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Em um verdadeiro ato de genocídio contra um povo inteiro, Israel assassinou e feriu em poucas horas, nesta segunda-feira (23/09), ao menos 2,1 mil pessoas – a maioria civis -, em vários massacres cometidos em todo o território libanês. De acordo com dados atualizados até às 17h30 (horário de Brasília) pelo Ministério da Saúde do Líbano, as agressões israelenses haviam matado 492 pessoas – incluindo 35 crianças e 58 mulheres -, além de deixar 1.645 feridos.
Os alvos civis atacados consistiam de hospitais, casas, prédios residenciais, lojas, estradas, ambulâncias, templos religiosos e até instalações da imprensa, entre outros. Ao menos dez famílias libanesas foram completamente dizimadas.
O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, disse estar em vigor um “plano de destruição” contra seu país e apelou à ONU e aos “países influentes” para “dissuadir” o governo israelense desta “agressão”.
Israel repetiu a mesma estratégia usada para justificar o genocídio na Palestina e afirmou que atacou “apenas alvos do Hezbollah”, uma alegação que pode ser facilmente rechaçada devido ao grande número de civis libaneses assassinados nas últimas horas.
Apesar de apelos da comunidade internacional pela redução das tensões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que responde a um julgamento por genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), optou pela escalada da violência no Líbano, desde a semana passada, quando explosões de pagers e walkie-talkies mataram e feriram mais de 4 mil pessoas em todos o Líbano.
Na última sexta-feira (20/09), bombardeios aéreos de Israel contra bairros residenciais de Beirute mataram e feriram mais de 100 pessoas, incluindo crianças, mulheres e dois comandantes do Hezbollah. Ao menos 13 pessoas continuam desaparecidas por conta deste ataque terrorista israelense.
Civis foram os principais alvos

Militares israelenses afirmam que lançaram mais de 1,1 mil ataques contra alvos no Líbano nas últimas 24h. Por sua vez, o Hezbollah disse ter lançado dezenas de foguetes contra bases israelenses, incluindo os principais aeroportos militares no norte de Israel. Não há relatos de civis mortos entre os israelenses.
Informações extraoficiais davam conta de que os ataques israelenses contra o Líbano estavam sendo realizados a partir de bases aéreas situadas no Chipre
Imprensa atacada
Fadi Boudiya é editor-chefe da Miraya International Network, e estava se preparando para uma entrevista para uma rede de notícias do Iraque quando a explosão ocorreu atrás dele.
Hezbollah
Fundado em 1982 para resistir à invasão israelense no território libanês, o Hezbollah é um dos principais atores políticos do Líbano. Mistura de partido político e guerrilha, o Hezbollah é solidário aos palestinos na Faixa de Gaza e tem entrado em confronto com Israel desde o dia 8 de outubro do ano passado.
Na semana passada, o grupo foi surpreendido quando milhares de pagers e walkie-talkies explodiram remotamente no Líbano. O Hezbollah havia escolhido essas tecnologias obsoletas para evitar rastreamento, mas suspeita-se que o serviço secreto israelense tenha conseguido acesso aos aparelhos e esteja por trás do ataque que matou dezenas e deixou milhares feridos.
Israel diz que os ataques no Líbano “seriam necessários” para permitir a volta da população israelense que deixou suas casas em outubro do ano passado.
Militares de Israel disseram nesta segunda-feira que o número 3 do Hezbollah, Ali Karake, seria um dos alvos dos ataques. O Hezbollah diz que ele não foi ferido.
Retórica
Enquanto milhares de famílias libanesas congestionam as vias de acesso – tentando deixar áreas do sul do país – a comunidade internacional pede pelo fim da espiral de violência.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está “muito preocupado com a escalada da situação e com o grande número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças” no Líbano, declarou seu porta-voz, Stéphane Dujarric, nesta segunda.
O presidente dos EUA, Joe Biden, reiterou nesta segunda-feira que está “trabalhando para conseguir uma desescalada”. Os EUA, no entanto, disseram que vão enviar mais militares para a região, que vão se somar aos quase 40 mil soldados estadunidenses no Oriente Médio. Já a China apelou aos seus cidadãos para que deixem Israel “o mais rapidamente possível”.
Com informações das agências de notícias libanesas, internacionais e do Brasil de Fato