Escândalo: Roberto Cidade tenta comprar R$ 160 milhões em colchões numa oficina de peças automotivas e R$ 23 milhões em redes numa loja de bebida

Senador Omar Aziz vai acionar os órgãos de controle para que suspendam as atas e evitem o prejuízo ao bolso dos amazonenses

Roberto Cidade disse ser a continuidade do governo Wilson Lima (Foto: Divulgação/Secom)

No último dia 4 de agosto, em seu discurso durante a convenção partidária que oficializou sua candidatura à reeleição, o governador tampão Roberto Cidade (União Brasil) deixou claro em “alto e bom som” que será a “continuidade da gestão Wilson Lima (União Brasil)”, considerada “desastrosa” por muitos amazonenses. Na ocasião, ele não mentiu e, nesta segunda-feira (24/08), Cidade mostrou que de fato vai imitar os passos de Lima, inclusive comprando produtos superfaturados em empresas com outras finalidades dos itens fins desejados pelo Governo do Estado.

Da mesma forma que Wilson Lima comprou produtos médicos – ventiladores pulmonares (respiradores) -, destinados ao tratamento de vítimas da Covid-19 em loja de vinho; Cidade resolveu comprar redes em um empresa de bebidas e colchões em uma oficina especializada no comércio de peças automotivas.

De acordo com documentos obtidos pelo portal Panorama Real, nesta segunda-feira (24/08), o governo do Amazonas registrou duas atas de preços (veja abaixo os documentos), sendo uma em mais de R$ 160 milhões para compra de colchões numa oficina mecânica e a outra de mais R$ 23 milhões numa loja de bebidas.

A ação não passou despercebida. O senador Omar Aziz (PSD) afirmou, em vídeo (veja abaixo) divulgado nesta segunda-feira (24/08), que vai acionar o Ministério Público do Estado (MP-AM, a Polícia Federal (PF) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para investigar essas compras com preços exorbitantes.

“Um governo que não paga os profissionais de saúde, que não paga os fornecedores, está comprando quase R$ 200 milhões de duas empresas que não fornecem isso. Essa RM Comércio de Peças, ela deu entrada numa nota fiscal para poder se credenciar nessa licitação. Fizeram um arranjo e esse arranjo vai pra Polícia Federal, vai pro Ministério Público Estadual. E espero que o Ministério Público Estadual possa investigar esse tipo de brincadeira que se faz com o povo amazonense”, denunciou Omar Aziz.

Entenda as atas registradas pelo governo Cidade
Colchões serão comprados em loja de peças automotivas (Foto: Divulgação)

Conforme os documentos obtidos pela reportagem, a empresa R M Comercio de Pecas Automotivas LTDA, de CNPJ 10.466.439/0001-68, assinou a venda de até 301.180 kits dormitórios (colchão e travesseiro) da marca Pelmex ao preço de R$ 534,00 cada um, totalizando o valor de R$ 160,8 milhões. Numa pesquisa da internet, os preços do colchão podem ser encontrados a partir de R$ 250,00.

Já a empresa Comércio de Alimentos e Bebidas Rio Madeira Ltda, de CNPJ 06.967.150/0001-55, assinou a venda de até 300.410 redes de dormir, ao preço de R$ 78,00 cada uma, totalizando o valor de R$ 23, 4 milhões. Na internet, redes de algodão podem ser encontradas a partir de R$ 25,00.

“Esse dinheiro era para pagar a merenda escolar que não chega para os alunos. Esse dinheiro era para pagar os médicos, os enfermeiros, os auxiliares de enfermagem… Infelizmente a gente tem que fazer essa denúncia porque isso aqui não vai chegar até as pessoas que mais precisam”, ressaltou Omar Aziz.

As duas atas foram assinadas pela vice-presidente do Centro de Serviços Compartilhados (CSC), Andrea Lasmar. “Vou encaminhar isso (as atas) através dos meus advogados ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público Federal, a Polícia Federal, para que investigue essas duas atas de preços que foram homologadas hoje pelo vice-presidente da Comissão de Licitação. O presidente não teve nem coragem de homologar isso”, destacou Omar.

“E eu espero que os órgãos responsáveis desse Estado possam fiscalizar e o Tribunal de Contas mandar suspender imediatamente essa ata. Isso aqui é lesar o bolso do contribuinte e da população do meu Estado”, finalizou Omar Aziz.

Governo cancela atas

Por meio de nota enviada após o surgimento das denúncias, o Governo do Amazonas informou que o governador Roberto Cidade determinou o cancelamento imediato das Atas de Registro de Preços nº 0280/2026-1 e nº 0280/2026-2, decorrentes de pregão eletrônico destinado à aquisição de kits dormitório, compostos por colchão, travesseiro, lençol e fronha, além de redes de dormir.

Segundo o comunicado, “a medida foi adotada para afastar qualquer questionamento sobre a lisura do processo de aquisição, especialmente em relação aos valores registrados”.

“Cabe destacar que os preços obtidos no procedimento licitatório estão abaixo dos praticados no mercado, não havendo, portanto, sobrepreço na aquisição. Os itens integravam o conjunto de materiais destinados às ações de ajuda humanitária executadas pela Defesa Civil do Amazonas”, disse a nota do governo, que informou ainda “que toda a documentação relativa ao processo será encaminhada aos órgãos de controle do Estado”.

Veja a nota do Governo do Amazonas na íntegra:

O Governo do Amazonas informa que o governador Roberto Cidade determinou o cancelamento imediato das Atas de Registro de Preços nº 0280/2026-1 e nº 0280/2026-2, decorrentes de pregão eletrônico destinado à aquisição de kits dormitório, compostos por colchão, travesseiro, lençol e fronha, além de redes de dormir. A medida foi adotada para afastar qualquer questionamento sobre a lisura do processo de aquisição, especialmente em relação aos valores registrados. Cabe destacar que os preços obtidos no procedimento licitatório estão abaixo dos praticados no mercado, não havendo, portanto, sobrepreço na aquisição. Os itens integravam o conjunto de materiais destinados às ações de ajuda humanitária executadas pela Defesa Civil do Amazonas. Por fim, o Governo do Amazonas informa que toda a documentação relativa ao processo será encaminhada aos órgãos de controle do estado.

Demais envolvidos

O portal Panorama Real tentou, mas não obteve sucesso em falar com os representantes das empresas R. M. Comercio de Pecas Automotivas LTDA e Comércio de Alimentos e Bebidas Rio Madeira Ltda, e nem com a vice-presidente do Centro de Serviços Compartilhados (CSC), Andrea Lasmar.

Veja o vídeo do senador Omar Aziz:
Atas de preço; veja documentos

*A matéria foi atualizada para colocar a resposta oficial do Governo do Amazonas

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