Estiagem muda logística e eleva preço do frete em quase 400% no Amazonas

Para não correrem o risco de encalhar ou causar desabastecimento na cidade, os responsáveis pelo setor têm utilizado de outros meios de transporte para arcar com o compromisso

Os navios com até 8 metros de calado já não conseguem navegar com capacidade total (Foto: Cadu Gomes/Vice-presidência da República)

A estiagem severa no Amazonas tem causado impactos devastadores no meio ambiente e na economia do Estado. Com níveis d’água baixando, dia após dia, os navios cargueiros que chegam com alimentos, insumos para o Polo Industrial de Manaus (PIM), combustíveis e demais produtos, estão com dificuldade de chegar à capital amazonense.

Para não correrem o risco de encalhar ou causar desabastecimento na cidade, os responsáveis pelo setor têm utilizado de outros meios de transporte para arcar com o compromisso, mas a iniciativa pode encarecer o valor do frete em até 400%.

A informação foi repassada pelo secretário de Desenvolvimento, Indústria e Tecnologia (Sedecti), Serafim Corrêa, ao Panorama Real. Ele explicou que o nível da água na Enseada do Madeira e na área do Tabocal está em nível crítico, portanto, os navios com até 8 metros de calado já não conseguem navegar com capacidade total. Atualmente, é possível passar apenas as embarcações com até 7 metros de calado.

“Os navios cargueiros correm o risco de encalhar na costa do Tabocal, então, como precaução, os contêineres são descarregados na Vila do Conde, no Pará, e de lá são trazidos em balsas. A medida visa evitar o desabastecimento e não prejudicar o Amazonas. No entanto, com essa medida, há uma elevação na operação logística. O transporte em um container vindo em navio cargueiro, por exemplo custa R$ 7 mil, mas o setor ainda precisa desembolsar mais R$ 28 mil para que as balsas tragam a mercadoria do estado vizinho até Manaus. É um custo muito alto porque o valor do frete se multiplica em até quatro vezes”, destacou Serafim.

Medida

Na seca recorde de 2010, a profundidade do rio ficou abaixo dos 8 metros. Para minimizar os custos com a operação, alguns navios chegam a descarregar apenas uma parte dos contêineres na Vila do Conde e, com menos peso, conseguem chegar até a capital amazonense.

“É uma medida para minimizar os impactos e reduzir ao máximo o sobrepreço por contêiner. Eles trazem a metade e a outra parte que foi desembarcada no Pará vem em balsas. Assim encarece apenas um percentual da carga, evitando que isso seja repassado para o consumidor final”, esclareceu o secretário.

De acordo com a Marinha do Brasil, “a batimetria na foz do rio Madeira e passagem do Tabocal indicam pontos críticos, que embora não impeçam a navegação, representam perigos que devem ser observados para preservar a salvaguarda da vida humana, o meio ambiente e a segurança da navegação”.

Falta de insumos

Questionado sobre a falta de insumos no PIM por conta de um possível estrangulamento na passagem de navios, Serafim Corrêa disse que a Sedecti está em tratativa com as empresas locais para assegurar o abastecimento de insumos e mercadorias para a população em geral e para a Zona Franca.

Serafim Corrêa

“A maioria das empresas aumentou os estoques e estão usando multimodais para cumprir com os prazos de entrega”.

Porto Chibatão

A informação da Sedecti é diferente do que foi anunciado pelo maior porto privado da América Latina, o Porto Chibatão. Por meio de nota, o empreendimento disse que a entrada dos navios na Enseada do Madeira e na área do Tabocal está temporariamente suspensa. Essa medida seria uma decisão da Manaus Pilots, Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia, que é responsável por garantir a segurança da navegação nos rios da região.

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