Consumidores do AM devem ficar atentos para evitar cair em golpes durante a Black Friday

Órgãos de defesa do consumidor e especialistas na área de crimes on-line dão dicas para que as pessoas não sejam lesadas por criminosos nesta data

Órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-AM, alertam para os golpes que podem ocorrer durante a Black Friday (Foto: João Pedro/Procon-AM)

Uma das datas mais esperadas pelos consumidores, a Black Friday – que ocorre sempre na última sexta-feira do mês de novembro -, requer alguns cuidados para que a compra de produtos com preços mais em conta não se transforme num pesadelo. Órgãos de defesa do consumidor e especialistas na área de crimes on-line dão dicas para evitar que as pessoas caíam em golpes ou paguem por preços que não condizem com as promoções típicas da época.

Os cuidados devem ser redobrados, uma vez que, de acordo com pesquisa realizada, no início deste mês, pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas, 93% dos entrevistados demonstraram interesse em participar das compras durante a Black Friday. Segundo o levantamento, os principais critérios considerados na decisão de compra incluem condições como melhores preços (63%) e qualidade dos produtos (60%), além das promoções e ofertas (54%).

Conforme a pesquisa da Fecomércio, a preferência dos consumidores será por produtos como smartphones e eletrodomésticos, mostrando que a tendência é a de que que as pessoas adiantem as compras de presentes de Natal durante esse período. Quanto ao orçamento, a pesquisa revela que a maioria dos consumidores planeja gastar entre R$ 151 e R$ 400.

“O trabalho realizado pela Fecomércio é uma bússola para os lojistas e vendedores de todo o Estado, que de posse dessas informações poderão atender de forma mais assertiva os consumidores”, afirmou o diretor-presidente do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM), Jalil Fraxe.

Dicas

Conforme o Procon-AM, há vários tipos de golpes, sendo o mais comum o das falsas promoções, que geralmente ocorrem no comércio eletrônico. Segundo o instituto, no período da Black Friday, são recorrentes reclamações de consumidores sobre mudanças de preços, principalmente, em ocasiões em que o estabelecimento aumenta o valor de um produto na véspera para depois oferecer desconto. “Essa prática é considerada publicidade enganosa e o estabelecimento pode ser penalizado caso exista comprovação deste tipo de ação”, destacou Fraxe.

As principais recomendações do Procon-AM incluem que o consumidor pesquise os preços antes de sair as compras ou realiza-las de forma eletrônica, a fim de poder fazer comparações. Outra dica é para que o cliente consulte os sites de reclamações dos Procons, além da plataforma federal consumidor.gov.br e Reclame Aqui para verificar se o fornecedor já tem outras reclamações.

O Procon-AM alerta, ainda, que é preciso desconfiar de ofertas muito abaixo do padrão de mercado. “Não existem milagres: uma TV de 75 polegadas, independentemente da marca, jamais vai custar R$ 900, desta forma, desconfie e nem pense em levar vantagem, pois certamente você vai cair em um golpe. É preciso também verificar se o endereço eletrônico indicado na barra é o mesmo informado no site e verificar os sistemas de segurança, que é aquele cadeado ativo no canto direito da tela, principalmente, quando fornecer dados pessoais”, orientou o diretor-presidente.

Conforme o Procon-AM, outros detalhes devem ser analisados, como sempre desconfiar de formas de pagamento incomuns, como depósito em conta de pessoas físicas.

Prazo de arrependimento

A chefe do jurídico do Procon-AM, Raquel Lima, lembra que o consumidor pode desistir da compra em razão do chamado prazo de arrependimento. “O arrependimento de compras realizadas fora do estabelecimento, pela internet, por exemplo – pode ser exercido pelo consumidor no prazo de sete dias, a contar da aquisição ou do recebimento do produto. Nesses casos, o consumidor deve receber de volta os valores eventualmente pagos e corrigidos monetariamente, inclusive os custos do frete”, assegurou.

