Bolsonaro, ex-ministros e militares do Amazonas são alvos de operação da PF

Ao todo, a PF cumpre 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Há ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados
Bolsonaro pode ter contado com a ajuda do general Augusto Heleno (ex-comandante do CMA) para apoiar acampamentos em quartéis do Exército (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ex-ministros, assessores e dois militares do Exército que atuam no Amazonas foram alvos de operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta quinta-feira (08/02), em pelo menos dez Estados. A polícia investiga uma tentativa de golpe de Estado para mantê-lo no poder, nas eleições de 2022.

A PF foi à casa de Bolsonaro na Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), e apreendeu o celular de um de seus assessores, Tercio Arnaud Thomaz. Ele estava na residência com o ex-presidente. O ex-presidente deve entregar o passaporte em 24 horas, já que o documento não foi encontrado no local.

Ao todo, a PF cumpre 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Há ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos públicos. No Amazonas, a PF cumpriu pelo menos dois desses mandados: um em desfavor do ex-ministro general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) e o general Estevam Theophilo Gaspar, ambos atuam no Comando Militar da Amazônia (CMA). A Polícia Federal investiga se houve conivência dos militares com o acampamento montado pelos apoiadores de Bolsonaro em frente ao quartel na Ponta Negra.

Augusto Heleno também foi comandante militar da Amazônia entre 2007 e 2009. Ele também foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, no Rio de Janeiro, local onde conheceu o ex-presidente , no final dos anos 1970. Já o general Estevam Theóphilo, teria garantido ao ex-presidente Jair Bolsonaro que colocaria sua tropa na rua para apoiar um golpe de estado.

A informação foi fornecida pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, em sua delação premiada, e teria sido corroborada por mensagens e registros da participação de Theóphilo na reunião em que Cid relatou ter sido discutida a minuta de golpe, com a presença de Bolsonaro e comandantes das Forças Armadas.

Presos

Durante a operação de hoje foram presos: Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro; Marcelo Câmara, coronel da reserva do Exército citado em investigações como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro e Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército.

O coronel do Exército Bernardo Romão Corrêa Netto, alvo do quarto mandado, não foi detido porque está nos Estados Unidos. O mandado de prisão será enviado ao Exército para que notifique o militar.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão: Valdemar Costa Neto, presidente do PL; Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública; general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército; almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha; Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado “gabinete do ódio”; Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército e Ailton Gonçalves Moraes Barros, capitão reformado do Exército expulso após punições disciplinares, entre outros.