Motoristas criticam reajuste abusivo no preço dos combustíveis em Manaus

Preço do etanol subiu R$ 0,50 por litro sem justificativa, diz Procon (Foto: Anwar Assi/Panorama Real)

Motoristas criticaram o aumento abusivo registrado, na segunda-feira (10/02), nos postos de combustíveis de Manaus. Enquanto em cidades do restante do país, a alta, por exemplo, no valor da gasolina foi de R$ 0,10 por litro, na capital amazonense, o reajuste verificado foi três vezes maior, ou seja de R$ 0,30, passando de R$ 6,99 para R$ 7,29 na maioria dos estabelecimentos da região.

Por sua vez, o diesel subiu R$ 0,06, além do reajuste de R$ 0,22 nas refinarias do Brasil. Já o etanol foi o que mais sofreu elevação, saindo de R$ 4,99 para R$ 5,49, aumento de R$ 0,50, apesar de haver uma decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) voltada somente para o reajuste dos preços da gasolina e do diesel. “Portanto, na bomba, o etanol também ficou mais caro para o consumidor sem qualquer justificativa”.

O aumento nos preços dos combustíveis gerou críticas dos consumidores. A industriaria Lilian Grace Leão, de 32 anos, se surpreendeu ao ver os novos valores. “Eu estava viajando no momento do reajuste. Vi que fora do Estado também houve o aumento, mas muito menor do que foi determinado aqui. Eu me surpreendi ao ver uma gasolina tão cara desse jeito”, reclamou.

O motoristas de aplicativo Thiago Granjeiro, 34 anos, também, está insatisfeito com o aumento nos preços dos combustíveis, produto necessário para desenvolver seu trabalho. Ele até já pensa em abandonar a atividade.

“Desde que fiquei desempregado, passei a rodar com o meu carro para não ficar sem dinheiro. Até que conseguia me manter, só que com muito sacrifico. Agora a situação piorou, a gente está pagando para trabalhar. Gastando muito com combustível e manutenção do veículo, não sobrando quase nada para a renda. Não está fácil continuar no aplicativo. Terei que voltar para o mercado de trabalho”, avaliou.

Queda no consumo

Por sua vez, a frentista de um posto de combustíveis na avenida Desembargador João Machado, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste da cidade, e que preferiu não se identificar, contou à reportagem do Panorama Real, que desde a aplicação do novo preço passou a ser administrado nas bombas, o movimento no estabelecimento caiu consideravelmente.

“A movimentação aqui era maior, mas desde que teve o reajuste os motoristas estão vindo menos. O dono do posto até reclamou e estava pensando em reduzir um pouco o preço por conta própria. O movimento caiu mais de 40%”, disse.

Mesmo com incentivos, Atem não reduz preço

O aumento no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por parte dos Estados, desde o último dia 1° de fevereiro, foi o pretexto que os postos de combustíveis do Amazonas precisavam para elevar os preços desses produtos de forma abusiva no Estado.

O Grupo Atem, que administra a Refinaria da Amazônia (Ream), tem tabela de preço própria e não acompanha as variações determinadas pela Petrobras desde que foi privatizada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, no final de 2022. A empresa, também, ainda recebe incentivos fiscais.

O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindpetro-AM), Marcus Ribeiro, chegou a alertar que enquanto o Grupo Atem ganha incentivos, a população não vê o preço dos combustíveis baixarem.

“Por mais que os impostos sejam uma fonte importante de arrecadação para que os Estados tenham condições de financiar custos de saúde, educação ou outros investimentos públicos, é uma palhaçada ver o governador amazonense aumentar o ICMS, ao mesmo tempo que certos políticos atuem para reduzir os impostos do Atem. Ou seja, você paga mais impostos, o Grupo Atem não paga nada e ainda aumenta o preço dos combustíveis”, disse ele em vídeo publicado na rede social do Sindpetro-AM.

A Secretaria de Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM) informou que não há ação para redução da alíquota sobre os combustíveis, pois a definição da tributação é de competência nacional, ocorrendo por meio de consenso entre os estados no Confaz.

Preço abusivo e preocupação
Com preço tabelado, os postos começaram a sentir a diminuição no número de motoristas abastecendo essa última semana (Foto: Bruna Souza/Panorama Real)

A Região Norte registrou os maiores preços da gasolina comum no país, segundo a pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O Amazonas tem ainda uma particularidade. O Sindicato dos Petroleiros têm manifestado preocupação com o futuro da Ream.

Segundo eles, além de praticar o preço mais caro dos combustíveis no Brasil, o grupo Atem tem planos para a interrupção permanente das operações de refino, transformando-o em apenas um terminal de apoio logístico. Isso encarece ainda mais o preço dos combustíveis ao consumidor final.

Fiscalização

Uma ação de fiscalização em postos de combustíveis foi realizada, na segunda-feira (10/02), em Manaus. A operação investiga o aumento repentino e abusivo no valor do litro dos combustíveis.

Segundo o diretor-presidente do Procon-AM, Jalil Fraxe, a operação visa assegurar a transparência e a proteção dos diretos dos consumidores.

“É importante destacar que essa luta é constante nos últimos anos, a população amazonense não aguenta mais essa injustiça. Nós estamos fazendo os autos de infração, já somamos mais de 10 milhões em multas nesse mercado de combustíveis e isso por si só não tem sido suficiente, então é preciso que a gente crie mecanismos de combater esses abusos”, afirmou.

A fiscalização mira um possível abuso no valor do aumento aplicado no litro do combustível e que notas fiscais estão sendo cobradas de administradores dos postos para que se justifique a composição do preço final repassado ao consumidor.

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