‘Não é justo que o povo do Amazonas continue isolado’, defende Wilson Lima na COP-28

Declaração do governador vem logo depois da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ser homenageada pelo presidente Lula no evento

Wilson Lima defendeu a recuperação da BR-319 durante a COP-28 (Foto: Diego Peres / Secom)

Dentro da agenda da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nesta segunda-feira (04/12), o governador Wilson Lima defendeu o fim do isolamento do Amazonas com o destravamento efetivo da rodovia BR-319.

“Não se pode construir uma imagem de protetor da floresta colocando nossa população de joelhos. Não é justo que o povo do Estado do Amazonas continue isolado do restante do Brasil. E nós não vamos permitir que impeçam que a gente tenha contato com o restante do país por estrada. A COP é uma oportunidade para a gente mostrar que é importante proteger a floresta, é importante proteger os recursos naturais que nós temos, mas, acima de tudo, que é necessário combater a pobreza, é necessário promover desenvolvimento social, é preciso proteger as pessoas. Porque se nós não protegermos as pessoas, a gente não vai conseguir cumprir a nossa meta do desenvolvimento sustentável”, disse.

Homenagem

A declaração de Wilson Lima vem logo depois da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ser homenagada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro dia da conferência.

“Eu acho que esse encontro de hoje é sem precedente da história das COPs. Vinte e oito edições da COP para que pela primeira vez a floresta viesse falar por si só. E eu não poderia usar a palavra sobre a floresta se tenho no governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. E acho que é justo que para falar da floresta, em vez de falar o presidente que é de um Estado que não é da floresta, a gente ouça ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que estamos fazendo no Brasil”, disse o presidente na ocasião ao dar espaço para Marina Silva discursar na COP-28.

BR-319 para passear?

Na semana passada, a ministra foi duramente criticada pelas autoridades amazonenses após ela, durante depoimento à CPI das ONGs, no Senado Federal, na semana passada, minimizar o pleito pela revitalização da BR-319 ao afirmar que a rodovia não pode servir apenas “para passear”.

“É uma estrada difícil de provar a viabilidade econômica, a viabilidade social, não tenho dúvidas que as pessoas querem ter o direito de ir e vir, mas a viabilidade econômica e ambiental, a não ser que seja para converter as áreas de mais de 400 quilômetros de floresta virgem em outro tipo de atividade. Socialmente a gente até entende, agora ambientalmente e economicamente, não se faz uma estrada de 400 quilômetros no meio de floresta virgem apenas para passear de carro, se não tiver ação associada a um projeto produtivo”, disse.

O governo federal criou, no último mês de novembro, um grupo de trabalho para apresentar propostas de soluções técnicas que viabilizem a estrada. A equipe é composta por integrantes de secretarias executivas do Ministério dos Transportes, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Infra S.A.

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