Golpista venezuelana que defende a invasão do próprio país ganha o Nobel da Paz por indicação dos EUA

Corina é aliada de Marco Rubio (Foto: Reprodução/Instagram)

Defensora de golpes e até mesmo da invasão armada do próprio país – a Venezuela -, a líder da extrema-direita venezuelana, María Corina Machado, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 sem nunca ter atuado pela paz. O anúncio foi feito, na manhã desta sexta-feira (10/10), pelo Comitê Norueguês do Nobel, e ocorre num momento em que o governo do presidente Donald Trump tem buscado pretextos para atacar militarmente a Venezuela para derrubar o atual presidente eleito Nicolás Maduro e colocar uma pessoa “fantoche” dos estadunidenses no poder.  

A indicação do nome de Corina ao Nobel da Paz contou com o apoio dos Estados Unidos. Ela foi indicada por um grupo linha-dura de senadores e deputados de extrema-direita do partido Republicano dos Estados Unidos, entre eles, o atual secretário de Estado do governo Donald Trump, Marco Rubio, amigo pessoal da golpista venezuelana.

A escolha de Corina causou surpresa, pois além de não ter feito nada em prol de um mundo com paz, a extremista venezuelana ainda tem um longo histórico de apoio a golpes de Estado, sanções econômicas e até mesmo pedidos de invasão armada contra a Venezuela.

Em abril de 2002, Corina apoiou o golpe de Estado relâmpago que derrubou o então presidente Hugo Chávez por 48 horas naquele ano. Ela foi uma das pessoas que assinaram um documento antidemocrático conhecido como “Decreto Carmona”, em referência ao empresário golpista que se autoproclamou presidente da Venezuela. O documento determinava o fechamento do Congresso, a destituição da Suprema Corte e a suspensão de garantias legais para a população, que não aceitou o golpe e apoiou o retorno de Chávez ao cargo.

Após a derrota do golpe, dois anos depois, Corina buscou apoio internacional para sua ONG, a Súmate. Em 2005, visitou a Casa Branca e se reuniu com o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O encontro gerou repúdio por parte de Caracas, que alegou que, naquele momento, nem o embaixador venezuelano em Washington conseguia uma reunião com o republicano.

A tentativa de mudar o governo à força havia sido apoiada pelo governo de George W. Bush, que reconheceu o golpista Carmona. Dinheiro dos Estados Unidos continuou a financiar a Súmate, que foi investigada pelo governo venezuelano.

Em 2005, Corina foi recebida pelo então presidente dos EUA George W. Bush (Foto: Divulgação/White House)

Em 2010, Corina foi eleita como deputada pelo Estado de Miranda, mas não chegou a terminar o mandato pois foi cassada em 2014, após aceitar um cargo de embaixadora do Panamá na OEA (Organização dos Estados Americanos), violando o artigo 149 da Constituição venezuelana que impede funcionários públicos de aceitar cargos de governos estrangeiros sem a autorização do Parlamento. Segundo ela, o posto oferecido pelo governo panamenho serviria para “denunciar a violência cometida” pelo presidente Nicolás Maduro.

A violência mencionada por Corina se refere às ações policiais contra protestos violentos da oposição, conhecidos como “guarimbas”, desencadeados pelas declarações do candidato derrotado Henrique Capriles em 2013, que não reconheceu a vitória presidencial de Maduro e convocou a população a protestar.

Os protestos ganharam amplitude e foram marcados pela violência dos manifestantes, que incendiaram prédios públicos, atacaram sedes de partidos de esquerda e agrediram trabalhadores. Capriles tentou se distanciar dos distúrbios, abrindo espaço para outros líderes da oposição, incluindo Corina.

As “guarimbas” voltaram a ocorrer três anos mais tarde, em 2017. Os protestos daquele ano, no entanto, duraram mais tempo e se mostraram ainda mais violentos que os de 2014. Segundo a versão do governo, ao menos seis pessoas foram mortas e 23 foram atacadas durante os atos por serem simpatizantes ou apoiadores do chavismo.

‘Governo’ Guaidó e bloqueio

Em 2019, a oposição venezuelana liderada por Corina apoiou a autoproclamação de Juan Guaidó como “presidente interino” do país, seguindo a estratégia de “pressão máxima” do primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As sanções norte-americanas contra a indústria petroleira visavam criar caos econômico e político para forçar a saída de Maduro. Corina apoiou Guaidó durante todo o “interinato” e passou a defender abertamente uma “intervenção militar estrangeira” na Venezuela.

A estratégia defendida por Corina é similar a adotada pela família Bolsonaro, que por meio de Eduardo Bolsonaro influencia a Casa Branca a lançar ataques comerciais contra o Brasil.

“Se a ameaça não for real, o regime não vai ceder”, disse Corina à BBC em 2019. No ano seguinte, em 2020, em uma entrevista à agência alemã Deutsche Welle, a ex-deputada chegou a pedir uma “intervenção militar cirúrgica, que retire Maduro do poder”.

A surpresa causada pela escolha da venezuelana lembra a da União Europeia (UE) em 2012. No ano anterior o bloco havia liderado as forças que derrubaram o governno líbio e mergulhado o país no caos. A UE então passou a endurecer os mecanismos anti-imigratórios para impedir a chegada do mar de refugiados líbios que ajudou a criar.

Presidência e apoio a militares dos EUA

Em 2024, Corina tentou concretizar um sonho antigo: ser candidata à Presidência. Mesmo inelegível desde 2014, a ex-deputada forçou sua candidatura até o último momento possível, para então indicar Edmundo González Urrutia, um político desconhecido, como seu representante no pleito.

A chapa foi derrotada pelo atual presidente Nicolás Maduro, mas alegou fraude eleitoral e foi convocada pela Suprema Corte a apresentar provas em um processo que envolveu todos os candidatos à Presidência daquela eleição. No entanto, nem Corina e nem González compareceram ao tribunal durante o processo.

A opositora segue dando entrevistas pedindo a derrubada de Maduro e chegou a apoiar as recentes mobilizações de tropas estadunidenses no mar Caribe e os ataques a embarcações supostamente vinculadas ao narcotráfico que o governo Donald Trump vem realizando. “Não resta outra opção a não ser forçar a saída de tal regime”, disse Machado durante uma videoconferência na Assembleia das Nações Unidas realizada em setembro.

Com informações das agências internacionais de notícias e do site Brasil de Fato

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