Segundo a legislação, os fornecedores não são obrigados a trocar um produto se ele não apresentar vício ou defeito que não tenha resolução no prazo legal. “Se a questão for meramente da preferência do consumidor, como a troca por cor ou tamanho diferente, não existe nenhuma obrigatoriedade de troca. A única exceção é o caso de compras realizadas fora do estabelecimento (internet, telefone etc.), caso em que o consumidor tem o prazo de arrependimento de sete dias”, avisou a especialista.

Denúncias 

Consumidores precisam ficar atentos com as ofertas na Black Friday (Foto: João Pedro/Procon-AM)

O Procon-AM disponibiliza os seguintes canais para o consumidor amazonense realizar suas denúncias: (92) 33215-4009 ou 0800 092 1512 (segunda a sexta, das 8h às 14h, exceto feriados), site www.procon.am.gov.br ou correio eletrônico: fiscalizacaoprocon@procon.am.gov.br. Se preferir, a pessoa pode comparecer ao Procon-AM ou aos PACS.

Táticas criminosas

Apesar de ser uma data extremamente lucrativa para o comércio, é uma data igualmente lucrativa para criminosos. Portanto, o consumidor precisa ficar atento para não cair em golpes e ficar no prejuízo.

Lilia Gibson é especialista em Segurança da Informação (Foto: Divulgação/Prodam)

A especialista em Segurança da Informação, Lilian Gibson, destacou que momentos como a Black Friday são vistos pelos criminosos como uma oportunidade ideal para aplicar as técnicas de engenharia social e de phishing.

A engenharia social faz uso de técnicas de oratória, estudo da psique humana e das vulnerabilidades dos ambientes alvo e prepara, em alguns casos, ataques personalizados.

“É quando você recebe pelo Whatsapp uma mensagem de uma pessoa se passando pelo vendedor da sua loja favorita, com alguma informação que dá a entender que você tem uma relação pessoal com ele. O criminoso te oferece um desconto único e exclusivo, mas para ter acesso você precisa clicar no link que ele te enviou ou confirmar algumas informações pessoais. Quando você clica, um software “maligno” (malware) se instala no seu celular e é capaz de coletar, por exemplo, seus dados pessoais”, frisou Lilian. 

 Phishing

Já o phishing, segundo a especialista, é uma técnica de crime cibernético que usa uma página web fraudulenta para imitar uma página original e, a partir de um link falso, coleta informações pessoais dos usuários ou desvia pagamentos. Durante períodos de grande apelo do comércio, inúmeras páginas falsas são criadas na Internet. 

“Sei que é tentador receber uma mensagem com uma promoção imperdível no WhatsApp ou e-mail, mas você nunca deve clicar nesse tipo de mensagem. O mais seguro e indicado é sempre acessar o site oficial da loja pelo navegador e conferir se a promoção existe mesmo. Também é sempre útil consultar a reputação do site ou do produto no “reclameaqui.com.br” antes de realizar a compra”, explicou. 

Impulso

Outra dica da especialista é não se deixar levar pelo impulso. Segundo Lilian, os criminosos sempre deixam rastros, mas os consumidores estão tão empolgados com as compras, que não percebem. 

“Não caia em propagandas cujas mensagens sejam do tipo ‘última chance’. Ainda que seja uma promoção realmente muito boa, leve alguns minutos analisando o site: possui o cadeado de proteção no canto superior esquerdo da URL? As palavras no site estão escritas corretamente?  Pesquisar a faixa de preços do produto antes do período da promoção também é muito útil para ter certeza de que o desconto ofertado vale a pena e está dentro de um valor, realmente, viável”, finalizou Lilian.

Mais cuidados recomendados:

• Proteções do Pix: limitar o valor dos pagamentos em Pix em determinadas horas do dia e pré-cadastrar beneficiários cujo volume da transferência precise ser maior. Confira se o destinatário do pagamento está correto e é o da empresa ou pessoa de destino desejado.

• Cartões: dar preferência aos cartões virtuais (de utilização única por compra). Se habilitou a opção de pagamento por aproximação, desative a função no app do seu banco sempre que for frequentar locais de grande movimentação, como centros comerciais. 

• Antivírus: além dos computadores, os antivírus podem ser instalados também em dispositivos móveis (alguns com a licença que você já paga para o computador).

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