Família brasileira assassinada por Israel no Líbano era de Foz do Iguaçu

Ghassan Nader foi assassinado junto com a esposa Manal e o filho do casal Ali, de apenas 11 anos (Foto: Divulgação)

A família brasileira que foi assassinada pelos terroristas israelenses, no domingo (26/04), no sul do Líbano, era de Foz do Iguaçu, no interior do Paraná, conforme informações da comunidade libanesa da região. Entre os mortos estão o empresário Ghassan Nader, a esposa dele Manal Jaafar e o filho do casal Ali Nader, de apenas 11 anos. Eles possuíam cidadania brasileira.

A família foi assassinada por Israel na cidade de Burj Qalaouiyah (a 95 quilômetros de Beirute), no distrito de Bint Jbeil, conforme matéria publicada ontem (26/04), com exclusividade pelo portal Panorama Real.

A informação foi confirmada pelo Governo do Brasil, por meio do Itamaraty, nesta segunda-feira (27/04), mas sem a divulgação dos respectivos nomes das vítimas. Porém, o portal Panorama Real verificou que os brasileiros mortos são membros da família assassinada em Burj Qalaouiyah.

Segundo o comunicado do Itamaraty , um outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado.

“É uma notícia muito triste. O Ghassan era uma pessoa educada e querida por todos da comunidade libanesa. Ele era um intelectual que atuava em questões humanitárias e participava ativamente das atividades da colônia libanesa em Foz”, afirmou com exclusividade ao portal Panorama Real o jornalista Ali Farhat, 48 anos, morador de Foz do Iguaçu e amigo de Ghassan Nader.

Segundo Farhat, a família de Ghassan Nader havia deixado o Brasil há mais de dez anos para se estabelecer no Líbano. Porém, o empresário morto ainda possui parentes na cidade paranaense.

“O assassinato deles mostra que ninguém está protegido no Líbano dos ataques israelenses, que não distingue entre militares e civis. Qualquer cidadão pode ser alvo dos massacres israelenses, que querem se vingar de todo mundo no Líbano. Até os cemitérios, os israelenses estão atacando. Eles querem apagar nossa história e a memória do povo libanês”, declarou o jornalista, que também tem origem no sul do Líbano, da cidade de Aadchit.

Farhat disse que Ghassan Nader não tinha envolvimento com grupos militares ou políticos. “Era um cidadão da paz, que gostava de ajudar as pessoas”, concluiu.

Nota do Itamaraty

O governo brasileiro divulgou uma nota, nesta segunda-feira (27/04), afirmando que tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, no domingo (26/04), de um criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de um ataque de Israel.

Segundo o comunicado, um outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado. A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio.

“Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL)”, disse o Itamaraty.

O Brasil pede que as partes envolvidas no conflito cumpram de forma integral os termos da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e à imediata cessação das hostilidades, com a retirada completa das forças israelenses do território libanês.

O Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para prestar assistência consular, incluindo para o filho hospitalizado.

Veja a nota do governo brasileiro na íntegra:

Mortes de brasileiros no Líbano em decorrência de ataques israelenses

O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado. A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio.

Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah. Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.

Nesse contexto, o Brasil exorta as partes ao cumprimento integral dos termos da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e à imediata cessação das hostilidades, com a retirada completa das forças israelenses do território libanês. A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para prestar assistência consular, incluindo para o filho hospitalizado.

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