Desaparecida há 12 dias, menina palestina de 6 anos foi assassinada por Israel

Desaparecimento de Hind Rajab causou comoção internacional e gerou uma campanha de busca pela menina, que foi morta pelos agressores israelenses
Hind Rajab, de apenas 6 anos, foi assassinada covardemente pelos soldados israelenses quando tentava fugir com parentes da Cidade de Gaza (Foto: Arquivo Pessoal)

Após 12 dias de mistério sobre o seu desaparecimento, a menina palestina, Hind Rajab, de apenas 6 anos, foi encontrada morta, neste sábado (10/02), na Cidade de Gaza, junto com outros parentes dela, depois que o carro em que eles se encontravam foi atacado por soldados israelenses. Além deles, dois paramédicos que tentaram socorrê-los foram assassinados pelos agressores israelenses

As informações foram confirmadas pelos canais de comunicações palestinos e por agências internacionais de notícias.

De acordo com testemunhas, Hind Rajab estava fugindo da cidade de Gaza com a tia, o tio e três primos quando o carro em que estavam foi metralhado e bombardeado pelos israelenses.

Hind ainda conseguiu chamar as equipes de socorro depois do ataque. Gravações de ligações entre Hind e atendentes de canais de emergência sugerem que a menina foi a única que ficou viva no carro, escondida das forças israelenses entre os corpos dos parentes.

Porém, enquanto ela falava com os telefonistas do canal de emergência, a linha foi cortada em meio ao som de tiros.

Ambulância atacada

Conforme agências de notícias internacionais, os paramédicos da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino conseguiram chegar à área, neste sábado (10/02), que havia sido anteriormente isolada como uma zona de combate ativo.

Eles encontraram o carro Kia preto em que Hind estava com o para-brisa e o painel quebrados, além de buracos de bala espalhados pela lateral.

Um paramédico disse a jornalistas que Hind estava entre os seis corpos encontrados dentro do carro, todos com sinais de tiros e bombardeios.

A poucos metros de distância estavam os restos de outro veículo, completamente queimado e com o motor caído no chão. Esta, diz o Crescente Vermelho, é a ambulância enviada para buscar Hind.

Os profissionais que estavam ali, Yusuf al-Zeino e Ahmed al-Madhoun, foram mortos quando a ambulância foi bombardeada pelas forças israelenses, afirma a organização.

Ambulância com paramédicos foi destruída por Israel (Foto: Reprodução/Rede Sociais)

Campanha

A gravação da ligação de Hind pedindo por socorro, compartilhada publicamente pelo Crescente Vermelho, desencadeou uma campanha para descobrir o seu paradeiro.

Antes do corpo da filha ser descoberto, a mãe de Hind, Wissam, disse que estava esperando pela menina “a qualquer momento, a qualquer segundo”. Agora, ela exige que alguém seja responsabilizado.

“Para cada pessoa que ouviu a minha voz e a voz suplicante da minha filha, mas não a resgatou, vou interrogá-la diante de Deus no Dia do Juízo”, disse a mãe à BBC. “Netanyahu [primeiro-ministro de Israel], Biden [presidente dos EUA] e todos aqueles que colaboraram contra nós, contra Gaza e seu povo, rezo contra eles do fundo do meu coração”.

No hospital onde esperava notícias da filha, Wissam ainda segurava a bolsinha rosa que guardava para a menina. Dentro dela, estava um caderno onde Hind praticava sua caligrafia. “Quantas mais mães vocês estão esperando que sintam essa dor? Quantas crianças mais você quer que morram?”, desabafou.

As normas internacionais de guerra determinam que equipes médicas devem ser protegidas e não ser um alvo no conflito e que as pessoas feridas devem receber os cuidados médicos de que necessitam — na medida do possível e com o menor atraso possível.

Com informações das agências internacionais