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Para ONU, países precisam tratar o El Niño como o alerta climático urgente

A agência meteorológica das Nações Unidas fez um alerta, nesta terça-feira (02/06), de que o mundo poderá testemunhar já nos próximos meses a ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta por causa do El Niño. De acordo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno deve ser tratado como um alerta climático urgente.
Conforme avaliação atualizada, a OMM informou que há 80% de probabilidade de ele se estabelecer entre junho e agosto, com chances próximas ou superiores a 90% de ele persistir até pelo menos novembro. Caso esse alerta se concretize, o mundo poderá enfrentar ao menos cinco meses de altas temperaturas, com risco aumentado de estresse térmico e de desenvolvimento de condições climáticas extremas, como secas severas e intensa precipitação.
“As condições climáticas adversas colocarão mais lenha na fogueira de um mundo em aquecimento. Os impactos serão ainda mais fortes, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. A única resposta eficaz é uma ação climática equivalente à crise – acabar com o vício em combustíveis fósseis, acelerar a transição para as renováveis, proteger os mais vulneráveis e fornecer sistemas de alerta precoce para todos.” disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua declaração em vídeo.
Ainda há incertezas sobre a intensidade do fenômeno e o momento em que ele chegará a seu pico, mas, segundo a OMM, a maioria dos modelos de previsão sugere que o El Niño será, “no mínimo, moderado – e possivelmente forte”.
Apesar das dúvidas ainda existentes, a orientação da OMM é para que os países se preparem para o fenômeno de grande intensidade.
“A comunidade da OMM monitorará atentamente as condições nos próximos meses para subsidiar a tomada de decisões por governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima”, afirma a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar os impactos em nossas economias e comunidades”, completa.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) também enfatiza a necessidade de preparação para eventos extremos, mesmo sem a certeza de um El Niño muito forte. Em 19 de maio, o órgão enviou uma nota técnica ao governo federal com informações sobre os possíveis impactos no Brasil e recomendações de ação.
O que é o El Niño
O El Niño é marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais em partes do Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre, em média, a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e doze meses.
Geralmente, começa a se desenvolver entre março e junho, atingindo o pico entre novembro e fevereiro. A OMM destaca que os impactos sobre as temperaturas globais tendem a ser mais intensos no segundo ano de desenvolvimento.
Em geral, o El Niño está associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, regiões do Chifre da África e Ásia Central. Já condições mais secas tendem a predominar na América Central, norte da América do Sul, Caribe, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.
Com informações do Observatório do Clima