‘A UEA se consolida como uma das universidades mais importantes do Norte do país’, diz André Zogahib

Neste domingo, o portal Panorama Real entrevista o reitor da UEA, André Zogahib, que fala, entre outros assuntos, sobre os avanços conquistados pela instituição de ensino em mais de duas décadas de existência no Amazonas
André Zogahib é reitor da UEA desde abril de 2022 (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

A trajetória acadêmica do atual reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), André Luiz Nunes Zogahib, 41 anos, se confunde com a própria história da instituição de ensino superior, que completa 23 anos de vida neste ano. A relação dele começou ainda em 2001, ano de fundação da universidade, quando ele estudou na primeira turma de graduação em Administração Pública da UEA.

De lá para cá, essa ligação cresceu e se fortaleceu até André Zogahib chegar ao topo ao assumir o comando da UEA em abril de 2022 como reitor da instituição para uma gestão de quatro anos.

Desde que assumiu a UEA há quase dois anos, André Zogahib, tem procurado adotar uma gestão voltada para o fortalecimento da instituição com o desafio de transformá-la em uma peça fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Estado do Amazonas e do Brasil. “A UEA se consolida como uma das universidades mais importantes do Norte do país’, diz o reitor.

Perfil acadêmico e empresarial

Além da formação em Administração Pública, André Zogahib é graduado em Administração de Empresas com habilitação em Comércio Exterior e em Direito. Ele, também, é especialista e mestre em Administração Pública – essa última pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro-, e doutor em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

André Zogahib é professor concursado da UEA desde 2008. Ao longo desse período, ele assumiu vários cargos dentro da instituição de ensino, como pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, pró-reitor de Planejamento, coordenador de Vestibular, coordenador de cursos de graduação, especialização e mestrado. Neste período, ele escreveu mais de 80 artigos e publicou dois livros, com o terceiro já engatilhado com previsão para ser lançado no próximo mês de março. “Tenho toda uma trajetória acadêmica dentro da UEA”, afirma.

Além do meio acadêmico, André Zogahib tem uma longa história, também, em cargos na administração pública do Amazonas. Ele já atuou na Secretaria de Estado de Segurança Pública, na Polícia Civil, no Hospital Adriano Jorge e na Amazonprev, onde foi diretor-presidente. André Zogahib trabalha, ainda, na iniciativa privada, onde é empresário com atuação no comércio exterior.

Para saber mais sobre o assunto, confira a entrevista a seguir:

Panorama Real: A UEA completou 23 anos de vida no último mês de janeiro. Como a UEA se encontra após essas mais de duas décadas de fundação?

André Zogahib: É preciso falar sobre a UEA como um marco, um divisor de águas na formação superior no Estado do Amazonas. Ela nasce como um diferencial nesse processo formativo, o que impactou não só nosso Estado, mas, na formação na Região Norte do país. Hoje, temos cursos que são pioneiros no Brasil, que trazem pessoas de todo o país para estudar na Universidade do Estado do Amazonas, algo que há 23 anos atrás não era possível. Além disso, a universidade já nasce com uma perspectiva voltada para o interior, já nasce multicampi, já nasce com campos de formação, principalmente de formação de professores no interior do Estado do Amazonas. Ao longo dos anos, essa política foi se consolidando. Fazendo um regaste histórico, a UEA nasce ainda muito pequena com 1.789 alunos e, ao longo desses 23 anos, a UEA se expandiu e se consolidou como uma das universidades mais importantes da Região Norte do país. Muito me orgulha dizer que estar a frente desta universidade é representar toda essa história de amazônidas, de amazonenses, de pessoas que abraçaram nosso Estado e tiveram sua história complementada pela formação superior proporcionada pela nossa universidade.

Panorama Real: Como falastes anteriormente, a UEA nasce para atender, também, o público do interior. Qual é a situação atual da UEA nos municípios do interior do Amazonas?

André Zogahib: Hoje, temos 18 campos no interior em forma de núcleos, que funcionam com cursos AD HOC, cursos temporários, cursos que funcionam de maneira rotativa, uma hora estão em um município, outra hora, estão em outros municípios. Temos seis centros, que possuem uma dinâmica diferente. Além desses cursos temporários, com rotação nos municípios, temos cursos próprios e professores concursados para essas unidades. O centro funciona a ‘pari passu’ como funciona as unidades da capital. Os quatro grandes centros são Itacoatiara, Parintins, Tefé e Tabatinga, e temos, ainda, em Lábrea e São Gabriel da Cachoeira, que são centros na letra da lei, mas ainda funcionam como estrutura de núcleo. Portanto, estamos em 24 municípios. A UEA é a universidade que mais se consolida no interior do Estado do Amazonas. Vale lembrar que nos outros municípios, nós trabalhamos em parceria com a Secretaria de Educação (Seduc), desde o início da formação da universidade, e com as secretarias municipais. Então, estamos presentes em todos os municípios do interior do Estado do Amazonas, seja com a telemedicina, seja com curso especial em uma escola pública, com uma aula a noite por meio do ensino presencial mediado por tecnologia, em uma sede que não é da UEA, mas é da Seduc ou da Semed do município, que funciona com a formação superior, com professor selecionado lá para trabalhar no município prestando as atividades de nossa universidade.

