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O governo brasileiro já resgatou 1.317 pessoas que fugiram da guerra em curso contra o Líbano. De acordo com o Itamaraty, a “Operação Raízes do Cedro” repatriou, entre brasileiros e libaneses parentes de brasileiros, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), até o momento, 242 crianças, 40 bebês, 138 idosos, 12 gestantes, 101 pessoas com alguma complicação de saúde e 12 pessoas com deficiência, além de 15 animais domésticos.
O último voo com repatriados pousou no último sábado (19/10) com 212 passageiros resgatados do Líbano. O avião pousou às 7h15 na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou o grupo. Logo após o desembarque, ele fez um rápido discurso para os repatriados criticando o posicionamento de Israel de “matar inocentes, mulheres e crianças, sem nenhum respeito pela vida humana”.
“O Brasil é um país generoso e não tem contencioso com nenhum país do mundo porque a gente não deseja guerra. A guerra só destrói. O que constrói é a paz”, disse o presidente.
Samara Keshin, que teve de fugir às pressas de sua casa ao lado dos pais, parou de falar por um momento ao ouvir o ronco dos motores dos aviões decolando e pousando em Guarulhos. “Eu não consigo ouvir esses barulhos”, disse mesmo a 10 mil quilômetros de distância do Líbano.
Keshin conta que Israel bombardeou a cidade em que ela vivia coma família, o que os obrigou a fugir para uma cidade próxima. “A gente começou a escutar os mísseis passando por cima da gente. Todo mundo ficou apavorado. Em menos de uma hora a cidade inteira estava vazia”, conta. “A gente não podia mais voltar para casa e ficou tudo ali. Eu só peguei o passaporte quando fugi.”
Hamza Haymour, que chegou do Líbano no primeiro grupo de brasileiros, no domingo (6), foi para o aeroporto para recepcionar sua avó, tios e primos, que estavam no país há 24 anos.
Nascido no Brasil e filho de pai libanês e mãe brasileira, Haymour afirmou que a situação no território libanês é “bem difícil”, mas agradeceu a Deus e ao presidente Lula por ter chegado ao seu país de origem.
“A gente agradece. Eu acho que se não fosse ele [Lula], a gente não estaria aqui, eu não estaria. Não teria chegado no domingo. Eu tenho certeza de que vão trazer todo mundo e até que não é brasileiro e que quiser vir, eles vão trazer também. Mas espero que seja um pouco mais rápido, porque o tempo não espera”, afirmou
Em torno de 3 mil pessoas pediram para vir ao Brasil desde que a guerra se expandiu a partir do dia 23 de setembro, quando Israel passou a atacar civis e prédios residenciais de forma direta, intencional e massiva no território libanês. As agressões israelenses já mataram e feriram mais de 14 mil pessoas – a maioria esmagadora de civis, incluindo brasileiros -, conforme dados no Ministério da Saúde do Líbano.
Pelo acordo entre o Itamaraty e o governo libanês, são prioridade das listas de embarques mulheres, crianças, idosos e brasileiros não moradores do Líbano. Desde 4 de outubro, início da operação de resgate, a FAB tem feito voos diários entre Brasil e Líbano, com escala para reabastecimento em Lisboa, Portugal.