo no Líbano entrou em vigor no dia 27 de novembro de 2024, após mais de um ano de ataques entre o Hezbollah e Israel, que começaram em outubro de 2023 e se transformaram em uma ofensiva em grande escala a partir de setembro de 2024.
Do lado libanês, mais de 4 mil pessoas foram mortas e outras 17 mil ficaram feridas nos ataques israelenses no Líbano. Entre as vítimas estão milhares de civis – mulheres e crianças, principalmente -; além de combatentes da resistência libanesa que lutaram contra a invasão israelense. Por sua vez, Israel, até hoje, não divulgou o saldo final de suas baixas durante a guerra.
De acordo com o cessar-fogo, o exército israelense deveria ter se retirado do sul do Líbano em janeiro deste ano, mas, em vez disso, retirou-se apenas parcialmente e continua a manter presença militar em cinco postos de fronteira. Ao contrário, Israel tem ampliado suas agressões, atingindo alvos no leste do Vale do Bekaa e no subúrbio sul de Beirute.
A escalada mais recente ocorreu no último domingo (23/11), quando Israel assassinou o chefe de gabinete e segundo em comando do Hezbollah, Haytham Tabatabai, no bairro de Haret Hreik, juntamente com quatro combatentes. Esse assassinato foi o de maior repercussão desde o ano passado e o primeiro ataque a Beirute em meses.
O exército libanês é oficialmente responsável pela implementação do plano de desarmamento aprovado pelo governo, mas afirma que os ataques israelenses e a ocupação contínua do território libanês tornaram o cumprimento integral impossível.
Uma fonte militar de alto escalão disse a canais árabes que, desde o cessar-fogo, o exército libanês realizou mais de 6 mil missões, fechou mais de 25 túneis, apreendeu mais de 8 mil munições e desmantelou pelo menos 50 plataformas de foguetes.