Panorama Real: No passado, era comum se criar cursos universitários sem a estrutura necessária. Como tem sido hoje na UEA?

André Zogahib: Esse tem sido um lema da nossa campanha, que fortalecêssemos essas estruturas e não iríamos criar cursos novos sem estrutura. Queremos criar cursos com estrutura para trabalhar, com local de estágio para trabalhar, para que os alunos tenham condições para se formar e ter a perspectiva de ingressar, por meio de seus estágios curriculares, em instituições que eles possam ser absorvidos para ter contato com a prática da atividade para qual ele se formou. É algo que temos feito desde o início da nossa gestão e temos buscado ampliar essa estrutura. Hoje, por exemplo, recebemos uma equipe da Finep, que é uma agência pública do Ministério da Educação que fomenta a infraestrutura de pesquisa, em uma iniciativa de parceria entre o Governo do Estado e o Governo Federal, para explicar para os nossos pesquisadores como vai funcionar os acessos de correção de assimetrias nacional que é disponibilizado pelo Governo Federal na ordem de R$ 1,3 bilhão. Estamos trabalhando para acessar esses recursos, capacitando nossos professores. Vamos tentar atrair uma parcela desses recursos para solidificar esse compromisso de melhorar a infraestrutura da educação.

Panorama Real: Quais são os cursos de excelência que a UEA oferece?

André Zogahib: Temos vários. Os cursos de Administração e Direito estão em excelentes níveis dentro da universidade, com avaliações não só do Conselho Estadual de Educação, mas com avaliações de diversos sistemas que colocam esses cursos lá em cima. Os nossos cursos de Engenharia, também, são excelentes. Não é à toa que somos a instituição de ensino que mais capta recursos pela Lei de Informática por meio dos projetos de pesquisas, desenvolvimento e inovação. A universidade tem caminhado a passos largos. É claro que há muito a melhorar, mas a gente se coloca muito a frente de outras universidades públicas, que são nossos parâmetros de comparação para acessar esses recursos e oferecer cursos de qualidade.

Panorama Real: Dos cursos novos que a UEA oferta hoje, quais deles merecem um destaque maior?

André Zogahib: Hoje, estamos trabalhando com um curso novo que é o de Gestão Hospitalar, que vai funcionar, não só na capital, mas em todo o interior do Estado do Amazonas. Então, é um curso que temos um carinho muito grande nesse processo de construção. Ele está em fase de implantação. Já fizemos o vestibular para esse curso e tem alunos aprovados. A ideia é de que a partir deste ano, já tenha a primeira turma nos municípios atuando na atividade. A previsão é que comece no segundo semestre de 2024 por conta da correção do calendário acadêmico que a gente está trabalhando para corrigir as anomalias trazidas pela covid-19. A gente estava com o calendário fora de compasso com a cronologia anual. A partir de 2025, a gente começa com a cronologia correta com dois semestres por ano. Portanto, a gente vai finalizar essa correção. A partir de 2025 será tudo tranquilo.

Panorama Real: Falando em curso de Gestão Hospitalar, há algum projeto para a UEA administrar um hospital no futuro a exemplo do que ocorre com outras instituições de ensino?

André Zogahib: Hoje, a UEA, junto com a Secretaria de Saúde, tem um termo de cooperação por meio do qual os alunos estagiam nos hospitais da rede pública do Estado. Mas, a gente está trabalhando na construção de um ambulatório. Já estamos indo atrás das licenças. A priori, já temos um espaço que fica ao lado da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA). O Governo do Estado, por meio do governador Wilson Lima, se comprometeu a trabalhar para que, a partir do ano de 2025, a gente comece a ter o nosso próprio hospital já funcionado. Hoje, a gente tem um ambulatório modelo. Porém, esse ambulatório modelo não atende todas as necessidades do hospital. A ideia é que, daqui a dois anos, a gente tenha tanto um ambulatório quanto um hospital. Estamos ainda estudando os cenários e as possibilidades, uma vez que envolve toda uma engenharia financeira, orçamentária e outras situações. O certo é que o ambulatório será construído ainda neste ano ao lado da ESA/UEA, no bairro da Cachoeirinha.

Panorama Real: Na sua avaliação, como estará a UEA no futuro? Qual é a sua expectativa para os próximos anos?

André Zogahib: Olhar para a universidade é olhar para o que ela pode oferecer para a nossa sociedade e a formação acadêmica. Temos trabalhado no sentido de plantarmos sementes agora e colher esses frutos mais adiante, principalmente, percebendo que a UEA pode impactar no desenvolvimento econômico e social do nosso Estado, mudar matrizes econômicas, ou seja, mudar a matriz que temos para que, mais adiante, a gente possa ter oportunidade de termos outras matrizes econômicas advindas do desenvolvimento tecnológico e científico que a UEA pode proporcionar. Reconhecemos que não é a economia que modifica a tecnologia. Pelo contrário, é a mudança no patamar tecnológico no desenvolvimento da ciência que pode modificar as estruturas econômicas. Por termos consciência dessa realidade, temos tentado trabalhar num processo de formação de nossos acadêmicos que possa impactar no desenvolvimento de novos produtos e serviços para que possam gerar patentes, royalties e modificar a estrutura econômica de nosso Estado.