Para contato geral e envio de pautas:
redacao@panoramareal.com.br
Para contato geral e envio de pautas:
redacao@panoramareal.com.br
Flávio Bolsonaro admitiu que pode disputar a Presidência em 2030, mas que a prioridade é o pai; Jair Bolsonaro

Refugiado nos Estados Unidos para escapar da Justiça brasileira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concedeu sua primeira entrevista desde a fuga. Em um espaço de coworking em Miami, o parlamentar abandonou qualquer ensaio de moderação e recorreu ao surrado repertório conspiratório da extrema-direita: atacou a lisura das urnas, colocou a democracia em xeque e acusou o governo de instaurar um “projeto comunista” no país. Tudo isso sem apresentar uma única prova.
Questionado pela Folha sobre as eleições, o senador admitiu não possuir qualquer evidência de fraude, mas preferiu lançar suspeições infundadas sobre o resultado das urnas, alegando que “nem ele nem Lula” podem confirmar quem venceu. Para justificar a falta de dados que sustentem sua narrativa, afirmou que o tema é “proibido” de ser investigado.
Flávio também alegou que o Brasil vive sob um “processo ditatorial” comandado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A tese, no entanto, esbarra na própria realidade: o TSE é presidido por Kassio Nunes Marques e tem como vice André Mendonça, ambos ministros indicados ao STF pelo seu pai, Jair Bolsonaro.
Apesar da retórica agressiva contra as instituições, o senador adotou uma postura evasiva ao ser questionado sobre os bastidores de sua saída do país. Recusou-se a revelar como financiou a viagem, quem o ajudou a fugir ou onde planeja morar com a família. Afirmou apenas estar vivendo de “reservas financeiras” e admitiu o medo de ser preso caso retorne ao Brasil — gesto que classificou como o “erro” cometido por seu pai ao voltar em 2023.
Entre ataques ao governo e acenos à base radical, o parlamentar confirmou que o PL pretende pedir a cassação da chapa eleita com base em medidas sociais do governo. Sobre o futuro político, mostrou incerteza: admitiu que pode disputar a Presidência em 2030, em eventual concorrência com o governador Tarcísio de Freitas, mas garantiu que a prioridade da família continua sendo a figura de Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente recupere os direitos políticos.
A entrevista foi acompanhada de perto pelo comentarista aliado Paulo Figueiredo. À noite, Flávio seguiu para Mar-a-Lago para se juntar ao irmão, Eduardo Bolsonaro, em um evento da extrema-direita norte-americana.