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Incêndios causam prejuízos irreversíveis à natureza e sérios danos à rede de distribuição do setor elétrico
As ondas de calor causadas pelo fenômeno El Niño e a previsão de chuvas abaixo da média podem comprometer o setor elétrico da Região Norte em 2024, em especial o Amazonas, que enfrentou a maior seca da história neste ano, conforme avaliação dos especialistas.
De acordo com Desirée Brandt, meteorologista e sócia executiva da Nottus, o período de chuvas é importante para encher reservatórios das hidrelétricas e garantir a produção sazonal das grandes usinas do Norte. “Para o Norte, a chuva até aumenta, mas, muitas vezes, não atinge a média e vai chover muito menos do que no verão 2022/2023”, apontou.
A previsão de Desirée é confirmada por Vinicius Henrique de Lima, climatologista do Climatempo. Segundo ele, vai chover menos no ano que vem. “O pico das chuvas [no Norte] deve ser mais para o final do verão, em março e ao longo do começo do outono, também em abril. Mas a tendência é que as chuvas fiquem abaixo da média histórica”, avaliou o especialista.
Variação
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o período úmido de 2023/2024 começou com volume de precipitação abaixo da média, e a previsão é de que a afluência no Sistema Interligado Nacional (SIN) deva variar entre 57% e 98% da média histórica (MLT) de dezembro de 2023 a maio de 2024.
A seca severa chegou a levar à paralisação temporária das operações da usina hidrelétrica Santo Antônio, localizada no rio Madeira, devido ao baixo nível de vazão. Mas foram as queimadas e o aumento no consumo de energia elétrica que preocuparam a Amazonas Energia aqui no Estado. A concessionária no ápice da estiagem teve transtornos em 42 municípios do Amazonas.
Dentre os prejuízos contabilizados pela concessionária está a perda de, pelo menos, 230 postes destruídos pelo fogo. A reposição resultou no gasto de, aproximadamente, R$ 1 milhão.
“As queimadas causam prejuízos irreversíveis à natureza e sérios danos à rede de distribuição. Nesses meses de seca extrema, tivemos que efetuar a troca de mais de 306 equipamentos destruídos pelo fogo”, informou o diretor Institucional e Técnico do Interior, Radyr Gomes, na ocasião.
Mais de 25 quilômetros de linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica precisaram ser substituídos.