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Órgão aponta que Petrobras omite plano de perfurar outros poços e questiona falta de dados das pesquisas sísmicas

Em duas recomendações enviadas, na sexta-feira (13/02), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Petrobras, o Ministério Público Federal (MPF) pede a suspensão imediata do licenciamento de pesquisas sísmicas e exige mudanças na metodologia da análise de impacto para exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Os procuradores, que assinam os documentos, questionam ainda a forma como estão sendo conduzidos os processos que escondem “os verdadeiros riscos socioambientais da exploração de petróleo na região” e apontam contradição entre o que a Petrobras diz à sociedade e o que ela planeja tecnicamente.
Segundo o MPF, a Petrobras aborda, em seus comunicados, a perfuração de apenas um poço (chamado Morpho), mas em um cronograma atualizado apresentado pela empresa, os estudos ambientais já preveem a perfuração de outros três poços no mesmo bloco, entre 2027 e 2029, o que “mascara o impacto total da obra”.
A outra recomendação foca na pesquisa sísmica — um método que usa canhões de ar comprimido para emitir pulsos sonoros potentes e mapear o petróleo no fundo do mar. O MPF identificou que o licenciamento dessas pesquisas está avançando sem dados primários e aponta pareceres técnicos do Ibama atestando que a Petrobras não apresentou o diagnóstico do meio ambiente como foi exigido.
Por fim, o MPF contesta o uso frequente do argumento de “defesa do interesse nacional” e “independência energética” para acelerar as licenças. Os procuradores apontam que o uso da “soberania” como justificativa é contraditório, pois o controle do recurso natural é entregue ao capital internacional, enquanto os custos ambientais operacionais e os riscos são das comunidades locais e do ecossistema brasileiro.
Para garantir a segurança das populações e do meio ambiente, o MPF fez pedidos específicos:
Ao Ibama:
À Petrobras:
Há uma semana, o Ibama multou em R$ 2,5 milhões a Petrobras pelo vazamento em perfuração no mar na Bacia da Foz do Amazonas ocorrido no último 4 de janeiro. O derramamento do fluido ocorreu a 175 quilômetros do Amapá, na Margem Equatorial brasileira.
*Com informações do MPF