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O ato de solidariedade com o povo palestino, que é vítima de uma campanha de limpeza étnica há 75 anos, teve a participação de vários segmentos da sociedade amazonense

Sob o majestoso Teatro Amazonas, cuja cúpula lembra as paisagens do Oriente Médio, a comunidade árabe de Manaus realizou, nesta quinta-feira (19/10), no Largo de São Sebastião, no Centro, uma manifestação pacífica para pedir o fim da ocupação israelense em todos os territórios palestinos, em particular, na Faixa de Gaza, região com 2,2 milhões de habitantes que sofre um bloqueio total desde 2007 e vem sendo bombardeada há duas semanas consecutivas por Israel. Estima-se que mais de 1 mil crianças palestinas foram assassinadas em 13 dias seguidos de bombardeios israelenses naquela região.
O ato de solidariedade com o povo originário da Palestina, que é vítima de uma campanha de limpeza étnica há 75 anos, foi liderado pela Sociedade Árabe Palestina do Amazonas e pela Juventude Palestina no Estado. Entre os participantes, estavam muitas mulheres e crianças, principais vítimas dos ataques israelenses. Os palestinos e seus descendentes estavam vestidos com trajes típicos árabes, empunhando cartazes e entoando palavras como “Viva a Palestina!” e “Queremos paz!”.

Liberdade
De acordo com a estudante de Medicina, Sâmia Saleh, 21 anos, que é da terceira geração de palestinos no Amazonas, a manifestação foi realizada com o intuito de falar não apenas sobre o que ocorre na Faixa de Gaza, mas para mostrar ao mundo o sofrimento que a Palestina passa há 75 anos, quando começaram os massacres realizados por grupos terroristas de judeus vindos da Europa – como Irgun e Haganah -, para a implantação do Estado de Israel em terras palestinas.
“Queremos denunciar não só os ataques que a população da Faixa de Gaza sofre todos os dias, mas para falar sobre a opressão que vem sendo cometida há 75 anos em toda a Palestina, com a usurpação de suas terras e a violação sistematicamente dos direitos do povo palestino”, afirmou Sâmia, ao destacar que o avô dela, o empresário Ali Saleh, que faleceu em Manaus, onde era dono de uma sapataria, não pôde ser enterrado na cidade dele na Palestina por causa da ocupação israelense.
Já o farmacêutico Farid Omar, 25, ressaltou que o ato representa um pedido pela paz e pelo fim da limpeza étnica na Palestina. “Esse movimento veio pedir a paz para a Palestina. O Estado de Israel raptou os símbolos do judaísmo, como a estrela de Davi, e utiliza falsamente o viés religioso para desviar a atenção para os motivos políticos e coloniais da ocupação da Palestina”, salientou.
Entidades denunciam Apartheid
Conforme grupos dos direitos humanos internacionais, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, as políticas adotadas pelo governo sionista de Israel contra os palestinos é uma forma de Apartheid semelhante aos que supremacistas brancos aplicavam contra a população negra da África do Sul, até 1994.

Apoio popular

A manifestação contou com o apoio de movimentos sociais, comitês populares, sindicatos, centros acadêmicos – como o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) -, associações de professores e estudantis, partidos políticos e o público em geral. Durante o ato, um painel veiculou imagens dos massacres que Israel tem cometido contra os palestinos, sendo o último deles, o ataque contra o hospital Batista Al-Ahli, onde mais de 500 pessoas foram mortas.
“Já tinha estudado sobre o genocídio que Israel comete contra o povo palestino, que está sendo oprimido, mas a mídia não mostra. Então, depois de ver a grande mídia adotar uma postura pró-Israel, a vontade de me informar mais sobre esse assunto se tornou maior. A mídia coloca Israel como ‘herói’, mas sei que não é verdade”, afirmou a estudante amazonense, Luana Souza dos Reis, 20, que preparou um cartaz pedindo a prisão do atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Especialista critica roubo de terras
Para a professora de História da Ufam, Gleice Oliveira, 64 anos, que possui mestrado justamente sobre a questão que envolve a Palestina e Israel, o governo ultrarradical de Benjamin Netanyahu quer anexar novos territórios palestinos. “O que os israelenses querem é se apropriar de todo o território palestino e fazer desaparecer, como num passe de mágica, o povo palestino. É nesse sentido que aparece o Apartheid e a limpeza étnica na Palestina”, declarou.

Emoção
Durante o ato, os manifestantes pediram, por diversas vezes, para que a paz fosse implantada na Palestina e em todo o Oriente Médio. Eles acenderam velas e fizeram orações pelas vítimas dos massacres israelenses. Algumas manifestantes chegaram a chorar.
Um dos momentos mais marcantes, foi quando a criança Mohammad Ayman, 11 anos, fez um pronunciamento no qual leu o nome de crianças palestinas mortas por Israel. Durante o evento, rosas foram distribuídas para as mulheres palestinas. “Chega dessa guerra. Chega desse genocídio. O mundo não aguenta mais ver essa guerra. Se não tem paz na Palestina, não tem paz no mundo”, destacou o empresário Ridwan Ibrahim, 29 anos.


Refugiados e prisioneiros
Desde 1948 até os dias atuais, conforme dados da ONU, o ocupação ilegal de Israel causou 5,6 milhões de refugiados palestinos que estão, hoje, espalhadas pelo mundo, pessoas que tem o seu direito de retorno negado pelo regime israelense. Também, há aproximadamente 5 mil palestinos, incluindo mulheres e crianças, nos cárceres de Israel, que comete abusos e torturas contra essas pessoas.