Ataque de Israel mata líder político do Hamas em Beirute, no Líbano

Aliado do Hamas, Hezbollah afirma que agressão criminosa de Israel não ficará sem resposta

Ataque terrorista de Israel em bairro do subúrbio da capital libanesa deixou vários apartamentos e carros destruídos (Foto: Redes Sociais)

O vice-chefe do gabinete político do Hamas, Saleh Al-Arouri, foi assassinado após um ataque realizado por Israel, nesta terça-feira (02/01), em Beirute, capital do Líbano. O assassinato do dirigente palestino foi confirmado pelo Hamas por meio de um comunicado divulgado pelos canais de comunicação do grupo.  

“O vice-chefe do Bureau Político do Hamas, o líder mártir Saleh Al-Arouri, foi martirizado num traiçoeiro ataque aéreo sionista em Beirute”, disse a nota lida na Al-Aqsa TV.

Além de Al-Arouri, a agressão israelense resultou em outros seis mortos, incluindo um cidadão libanês, e 11 feridos, entre libaneses e palestinos, de acordo com informações da imprensa libanesa. O ataque por drone teve como alvo uma reunião que estava sendo realizada no escritório do Hamas, no bairro de Mushrifiiah, no sul de Beirute.

‘Declaração de guerra’

O ataque terrorista israelense é o primeiro contra Beirute desde 2006. A agressão do regime sionista é vista por analistas locais como uma declaração de guerra por parte de Israel contra o Líbano.

Até então, o Líbano registrava, apenas na fronteira, confrontos entre os combatentes do Hezbollah, partido que lidera a Resistência Libanesa, e as tropas israelenses que ainda ocupam parte do território libanês, incluindo as Fazendas de Chebaa.

Militares israelenses já declararam que aguardam uma resposta dura tanto do Hamas quanto do Hezbollah como retaliação pelo assassinato de Saleh Al-Arouri e pelo ataque contra a capital Beirute.

“Os assassinatos covardes cometidos pelo ocupante sionista contra os líderes e símbolos do nosso povo palestino dentro e fora da Palestina não vão conseguir quebrar nem a vontade nem a resiliência do nosso povo, nem entorpecer a continuação de sua corajosa resistência”, declarou, por meio de nota, o membro do escritório político do Hamas, Ezzat al Rishq.

Repercussão

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, condenou a explosão na região do Dahiyeh, áreas do subúrbio que ficam ao sul da capital Beirute, afirmando que é um “crime de Israel que tem a intenção de iniciar uma nova fase do conflito”. O governo libanês deverá apresentar queixa ao Conselho de Segurança da ONU contra o ataque e contra todas as “novas violações israelenses da soberania libanesa”.

Por sua vez, Danny Dalon, deputado do Likud, mesmo partido de Benjamin Netanyahu, parabenizou o Exército de Israel pela morte de Al-Arouri.

Hezbollah condena ataque

O partido libanês Hezbollah, cujo braço armado foi responsável pela resistência que resultou na expulsão das tropas militares israelenses que ocuparam o Líbano até maio do ano 2000, após 22 anos de ocupação do território libanês, emitiu uma nota lamentando o martírio de Saleh Al-Arouri.

“Choramos pela nossa nação árabe e islâmica, lamentamos pela Palestina livre e pela sua grande resistência e pelo seu povo orgulhoso, e pelo povo livre e pelos mujahideen em todo o mundo, pelo grande líder mujahideen e vice-chefe do gabinete político do movimento Hamas, sheikh Saleh Al-Arouri, com vários dos seus companheiros mujahideen, mártires no caminho para Jerusalém. Apresentamos as nossas condolências aos nossos irmãos do Movimento de Resistência Islâmica Hamas, aos bravos mujahideen das Brigadas Izz al-Din al-Qassam, ao povo da firme Gaza, da Santa Jerusalém, da Cisjordânia ferida, e de todas as facções e movimentos. de resistência e jihad na Palestina. Deus Todo-Poderoso concluiu a carreira deste grande líder com as mais altas medalhas de honra. E dignidade e alcançando o martírio que ele sempre buscou, desejou e trabalhou com seus irmãos Mujahideen: resistência e jihad , vitória ou martírio”, disse trecho da nota.

Para o poderoso partido libanês, o ataque israelense reflete o fracasso militar do regime sionista de Israel em sua guerra para liquidar com a Palestina.

“O inimigo criminoso, que após quase noventa dias de crime, assassinato e destruição, não foi capaz de subjugar Gaza, Khan Yunis, o campo de Jabalia e o resto das orgulhosas cidades, campos e aldeias, está a recorrer a uma política de assassinato e liquidação física de todos os que trabalharam, planejaram, executaram ou apoiaram a heróica operação Tempestade Al-Aqsa e contribuíram em defesa do povo oprimido da Palestina, e o crime de hoje é uma continuação do crime de assassinato do líder, Sayyed Radhi al-Musawi, em outra arena de ação e uma nova frente de combate e de apoio, e este crime hediondo apenas aumentará a resistência na Palestina, no Líbano, no Iémen, na Síria, no Irã e no Iraque, na fé na sua causa. e firme compromisso e determinação para continuar o caminho da resistência e da jihad até à vitória e à libertação”.

‏Retaliação

‎O Hezbollah afirmou, ainda, que a agressão israelense foi um crime contra o Líbano e que o ataque não ficará sem resposta.‏

“Consideramos que o crime de assassinato do sheikh Saleh Al-Arouri e dos seus companheiros mártires no coração do subúrbio sul de Beirute é um sério ataque ao Líbano, ao seu povo, à sua segurança, soberania e à sua resistência, com mensagens políticas e de segurança de grande simbolismo e conotações, e um desenvolvimento perigoso no decurso da guerra entre o inimigo e o eixo de resistência, e nós no Hezbollah. Afirmamos que este crime nunca passará sem resposta e punição, e que a nossa resistência ao seu compromisso é firme , orgulhoso e fiel aos seus princípios e compromissos que assumiu consigo mesmo, a sua mão está no gatilho e os seus combatentes da resistência estão nos mais altos níveis de prontidão, e este é um dia memorável para o que se segue. muita paciência e bela paciência, e Deus é quem ajuda, e a vitória, se Deus quiser, está muito próxima”, afirmou a nota do partido libanês.

Perfil

Saleh Al-Arouri tinha longo histórico de luta em defesa da Palestina (Foto: Reprodução TV)

Saleh Al-Arouri nasceu no dia 19 de agosto de 1966, em Aroura, cidade palestina situada na Cisjordânia que está sob ocupação militar israelense. A casa do dirigente palestino chegou a ser demolida pelo exército israelense em outubro do ano passado.

Ele é considerado um dos cofundadores da ala militar do Hamas – as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Al-Arouri chegou a ficar preso por quase 20 anos nos cárceres israelenses e foi solto sob a condição de que ficasse exilado da Palestina.

Ele foi primeiro deportado para a Síria antes de se mudar para a Turquia e, depois, para o Líbano, onde se tornou representante do Hamas no país, vindo a ser nomeado vice-chefe do gabinete político do grupo militante palestino em 2017. Ele, também, era chefe de operações na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.

Com informações das agências internacionais e canais de comunicação do Líbano

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