Mais de 90% dos mortos por policiais no Amazonas, em 2023, eram negros, diz estudo

Amazonas teve redução de 40,4% no registro geral de casos (Foto: Divulgação/ TJAM)

O Amazonas teve 59 pessoas mortas por policiais durante intervenções no ano de 2023. Desse total, segundo estudo publicado, nesta quinta-feira (07/11), pela Rede de Observatórios da Segurança, 92,6% das vítimas eram negras.

Os dados do boletim Pele Alvo: Mortes Que Revelam Um Padrão, que está na quinta edição, foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) em nove Estados.

O percentual do Amazonas é o terceiro maior do País, atrás somente da Bahia (94,6%) e Pernambuco (95,7%). Após o Amazonas vem o Pará (91,7%), Ceará (88,7%), Rio de Janeiro (86,9%), Maranhão (80%) e Piauí (74,1%). Em último lugar ficou São Paulo (66,3%).

Apesar do percentual do número de negros mortos nas intervenções, o Amazonas teve redução de 40,4% no registro geral de casos. Segundo o estudo, houve mudança na distribuição territorial das vítimas: a maioria das mortes foi no interior do Estado.

Dados do Brasil

O estudo mostra que 4.025 pessoas foram mortas por policiais no Brasil em 2023. Em 3.169 desses casos foram disponibilizados os dados de raça e cor: 2.782 das vítimas eram pessoas negras, o que representa 87,8% do total de mortos em ações policiais.

Para a cientista social e coordenadora da Rede, Silvia Ramos, os números são “escandalosos” e reforçam um problema estrutural do país: o racismo que atravessa diferentes áreas como educação, saúde, mercado de trabalho, mas que tem sua face mais crítica na segurança pública.

“O perfil do suspeito policial é fortalecido nas corporações. O policial aprende que deve tratar diferente um jovem branco vestido de terno na cidade e um jovem negro de bermuda e chinelo em uma favela. A questão é: 99,9% dos jovens negros das favelas e periferias estão de bermuda e chinelo. E todos passam a ser vistos como perigosos e como possíveis alvos que a polícia, se precisar, pode matar”, diz a pesquisadora.

Na análise por Estados, a Bahia é a unidade da Federação com a polícia mais letal, com 1.702 mortes. Esse foi o segundo maior número já registrado desde 2019 dentre todos os Estados monitorados. Na sequência, vem Rio de Janeiro (871), Pará (530), São Paulo (510), Ceará (147), Pernambuco (117), Maranhão (62), Amazonas (59) e Piauí (27).

“O que a gente vê na Bahia é uma escalada. Desde que a Rede começou a monitorar o Estado, houve um aumento de 161% nas mortes. De 2019 a 2023, aconteceu o seguinte dentro da polícia baiana: em vez de coibir o uso da força letal, houve incentivo. Pode ter certeza, não é só porque os criminosos estão confrontando mais a polícia. É porque tem uma polícia cuja ação letal foi liberada”, diz a cientista social. “Se os policiais matam muito, recebem congratulações dos comandantes e incentivos institucionais, a tendência é que tipo de ação violenta seja cada vez mais incentivada”, afirmou Silvia Ramos.

Juventude 

O estudo também destaca que a juventude é a parcela da população mais vitimada pela polícia, principalmente na faixa etária entre 18 a 29 anos. E cita o Ceará como exemplo negativo, onde esse grupo representa 69,4% do total de mortos. Ainda mais grave é o dado que indica que, em todos os estados analisados, 243 das vítimas eram crianças e adolescentes de 12 a 17 anos.

Com informações da Agência Brasil

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