Livro que conta a história da capoeira no Amazonas é lançado no Palácio Rio Negro

O livro é uma espécie de dossiê da presença da capoeira no Amazonas e tem como principal relevância a recuperação histórica de dois momentos distintos da capoeira no estado

Um histórico da presença da capoeira no Amazonas está disponível no livro “Capoeira, o Patrimônio Gingado do Amazonas e sua Salvaguarda”, lançado no sábado (02/02), no Salão Solimões (anexo ao Centro Cultural Palácio Rio Negro), durante encontro de capoeiristas para elaborar o Plano de Salvaguarda da Capoeira no Amazonas.

A obra de autoria do secretário executivo de Cultura e Economia Criativa, Luiz Carlos Bonates, e do sociólogo Tharcísio Santiago Cruz, representa um produto de pesquisa de vários anos, nas quais se constatou a presença da capoeira no Amazonas desde 1889, bem como, a sua relação nesse espaço de tempo com as instituições e com a sociedade civil. 

O livro divide a história da capoeira no Amazonas em dois momentos: capoeira das Maltas que era a capoeira sem berimbau, cuja presença era ligada à malandragem e, muitas vezes, ao crime; e a capoeira com berimbau, conhecida como modelo baiano, que está espalhada pelo mundo e é patrimônio mundial e cultural da humanidade.

Para Luiz Carlos Bonates, o mestre KK, coautor da obra, o livro é uma espécie de dossiê da presença da capoeira no Amazonas e tem como principal relevância a recuperação histórica de dois momentos distintos da capoeira no estado. 

“O livro mostra a presença da capoeira desde o século XIX no Amazonas, registrando dois grandes cortes históricos: uma capoeira sem berimbau, que seria a capoeira das maltas, e a outra, a partir de 1972, a capoeira com berimbau introduzido no Amazonas com berimbau do Espírito Santo”, afirma mestre KK, acrescentando que a obra dá apoio ao programa de Salvaguarda da Capoeira do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Salvaguarda da Capoeira

O lançamento do livro se deu no encerramento do encontro que reuniu mestres, contramestres e capoeiristas em geral para a elaboração do Plano de Salvaguarda da Capoeira do Amazonas e eleger os membros do Coletivo Deliberativo da Salvaguarda da Capoeira no estado.

Para a Superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro de Abreu Evanovick, representante do poder público no encontro, o objetivo das ações é avançar em mecanismos de preservação da capoeira no estado do Amazonas e fortalecer ela como patrimônio brasileiro.

“Hoje nós acabamos de aprovar o plano de salvaguarda da capoeira no Amazonas, um esforço coletivo entre os representantes da capoeira e as organizações do poder público lideradas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que reconhece o ofício dos mestres de capoeira e a roda de capoeira como patrimônio cultural brasileiro”, afirmou Beatriz.

Conforme a superintendente do Iphan no Amazonas, o encontro também teve a relevância de eleger um colegiado para tratar da salvaguarda da capoeira no estado. “Além desse esforço de ter um plano de salvaguarda, foi eleito um coletivo deliberativo que vai procurar que cada ação que seja planejada consiga efetividade durante um período de quatro anos”, disse.