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Apesar do aumento na quantidade de mulheres beneficiadas neste mercado, elas recebem apenas 8% dos repasses com direitos autorais
A participação das mulheres no mercado musical brasileiro cresceu 31,82% nos últimos cinco anos, porém, apesar do aumento no número de profissionais beneficiadas, elas recebem apenas 8% do valor que é distribuído com direitos autorais no Brasil. A falta da igualdade de gênero é a principal conclusão da quinta edição do relatório “Mulheres na Música”, divulgado neste mês de março como parte do Dia Internacional da Mulher, pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
Segundo o Ecad, o estudo apresenta um retrato de 2024 para as mulheres, além de fazer um comparativo com o cenário em 2020, primeiro ano em que esse tipo de levantamento foi realizado.
Conforme o panorama traçado pelo Ecad sobre a participação feminina na indústria musical e no mercado de direitos autorais de execução pública nos últimos cinco anos, em 2024, 29 mil mulheres foram contempladas com direitos autorais de execução pública, número 31,82% maior do que em 2020, quando esse quantitativo foi de 22 mil mulheres. Porém, apesar do crescimento, quando o assunto são os valores distribuídos entre 2020 e 2024, elas receberam menos de 10% do total repassado para os beneficiados.
Para tentar diminuir essa desigualdade, o Ecad tem procurado chamar a atenção para a importância da adoção de medidas concretas no sentido de se promover a igualdade de gênero na música.
“A equidade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas também um fator essencial para o sucesso e a sustentabilidade de negócios. Em um mercado majoritariamente masculino, nós mulheres precisamos provar duas, três, quatro vezes mais que somos capazes de ocupar aquele espaço. Dessa forma, é preciso criar meios para empoderar e inspirar meninas e mulheres a seguirem seus sonhos de ter uma carreira na música, seja nos palcos ou nos bastidores. Que todas sejamos CEOs das nossas próprias vidas”, afirma a superintendente executiva do Ecad, Isabel Amorim.

Números da indústria musical de 2024
O relatório do Ecad mostra que a indústria musical precisa avançar sobre a participação feminina.
Em 2024, a gestão coletiva da música distribuiu um total de R$ 1,5 bilhão em direitos autorais e, desse total, R$ 926 milhões foram destinados a pessoas físicas, sendo 8% (em torno de R$ 75 milhões) distribuídos às mulheres. Em comparação a 2023, não houve alteração e as mulheres também receberam os mesmos 8% naquele ano. Já o valor distribuído em 2024 para as mulheres, de R$ 75 milhões, foi maior do que o de 2023, o que representa aumento de 15,8% em comparação com o ano anterior.
“Embora as mulheres continuem buscando seu espaço na indústria como compositoras, intérpretes ou musicistas, o estudo do Ecad traz evidências que apontam mais um ano em que a desigualdade de gênero foi evidente”, diz o Ecad.
Em relação à participação feminina entre os 100 maiores rendimentos destinados a autores no ano de 2024, os números continuam discrepantes em relação aos homens. Essa participação foi de apenas 5% no ano passado, ligeira queda em relação ao recorde de 6% em 2023.
As mulheres mantiveram uma média de 4% nos últimos anos, o que aponta o pequeno volume de compositoras em destaque no topo da cadeia musical.
Autoria feminina entre as mais tocadas

Das 100 músicas mais tocadas em shows em 2024, apenas 16% têm participação feminina na autoria. Apenas 15 mulheres compõem esse grupo e elas não aparecem até o top 20. As compositoras MC Danny e Marcia Araújo aparecem em duas músicas cada.
Confira aqui o relatório completo com mais informações e o top 100 das músicas mais tocadas no segmento de Shows em 2024.