Com medo de serem presos, vice-prefeito de Manaus e familiares de David Almeida pediram habeas corpus à Justiça após operação ‘Erga Omnes’

Renato Junior comandará a prefeitura após saída da David Almeida (Foto: Dhyeizo Lemos/Semcom)

A operação “Erga Omnes”, deflagrada no último dia 20 de fevereiro para desarticular um grupo do Comando Vermelho (CV) envolvido com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção no Amazonas, tem causado terror na Prefeitura de Manaus e nos círculos familiares do prefeito David Almeida (Avante).

Com medo de serem presos, o vice-prefeito Renato Junior; a primeira-dama Izabelle Fontenelle de Queiroz Almeida; a mãe dela e sogra do prefeito, Lidiane Oliveira Fontenelle de Queiroz; e a irmã de David, Dulcinéia Ester Pereira de Almeida, atual presidente do Conselho Municipal de Gestão Estratégica (CMGE), solicitaram habeas corpus preventivo, no último domingo (22/02), ou seja, dois dias depois da operação comandada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), à Justiça amazonense.

Segundo a defesa deles, a medida foi solicitada por “receio de que fossem decretadas medidas cautelares pessoais invasivas, buscando evitar constrangimento ilegal”. Porém, em seguida, eles desistiram da ação, que acabou sendo arquivada antes de ser julgada.

A decisão que homologou a desistência foi assinada, na quarta-feira (25/02), pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Operação “Erga Omnes”

No último dia 20 de fevereiro, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou a operação “Erga Omnes” para desarticular um “núcleo político” do Comando Vermelho que atuava dentro de órgãos público, incluindo a Prefeitura de Manaus. Segundo a PC-AM, a organização criminosa tinha atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diversos estados do país.

Conforme informações da polícia, a organização criminosa movimentou mais R$ 70 milhões.

Ao menos oito pessoas foram presas no Amazonas. Entre elas estão Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e advogada que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida -, Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) -; e o empresário Alcir Queiroga, investigado por participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa.

Queiroga é proprietário de uma agência de viagens. Ele disse à polícia que Anabela Freitas comprava passagens aéreas para o prefeito, a esposa e outros parentes, e de servidores da Prefeitura de Manaus com o pagamento de dinheiro em espécie. Segundo falou em depoimento, Anabela teria pago R$ 34 mil para a compra de passagens para a polêmica viagem de David Almeida ao Caribe, em 2025.

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