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Candidata a deputada federal afirma que eventos extremos já impactam a população e defende políticas de adaptação climática para o Estado

A liderança indígena Vanda Witoto rebateu a declaração da candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL), que afirmou durante uma sabatina que os períodos de seca e cheia registrados no Estado não caracterizariam uma crise climática. Para Vanda, negar os efeitos das mudanças climáticas na região significa ignorar uma realidade que já atinge diretamente a população amazonense.
“Surreal é o que a gente acaba de ouvir da senhora diante do que nós estamos enfrentando aqui”, afirmou Vanda em vídeo publicado nas redes sociais. “É inadmissível a gente ter uma candidata ao governo do Estado do Amazonas com essa fala, negando as mudanças climáticas na nossa região”, acrescentou a candidata a deputada federal pelo MDB.
Vanda citou o calor extremo, as secas, os incêndios florestais e os impactos sobre os rios como evidências de que o Amazonas precisa tratar a questão climática como uma prioridade de políticas públicas. “Esse calor extremo não é normal. Esse calor extremo que o nosso Estado já vivenciou há dois anos, e está previsto uma das maiores secas da história da nossa região”, declarou.
Dados oficiais mostram que os episódios recentes de seca no Amazonas alcançaram níveis excepcionais. Segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Estado registrou períodos de seca em 100% de seu território entre novembro de 2023 e maio de 2024, por sete meses consecutivos. Em dezembro de 2024, 99% do território amazonense ainda apresentava algum grau de seca, e o Estado registrava a condição mais intensa do fenômeno entre as unidades da Federação.
A dimensão dos impactos também foi observada por pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Um estudo com dados de satélite apontou uma redução sem precedentes na extensão de águas abertas na Amazônia Central durante a seca de 2023/2024. O Rio Negro, em Manaus, chegou ao nível mais baixo registrado em 120 anos.
Para Vanda, os efeitos não são sentidos da mesma maneira por toda a população. Ela chama atenção principalmente para moradores das periferias de Manaus e das comunidades do interior, que enfrentam maiores dificuldades para lidar com calor extremo, falta de água, problemas de navegação e acesso a alimentos e serviços.
“Para quem sempre anda de carro climatizado, para as pessoas que têm suas casas com ar-condicionado, é muito simples relatar essas experiências. Mas quem está dentro dos ônibus sentindo esse calor infernal que está na nossa cidade, as periferias, que não têm árvores, que não têm ar-condicionado, estão sentindo na pele”, afirmou a liderança indígena.
A candidata também relacionou o agravamento dos eventos extremos à necessidade de preparação do poder público. Segundo ela, não basta reagir depois que os problemas acontecem, é preciso construir políticas permanentes de adaptação e segurança para as populações mais vulneráveis.
“Precisamos de representantes políticos que criem um plano efetivo para nós nos adaptarmos, porque essa será uma realidade dura e cruel para quem é mais pobre, para quem é periférico, para quem está nos interiores, para quem está nos municípios que já têm infraestruturas precárias, que não acessam água, que não acessam alimento”, disse.
Vanda defendeu que o debate eleitoral sobre o futuro do Amazonas considere os efeitos concretos desses fenômenos sobre a população. Reconhecer a crise climática é também assumir responsabilidade pela criação de políticas de prevenção, adaptação e proteção social.
“A crise climática é real. E é muito triste ver alguém que está se propondo a ser governadora do nosso Estado não estar preocupada, estar negando que existe a questão climática. Quando você nega, você tira a responsabilidade e o compromisso de fazer esse enfrentamento”, afirmou.
Vanda fez ainda uma referência à trajetória de Maria do Carmo como professora e colocou o debate climático também como uma questão de responsabilidade na formação da sociedade.
“Aqui vamos falar de professora para professora. O que a senhora ensinou hoje é o que a gente não pode fazer enquanto representantes políticos do Estado do Amazonas. Queremos pessoas que assumam compromissos diante das secas, mas efetivamente, criando mecanismos de adaptação, de segurança para as nossas vidas diante dessa questão climática”, concluiu.