Hezbollah atingirá novos alvos em Israel se ataques a civis libaneses continuarem, alerta Nasrallah

Recado foi dado, nesta quarta-feira (17/07), durante um aguardado discurso proferido por conta do tradicional evento religioso da Ashura

Secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, discursou durante a Ashura (Foto: Reprodução TV)

O Hezbollah atingirá novos alvos israelenses se o regime sionista de Israel continuar a atacar civis no Líbano. O recado foi dado, nesta quarta-feira (17/07), pelo secretário-geral do grupo libanês, Sayyed Hassan Nasrallah, durante um aguardado discurso proferido na região sul da capital libanesa Beirute, no tradicional evento religioso da Ashura, quando os muçulmanos marcam o martírio do Imam Al-Hussein, neto do profeta Muhammad, ocorrido no século VII d.C.

Na ocasião, Nasrallah lembrou que houve um aumento no número de civis assassinados por Israel no Líbano nos últimos dias. Na terça-feira (16/07), cinco civis sírios, incluindo três crianças, foram mortos em ataques israelenses na cidade de Umm Tout, no sul do Líbano. Um dia antes, os agressores israelenses assassinaram outros três civis libaneses – três irmãos da família Dagher, sendo um homem e duas mulheres -, na cidade Bint Jbeil, também, no sul do país.

“Se Israel continuar a atacar civis, a Resistência lançará mísseis contra assentamentos que não foram anteriormente alvejados”, afirmou Nasrallah em um discurso televisionado.

A Unicef, ligada à ONU, condenou o “assassinato de três outras crianças por um ataque aéreo (israelense) enquanto brincavam em frente à sua casa” no sul do Líbano.

Por sua vez, Israel alega que tem atacado apenas “militantes do Hezbollah” no Líbano, ignorando os civis assassinados em seus bombardeios contra o país árabe.

Confrontos

Três crianças sírias foram assassinadas por Israel no sul do Líbano na terça-feira (16/07)

Desde o dia 8 de outubro de 2023, ou seja, um dia depois do ataque “Tempestade de Al-Aqsa” realizado pelo Hamas, Israel e o Hezbollah entraram em confronto na área da fronteira. Mais de 100 civis libaneses foram assassinados pelos agressores israelenses neste período, conforme as autoridades libanesas, além de quase 400 combatentes de vários grupos da Resistência, incluindo quase 300 do Hezbollah.

Pelo lado israelense, os dirigentes anunciaram a morte de 17 soldados e 13 civis, embora haja a suspeita de que o número de militares sionistas que morreram nos confrontos com o Hezbollah seja maior do que 100 mortos.

Por conta dos confrontos, considerados os piores entre as duas partes desde 2006. vilarejos dos dois lados da fronteira registraram níveis elevados de destruição. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah prometeu que as casas destruídas do lado libanês seriam todas reconstruídas e “mais bonitas ainda”.

Ashura

O período anual de luto para relembrar a morte do Imam Al-Hussein – a Ashura -, é muitas vezes um momento para o Hezbollah mostrar o seu apoio popular e poderio militar. Os enlutados vestidos de preto marcham em uma grande procissão, ecoam cânticos tristes e batem no peito, numa prática que pretende evocar a dor sentida por Hussein, seus familiares e companheiros no momento do massacre ocorrido no século VII, na cidade de Karbala, no atual Iraque.

Vários participantes do evento traziam imagens de combatentes do Hezbollah que tombaram na luta contra por Israel. Para manter a segurança, centenas de membros do grupo libanês foram destacados para postos de controle, montados em motocicletas e posicionados em telhados, inclusive com novas armas, incluindo tecnologia que fontes familiarizadas com o assunto disseram que poderiam interferir e derrubar drones.

Neste ano, as tradicionais procissões da Ashura no sul do Líbano foram canceladas devido aos confrontos com Israel.

Tradicional procissão da Ashura foi realizada em Beirute, no Líbano (Foto: Divulgação)

Aumento da tensão e ameaça de destruição de tanques

Nas últimas semanas, aumentaram os receios entre os observadores internacionais de que Israel possa expandir as suas operações militares no Líbano, arriscando uma guerra mais ampla.

Israel disse que planeja realizar os preparativos necessários para uma operação mais ampla, mas nenhuma decisão foi ainda tomada. O Hezbollah disse que não quer a guerra com Israel, mas está pronto para uma eventual escalada do conflito.

Nasrallah advertiu contra uma hipotética invasão terrestre israelense do Líbano, num contexto de escalada das tensões entre o Hezbollah e Israel, após mais de nove meses de intensas trocas de tiros na fronteiras entre as duas partes.

“Se os vossos tanques chegarem ao Líbano, não sofrerão uma perda de tanques, porque não terão tanques”, afirmou Nasrallah, num discurso transmitido pela televisão, ressaltando que uma ameaça de guerra com Israel “não assusta” o Hezbollah.

O Hezbollah integra o chamado “eixo de resistência”, uma coligação liderada pelo Irã de que faz parte também, entre outros, o grupo palestino Hamas e os houthis do Iêmen.

Com informações das agências de notícias internacionais

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