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As obras de revitalização no Complexo Booth Line, na região central de Manaus, estão em ritmo acelerado, e o espaço passa a receber a partir da próxima segunda-feira (28/10) feirantes, expositores e empreendedores que irão comercializar seus produtos em uma feira dentro das ruínas históricas que já estão sendo restauradas.
O Booth Line está sendo revitalizado para se transformar no Mercado de Origem da Amazônia, um projeto liderado pela Fundação Doimo e o Grupo Uai, em parceria com a Prefeitura de Manaus, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e outros importantes parceiros. De acordo com Elias Tergilene, fundador do Grupo Uai/Mercado de Origem e idealizador do projeto, a iniciativa visa resgatar o valor histórico do local e contribuir para a revitalização do Centro de Manaus.
“A obra e a feira vão acontecer simultaneamente. Nós somos especializados em restauro histórico e usamos uma técnica de ocupação porque, quando a sociedade desocupa um centro histórico, a criminalidade ocupa. Foi o que aconteceu nesse complexo e não podemos deixar isso se repetir. As pessoas que visitam ou moram em Manaus vão poder conhecer a história viva deste lugar e ainda poder comprar produtos regionais com preço acessível. O Booth Line se transforma em um grande mercado de origem – um espaço que dá oportunidade para o produtor vender diretamente para o consumidor final, sem atravessador”, detalhou Elias Tergilene.
Ele ressalta que, mais do que um mercado tradicional, este será um centro de comércio e cultura, onde produtores locais e comunidades amazônicas poderão expor e comercializar seus produtos. O mercado promoverá o desenvolvimento sustentável e fortalecerá as raízes culturais da região.
O empreendimento fica às margens do Rio Negro, ao lado do Porto Privativo de Manaus. Os 17 prédios do Complexo Booth Line, datados do século XIX, vão abrigar o Mercado de Origem da Amazônia, com seus mais de 800 expositores, área gastronômica, espaço para apresentações culturais, cursos e palestras. Além disso, o mercado terá um museu com peças encontradas no próprio complexo, que contam a história da capital amazonense durante um dos períodos econômicos mais importantes da região: o Ciclo da Borracha.
“Vamos inaugurar cada espaço de acordo com o avanço da obra. O espaço estará sendo ocupado pela população. É um presente para Manaus, que quase perdeu esse complexo histórico após anos de abandono.”
Inicialmente, o Mercado de Origem da Amazônia contará com aproximadamente 300 permissionários, que venderão uma variedade de produtos, desde tucumã, queijo e hortaliças até café regional.
“É uma nova oportunidade de renda em um local que inspira a história da cidade. Aqui será um point para turistas e até para os próprios amazonenses que querem conhecer um pouco da história desse lugar. Na ocasião, eles poderão ter contato com os produtos regionais e ajudarão diretamente os produtores. É algo fantástico, e estou ansiosa para começar a mostrar os meus produtos”, destacou a empreendedora Roberta Franco, que produz e comercializa acessórios com produtos regionais.
A feira na Estação Booth Line – Mercado de Origem da Amazônia ocorrerá todos os dias, das 8h às 17h, a princípio. Conforme as obras avançarem, novos espaços serão abertos à visitação e ocupados por empreendedores.
O Complexo Booth Line, localizado às margens do Rio Negro, é um dos marcos mais importantes do centro histórico de Manaus. Esse conjunto arquitetônico, que remonta ao século XIX, desempenhou um papel crucial durante o próspero Ciclo da Borracha, abrigando grandes empresas que moldaram o desenvolvimento econômico e social da Amazônia. Próximo ao antigo porto inglês Rodway, o espaço conectava Manaus a diversas regiões, sendo um ponto central de comércio fluvial.
A revitalização do Mercado de Origem da Amazônia faz parte de um projeto maior, conhecido como o Circuito dos Mercados, que já conta com iniciativas de sucesso em outras partes do Brasil, como Minas Gerais. Esses mercados funcionam como centros de revitalização econômica, onde pequenos produtores e comunidades locais têm a oportunidade de vender diretamente ao consumidor final, promovendo o empreendedorismo e a cultura local. O Circuito dos Mercados reflete um modelo que valoriza o patrimônio histórico enquanto impulsiona a economia regional, oferecendo um espaço dinâmico que integra comércio, cultura e sustentabilidade.
A Fundação Doimo, gestora social do projeto, tem desempenhado um papel central na articulação entre o setor público e privado, buscando promover o desenvolvimento econômico e social através do empreendedorismo e da revitalização de centros históricos. Bernard Martins, presidente da Fundação Doimo, destacou a relevância do projeto.
“Revitalizar o Complexo Booth Line significa preservar um pedaço vital da história da Amazônia, mas também significa construir um legado que vai impactar tanto Manaus quanto o Brasil. Esse projeto não só promove o turismo e o fortalecimento da cultura local, mas também impulsiona o empreendedorismo e a sustentabilidade, mostrando que é possível valorizar o passado e, ao mesmo tempo, criar um futuro de oportunidades. É um modelo que pode ser expandido para outras regiões, trazendo benefícios econômicos e culturais para o país inteiro.”
Com informações da assessoria