Crime de guerra: Israel assassina três profissionais de imprensa em novo massacre contra jornalistas no Líbano

Local onde jornalistas estavam ficou totalmente destruído após ataque de Israel (Foto: Divulgação)

Jornalistas libaneses voltaram a ser alvo da máquina assassina de Israel, na madrugada desta sexta-feira (25/10), após bombardeios aéreos atingirem as acomodações que servem de bases para equipes de reportagem de vários veículos de comunicação que cobrem os conflitos na região, na cidade de Hasbaya (a 107 quilômetros de Beirute), no sul do Líbano. A agressão israelense matou e feriu seis pessoas entre jornalistas, cinegrafistas e técnicos de radiodifusão, que estavam dormindo na hora do ataque.

Os profissionais de imprensa martirizados são o cinegrafista Ghassan Najjar e o engenheiro de transmissão Muhammad Reda, ambos da emissora Al-Mayadeen, e o cinegrafista Wissam Qassem, do canal Al-Manar.

O Ministro da Informação do Líbano, Ziad Makari, classificou o assassinato deles como um “crime de guerra que ocorreu após monitoramento, rastreamento e planejamento pelo inimigo Israel”. Segundo ele, 18 profissionais de imprensa estavam no local na hora da agressão israelense.

Profissionais de imprensa foram assassinados por Israel (Fotos: Divulgação)

Al-Mayadeen

O presidente do Conselho de Administração da Rede Al-Mayadeen, jornalista Ghassan Bin Jiddo, declarou que Israel tem a “total responsabilidade por este crime de guerra” contra a imprensa. Ele destacou que a agressão não tinha somente o famoso canal pan-arábico como alvo, mas todas as outras equipes jornalísticas que estavam no local.

“Foi um ataque deliberado. A ocupação israelense tem o prazer em matar e entre os seus alvos estão jornalistas que expuseram os seus crimes e, por este motivo, Israel os odeia com sadismo e prazer”, afirmou Ben Jeddou ao destacar que a TV Al-Mayadeen “não recuará” em cobrir os eventos no Líbano.

Por sua vez, a correspondente do Al-Mayadeen no sul do Líbano, Fatima Fattouni, confirmou que o ataque atingiu um aglomerado de casas, onde viviam vários repórteres, fotógrafos e técnicos de vários canais de televisão presentes na região.

Fattouni confirmou que o ataque foi realizado “com dois mísseis de um avião de guerra que visava diretamente mais de uma equipe de imprensa”.

Veículos da imprensa estavam identificados (Foto: Divulgação/Al-Mayadeen)

Israel ataca escritório do canal Al-Mayadeen em Beirute

Na noite da última quarta-feira (23/10), Israel já havia lançado uma agressão contra o escritório da televisão Al-Mayadeen, no bairro de Jinah, em Beirute, que estava vazio desde o início das agressões israelenses contra o Líbano. O ataque deixou um morto e cinco feridos entre as pessoas que passavam perto do local na hora do bombardeio.

Na ocasião, o Ministro da Informação libanês, Ziad Makari, confirmou que o governo “tomará medidas relacionadas com a agressão” e manterá contato com autoridades internacionais sobre o assunto.

Outros profissionais atacados

Não é a primeira vez que Israel comete massacres contra jornalistas libaneses, no geral, e contra Al-Mayadeen, particularmente.

Desde o início da expansão das agressões contra o território libanês, que já matou e feriu mais de 14 mil pessoas, a maioria civis, os bombardeios israelenses mataram ao menos oito profissionais de imprensa.

Há quase um mês, a emissora lamentou a morte do jornalista Hadi Al-Sayed, que trabalhava no Al-Mayadeen Online. Ele foi assassinado em consequência dos ferimentos que sofreu na cabeça, como resultado de um ataque israelense que teve como alvo a cidade de Bourj Rahal, no sul do Líbano.

Em novembro do ano passado, Al-Mayadeen realizou o funeral do repórter Farah Omar e do fotógrafo Rabih Maamari, depois de terem sido martirizados como resultado de um ataque israelense deliberado com drone que os tinha como alvo na cidade de Teir Harfah, também, no sul do Líbano.

Um mês antes, o correspondente da Reuters, o jornalista cinematográfico, Issam Abdallah, foi morto após Israel ter atacado um grupo de jornalistas da mídia internacional que estava na cidade de Alma al-Shaab, no sul do Líbano, fazendo a cobertura de confrontos registrados na fronteira do país. Além dele, outros seis jornalistas ficaram feridos no ataque, sendo dois da própria Reuters, dois da emissora qatari Al-Jazeera e dois da Agence France-Presse (AFP).

No último dia 16 deste mês, o fotógrafo Mohammad Salim Bittar, que trabalhava para a prefeitura de Nabatieh, no sul do Líbano, foi assassinado em um massacre cometido por Israel, que resultou, ao todo, em 16 mortos e mais de 50 feridos.

Por causa de Israel, jornalistas enfrentam perigo na Faixa de Gaza e no Líbano

Jornalistas são assassinados de forma deliberada por Israel (Foto: Divulgação)

De acordo com o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), pelo menos 123 jornalistas e profissionais da mídia palestinos foram mortos na Faixa de Gaza desde que Israel iniciou uma guerra no território em outubro do ano passado. Segundo o CPJ, apenas dois jornalistas israelenses foram mortos no conflito.

Esses assassinatos mostram que os jornalistas enfrentam perigos sem precedentes ao cobrir as guerras de Israel na Faixa de Gaza e no Líbano.

Em declaração à TV Al-Jazeera, o fundador da organização Global Journalist Security, Frank Smyth, disse que mais jornalistas foram mortos no enclave palestino no ano passado do que em qualquer outro conflito no mundo, com a maioria sendo repórteres locais cobrindo suas próprias comunidades.

Smyth enfatizou que há evidências de que as forças israelenses estão mirando diretamente em jornalistas, enquanto bombardeios indiscriminados também mataram dezenas de profissionais da mídia.

Com informações das agências internacionais de notícias

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