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O Corecon-AM deu aval à exploração do mineral após indígenas emitirem um relatório de apoio à atividade economica em Autazes

Após pressão dos povos indígenas, o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM) se manifestou favorável à exploração de potássio, utilizado na produção de fertilizantes, no interior do Estado. A decisão foi publicada, por meio de nota, na tarde desta sexta-feira (06). Na semana passada, representantes do Povo Mura se reuniram com o governador Wilson Lima, para apresentar um relatório feito por 12 mil indígenas de 36 aldeias que aceitam a implantação do Projeto Potássio Autazes, em suas terras que ainda estão em processo demarcação.
Os economistas do Corecon-AM afirmam que a exploração do potássio vai gerar milhares de empregos e aumentará a arrecadação de impostos, possibilitando investimentos do Estado em melhorias dos serviços públicos para a população.
“Há ainda a vantagem de possível queda nos preços dos alimentos, uma vez que o preço do fertilizante tende a sofrer redução com o aumento da oferta de potássio, principal matéria-prima utilizada em sua produção”, diz parte da nota.
A pesquisa realizada pela Potássio do Brasil, mineradora que pretende explorar a região, aponta que o município de Autazes possui uma das maiores reservas de potássio a nível global, totalizando mais de 170 milhões de toneladas do mineral. O investimento estimado é de U$ 2,5 bilhões, distribuídos ao longo de 23 anos.
Nova matriz econômica
Os economistas também defendem que a extração do potássio pode se consolidar como uma nova matriz econômica para o Estado. O secretário de Energia, Mineração e Gás do Amazonas, Ronney Peixoto, afirmou a medida representaria um ganho para o Brasil sob o ponto de vista econômico e ambiental.
“O Brasil é produtor mundial de alimentos, a estimativa é que a produção brasileira de alimentos chegue a 1,5 bilhão de pessoas ao redor do mundo. Então a gente tem um impacto global de um projeto que nasce na região de Autazes, no interior do Amazonas. Quando você tem o potássio vindo de outros cantos do mundo para cá, ele vem em navios, que estão queimando combustível e emitindo carbono. Portanto, ter uma produção de potássio aqui no Brasil, é um ganho ambiental”, destacou.
A exploração de potássio no Amazonas é defendida pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckim, que esteve em Manaus essa semana junto com uma comitiva de ministro, para avaliar a dimensão dos impactos da estiagem deste ano.

Benefícios x questão ambiental
Ainda Rooney Peixoto, com a instalação do projeto, os indígenas da região teriam acesso a oportunidades de emprego e benefícios sociais. Para o coordenador geral do Conselho Indígena Mura (CIM), José Cláudio dos Santos Pereira, a implantação do projeto requer um diálogo entre os indígenas e órgãos de fiscalização ambiental.
“Para nós, é muito importante porque isso representa o futuro, o avanço econômico de Autazes e do estado do Amazonas. Mas é importante destacar que o povo mura entende que estamos caminhando juntos com a Justiça Federal e não queremos afrontá-la, entendemos que o Ipaam é o órgão licenciador e que deve dar segmento ao processo”, disse.
O apoio dos povos indígenas acontece após mais de uma década de entraves e batalhas judiciais entre eles e a mineradora, que iniciou a prospecção do minério em Autazes sem realizar a consulta prévia, livre e informada ao povo Mura, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reforçou o entendimento de que a competência para o licenciamento do empreendimento é do órgão ambiental local, e não da esfera federal. O documento anexado aos autos é de 12 de janeiro de 2023.
Projeto
O projeto contempla a implantação de dois poços, cada um com 7 ou 8 metros de diâmetro, uma mina subterrânea localizada a cerca de 800 metros de profundidade, uma planta de concentração de potássio, a reforma de uma estrada de 12 km de extensão, um porto no rio Madeira e uma linha de transmissão de energia, a partir do linhão Tucuruí–Manaus, com aproximadamente 130 km de extensão.
Leia na íntegra a nota publicada pelo Corecon-AM:
“O Conselho Regional de Economia da 13ª Região Amazonas – CORECON-AM, vem a público manifestar apoio à exploração do Potássio no Município de Autazes, no interior do Estado do Amazonas, como alternativa de desenvolvimento econômico e geração de milhares de empregos aos cidadãos do referido município e demais cidadãos amazonense, além de possibilitar a arrecadação de impostos que se reverterão em melhorias dos serviços públicos municipais e estaduais. A exploração do potássio contribuirá também com o desenvolvimento econômico do Brasil, uma vez que possibilitará a redução nos preços dos fertilizantes, vitais para a produtividade do Agronegócio, e consequentemente a redução nos preços dos alimentos consumidos em nossa nação. Não compactuamos com o argumento de que a exploração do potássio poderia causar danos ambientais significativos, pois estamos numa era de avanços tecnológicos que possibilitam a exploração consciente sem impactos negativos ao meio ambiente e à comunidade.”