Aliado de Alcolumbre é alvo da PF após investir R$ 400 milhões da Previdência do Amapá no Banco Master

Operação Zona Cinzenta cumpre quatro mandados de busca e apreensão em Macapá/AP

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (05/02), a operação “Zona Cinzenta” que visa apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP). Conforme a PF, um montante de R$ 400 milhões teriam sido aplicados no Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central após se envolver em fraudes contra o sistema financeiro que podem chegar a aproximadamente R$ 12 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara de Justiça Federal, no município de Macapá. Os alvos da operação são:

  • Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev;
  • Jackson Rubens de Oliveira , do Comitê de Investimentos
  • José Milton Afonso Gonçalves, do Comitê de investimentos
  • A própria sede da AMPREV

Ainda segundo a PF, a investigação examina a aprovação e a execução de investimentos realizados pela autarquia estadual responsável pela gestão do RPPS/AP em Letras Financeiras emitidas por banco privado. “Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e de gestão fraudulenta”, disse a PF em nota.

Conforme apurou o Panorama Real, Jocildo Silva Lemos foi indicado para o comando da Previdência do Amapá pelo presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que, por sua vez, não está entre os investigados na operação. A reportagem não obteve sucesso em falar com a defesa de Jocildo Silva Lemos e nem com o senador Davi Alcolumbre. O espaço segue aberto para as respostas.

Amazonas pode entrar na mira da PF

O Estado do Amazonas, também, pode ser alvo de operação da Polícia Federal na investigação envolvendo o caso do Bando Master. Documentos mostram que a Fundação de Previdência do Estado do Amazonas (Amazonprev), na gestão do governador Wilson Lima, aplicou R$ 50 milhões em títulos sem garantias do Banco Master, envolvido em fraudes.

O aporte foi autorizado por um filiado do União Brasil, que é contador de campanhas do partido do governador do Amazonas, Wilson Lima. A informação foi divulgada, no ano passado, pelo jornal O Globo.

Segundo a denúncia da matéria, há indícios de que a operação envolvendo o Banco Master ocorreu sem autorização colegiada do fundo de previdência e sem análise de risco formal, o que contraria regras da fundação criada em 2021 para gerir a previdência dos servidores do Estado do Amazonas.

Entre os gestores responsáveis pela aplicação financeira, ocorrida em junho de 2024, está Ary Renato Vasconcelos de Souza, que, na época, era gerente de Administração e Finanças da Amazonprev.

Quase um mês depois da transação com o Banco Master, ele foi nomeado diretor-presidente da fundação, cargo no qual ficou por dez meses até ser exonerado em maio deste ano. Souza já foi secretário executivo extraordinário de Projetos da Casa Civil do governo Wilson Lima (União Brasil) e atuou como contador da campanha à reeleição do governador, em 2022.

Em dezembro daquele ano, ele se filiou ao União Brasil e foi nomeado para o cargo de gerente na Amazonprev em janeiro de 2023. Depois, assumiu a presidência da entidade, em julho de 2024, sendo substituído dez meses depois por Francisco Evilázio Pereira, que era o secretário de Justiça do governo Wilson Lima.

Na prestação de contas das eleições de 2022, Ary de Souza aparece como prestador do serviço de assessoria financeira à campanha de Wilson Lima, recebendo R$ 15 mil, além de também ter sido contratado por outros candidatos do União Brasil no Amazonas.

O Governo do Amazonas, por meio de nota, afirmou ao jornal O Globo, que o aporte no Banco Master corresponde a “menos de 0,5% do total de aplicações da instituição” e que o fundo previdenciário obteve um lucro de mais de R$ 1,1 bilhão. Nem Ary de Souza e nem o União Brasil se manifestaram sobre o assunto.

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