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Intolerância religiosa e ataques racistas aumentaram com a guerra no Oriente Médio. Deputada bolsonarista, Carla Zambelli publicou foto retratando palestinos como ratos, imitando a mesma retórica usada pelos nazistas contra judeus

O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou, na sexta-feira (10/11), durante visita a Manaus, que o governo brasileiro não concorda com o crescente discurso de ódio que se originou contra árabes e pessoas de fé muçulmana do Brasil em função dos conflitos recentes no Oriente Médio. Segundo ele, o governo brasileiro tem procurado combater a intolerância religiosa e a xenofobia, destacando que árabes, muçulmanos e judeus convivem de forma pacífica em território brasileiro.
“O presidente Lula e o chefe da diplomacia brasileira tem adotado uma posição acertada de lutar pela paz, pela negociação e pela defesa dos direitos humanos. O nosso governo não concorda e combate, inclusive com ações policiais, todos os discursos de ódio contra todas as comunidades porque elas vivem em paz no Brasil. As comunidades judaicas, árabes e muçulmanas vivem em paz no Brasil”, afirmou Dino Flávio em entrevista exclusiva para o portal Panorama Real.
Preocupação
A falta de um combate mais efetivo contra o discurso de ódio direcionado para as comunidades árabes e muçulmanas no Brasil tem preocupado as lideranças desses grupos, que vêm sofrendo com ataques constantes, principalmente com o aumento da guerra no Oriente Médio. Mesmo quem não tem nada a ver com o conflito tem sido alvo de intolerância religiosa, xenofobia e fake News.
Os ataques ocorrem de forma mais visível em redes sociais, como o Instagram, Facebook e YouTube, sem que os conteúdos racistas e criminosos sejam removidos e os autores das postagens punidos.
Carla Zambelli
O caso mais emblemático, até agora, foi o da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que postou em uma rede social uma ilustração com um claro incitamento ao extermínio de palestinos.
A postagem feita por Carla Zambelli, no último dia 2 de novembro, retrata palestinos como ratos, configurando-se em uma peça flagrante de racismo e discurso de ódio contra os palestinos, além de fazer alusão à estética de propaganda nazista, que usava do mesmo discurso contra judeus.
Ministério Público
A atitude racista de Carla Zambelli gerou reação da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), que protocolizou, no último dia 8 de janeiro, uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de infração penal e responsabilização criminal da deputada federal bolsonarista.
De acordo com Nasser Judeh, advogado e Diretor Jurídico da FEPAL, a representação de um rato com uma bandeira palestina sendo “capturado” por uma águia que simboliza o Estado de Israel caracteriza discurso de ódio, racismo e incentiva o extermínio do povo palestino, e também remete diretamente à propaganda nazista odiosamente usada contra judeus durante o Terceiro Reich e a Segunda Guerra Mundial.
“Desumanização”

Por sua vez, o presidente da Fepal, Ualid Rabah, afirmou que a deputada federal tem sido persistente na desumanização do povo palestino, assim como de todos os árabes.
Para Rabah, a postura de Zambelli é “clara defesa do genocídio, o que é crime de lesa-humanidade, ou seja, não apenas contra o povo palestino, mas contra toda a humanidade, portanto, contra o povo brasileiro também”. O dirigente brasileiro-palestino ressaltou, ainda, que a deputada opta por “defender um regime de Apartheid, outro crime de lesa-humanidade”, razão pela qual precisa responder por estes “crimes horríveis”.
Coach chama crianças mortas de “bonecas”
Outro caso que causou ultraje foi o do empresário e coach goiano, Pablo Marçal, que negou a existência de crianças palestinas mortas na Faixa de Gaza em uma de suas palestras.
Na ocasião, Marçal afirmou que as crianças assassinadas por Israel são “bonecas”, ou seja, elas não são reais, embora a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheça que pelo menos 4,5 mil crianças palestinas tenham sido assassinadas nos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza.
Além disso, o coach, que tem 6,6 milhões de seguidores no Instagram, afirmou, no mesmo vídeo, que os ataques israelenses que atingiram locais civis, como hospitais e escolas, eram “cirúrgicos”, num claro deboche a dor dos palestinos.