Eleições nos EUA podem ser motivo para mudança de postura do país com Israel

A explicação para a falta de efetividade de um órgão criado para interferir em situações de conflitos e guerras se dá por falta de vontade política

Brasil de Fato – O Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU) aprovou na segunda-feira (25/03) uma resolução exigindo cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns israelenses.

Entretanto na prática nada mudou na região. Para entender por que de a resolução não ser cumprida e quais as possíveis consequências disso, o programa Central do Brasil, desta quinta-feira (28/03) conversou com Arturo Hartmann, pesquisador de Relações Internacionais e membro do Centro Internacional de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade Federal de Aracaju.

Segundo o especialista, a explicação para a falta de efetividade de um órgão criado para interferir em situações de conflitos e guerras se dá por falta de vontade política.

“O que é necessário depois da decisão é a vontade política de implementá-la, ou seja, Israel teria que parar de atacar a Faixa de Gaza e a assistência humanitária também seria imediata, com o fim dos bloqueios que Israel está impondo a Faixa de Gaza.”

De acordo com o especialista, a decisão do Conselho de Segurança é vinculante, ou seja, os países membros têm obrigação de cumpri-las. No caso do não cumprimento, Israel fica passível de penalização. “A partir do momento que um país mantém a contravenção com a decisão, se abrem várias possibilidades de punir esse país. Pode ser sanção, quebra de relações diplomáticas, ou até a intervenção militar, mas obviamente depende da decisão política de cada país do Conselho de Segurança.”

Hartmann disse ainda que “não há qualquer sinal de negociações, apesar de tentativas do lado tanto do Hamas quanto de Israel, de que os reféns serão libertados”.

Ainda assim, a mudança de postura dos Estados Unidos ao não se posicionar sobre o acordo de cessar-fogo imediato pode significar que existe um consenso da comunidade internacional de que Israel deve encerrar os ataques.

“No ano eleitoral dos Estados Unidos essa questão é muito sensível e apesar da aliança forte política entre Israel e Estados Unidos, a questão dos direitos humanos e dos direitos palestinos começa a aparecer diante da catástrofe absoluta que Israel está produzindo em Gaza. Esse cenário doméstico dos Estados Unidos pode ter mudado, ou pode entrar nos cálculos do governo na hora em que eles permitiram que essa resolução passasse, apesar da aliança que continua extremamente forte”, diz Hartmann.

Caso os ataques de Israel não sejam interrompidos, a perspectiva de mais mortes em decorrência da fome torna-se cada vez mais latente, por conta da dificuldade de entrada de ajuda humanitária. “Vão ter mais mortes do que a gente tem hoje, pode haver uma limpeza étnica, a expulsão dos palestinos de Gaza.”

Ele destaca também que os Estados Unidos vêm dando um sinal de que pode tomar algum tipo de atitude. “O maior aliado, não só o maior aliado, mas quem alimenta financeiramente e militarmente Israel pode estar dando um sinal, ainda que seja muito sutil de que vai tomar algum tipo de atitude.”

A entrevista completa, feita pela apresentadora Luana Ibelli, está disponível na edição desta quinta-feira (28) do Central do Brasil, que está disponível no canal do Brasil de Fato no YouTube.