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Após quase dois anos e três meses de vacância, o cargo de presidente Líbano voltou a ser preenchido, nesta quinta-feira (09/01), com a eleição de Joseph Aoun, atual comandante do Exército libanês. Ele foi eleito com os votos de 99 dos 128 membros do Parlamento – a escolha do presidente não é popular, uma vez que o Líbano é uma República Parlamentarista -, em uma segunda rodada de votação e sua eleição só foi possível graças ao apoio dos deputados do Hezbollah e do movimento Amal, liderado por Nabih Berri, atual presidente do Poder Legislativo do Líbano.
Na primeira tentativa para eleger o presidente, Aoun teve 71 votos – eram necessários 86 votos -, enquanto outros 37 votaram em branco e 18 foram anulados.
Por conta do fracasso, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, convocou uma segunda rodada de votação.
Neste intervalo, deputados do Hezbollah e do Amal se encontraram com Aoun e, para apoiá-lo, entregaram uma lista com seis pontos demandados pelos parlamentares que representam os muçulmanos xiitas do Líbano – maior comunidade religiosa do país -, que incluem demandas relacionadas a questões políticas, de segurança e voltadas para a reconstrução das áreas destruídas por Israel na última guerra, que foi suspensa por um cessar-fogo em novembro fo ano passado. Após aceitar as demandas dos muçulmanos xiitas, Aoun recebeu o apoio deles.
Por conta desta novidade, na segunda rodada de votação, Aoun teve 99 votos, 15 foram para outros candidatos, nove votaram em branco e cinco foram anulados.
O nome de Joseph Aoun conta com o apoio ainda dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, país sem democracia que costuma interferir na política libanesa junto com os norte-americanos.
Por sua vez, o deputado da oposição Jamil Assayed afirmou que não houve uma “eleição para presidente”, mas apenas uma “retificação” do nome de Joseph Aoun, que segundo ele, foi imposto pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita.
Em seu primeiro discurso, Joseph Aoun afirmou que respeitará a Constituição libanesa. Ele declarou ainda que vai respeitar a independência dos Poderes, combater a corrupção, fortalecer a segurança e comandar a reconstrução do país devastado pela guerra com Israel.
“Neste momento, vou tirar o uniforme rajado (do Exército) e vestir a roupa civil, mas ficarei com vocês e não vou decepcioná-los”, disse.
A Presidência do Líbano estava vaga desde outubro de 2022, quando terminou o mandato do presidente Michel Aoun. Desde então, o país tentou eleger alguém para ocupar o cargo por várias vezes neste período, porém sem sucesso.