Nova guerra no Oriente Médio matou mais de 6,5 mil pessoas e já causou 1 milhão de refugiados em 15 dias

Palestina tem maior número de mortos, seguida por Israel, Líbano e Síria

Mulheres e crianças palestinas representam a maioria dos mortos na Faixa de Gaza (Foto: Divulgação)

Mais de 6 mil pessoas morreram em 15 dias da nova rodada da guerra no Oriente Médio, desencadeada no último dia 7 de outubro, após o braço armado do grupo palestino Hamas lançar a “Operação Tempestade Al-Aqsa” contra a Israel, que impõe, desde 2007, um bloqueio total na Faixa de Gaza, território com uma população de 2,2 milhões de habitantes. 

A maioria das vítimas fatais é da Palestina, seguida por Israel, Líbano e Síria, que registrou a morte de um civil após bombardeios israelenses atingirem o aeroporto da capital Damasco, neste domingo (22/10). Israel atacou ontem, também, o aeroporto de Alepo, no norte da Síria. As agressões israelenses danificaram as pistas e colocaram ambos fora de serviços, segundo informações das autoridades sírias.

Massacre de crianças

De acordo com números oficiais do Ministério da Saúde da Palestina, divulgados nesta segunda-feira (23/10), os ataques israelenses já mataram 5.087 palestinos, sendo que, deste total, mais de 2.055 são crianças e 1.119 são mulheres. O número de feridos é de 15.273 pessoas. Segundo as autoridades de Saúde, relatos dão conta de que há 1,5 mil palestinos desaparecidos sob os escombros causados pelos ataques israelenses, sendo 830 crianças.

Pelo lado de Israel, o governo afirmou que foram registradas mais de 1,4 mil mortes, sendo 308 militares. Os oficiais israelenses não revelaram o número exato de feridos até o momento.

Conforme relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado, no sábado (21/10), mais de 18 mil pessoas foram feridas, sendo a maioria de palestinos. Mais de 1 milhão de pessoas, a maior parte na Faixa de Gaza, foram forçadas a deixar as próprias casas por conta do conflito. 

Confrontos na fronteira

No Líbano, o número de mortos chega a 29 pessoas, incluindo 25 combatentes do Hezbollah, quatro civis libaneses, sendo um deles, jornalista Issam Abdallah, que era correspondente da Reuters. Ele foi morto após um ataque de Israel atingir um grupo de jornalistas que cobria os confrontos na fronteira no último dia 13 de outubro.

Jornalistas

Jornalista libanês Issam Abdallah, era correspondente da Reuters

De acordo com o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), 22 jornalistas foram mortos na cobertura da atual escalada de violência no Oriente Médio. Segundo a organização sem fins lucrativos que defende direitos dos jornalistas em todo o mundo, 18 eram palestinos, três israelenses e um libanês. Outros oito foram feridos e três estão desaparecidos.

“Os jornalistas de toda a região estão fazendo grandes sacrifícios para cobrir este conflito doloroso”, disse Sherif Mansour, coordenador do programa do CPJ para o Oriente Médio e Norte de África. “Todas as partes devem tomar medidas para garantir a segurança deles”, afirmou em nota.

“Operação Tempestade Al-Aqsa”

No último dia 7 de outubro, o braço armado do Hamas, “Izzedin Al-Qassam,  lançou uma grande ofensiva contra Israel intitulada “Operação Tempestade Al-Aqsa”. Em aparição pública, o líder militar do grupo palestino, Mohammed Deif, afirmou que a tinha o propósito de “acabar com a última ocupação na Terra”, as constantes agressões contra a Mesquita de Al-Aqsa, considerada uma das mais importantes para os muçulmanos, e dar uma resposta para por fim ao bloqueio imposto por Israel aos palestinos da Faixa de Gaza, que já dura 16 anos.

O Hamas informou ter lançado 5 mil foguetes no início do ataque, conforme notícias de agências internacionais. Em seguida, os combatentes palestinos avançaram por terra, rompendo o muro que separa a Faixa de Gaza das colônias israelenses ao redor do território palestino. O Hamas afirmou ter capturado vários israelenses, incluindo 210 militares.

Troca de prisioneiros

Segundo analistas, o grupo deverá usar os capturados israelenses numa troca para libertar quase 5 mil prisioneiros palestinos, incluindo mulheres e crianças, que estão, atualmente, em cárceres de Israel. De acordo com entidades de direitos humanos, esses detidos palestinos sofrem abusos e torturas, e muitos deles estão presos sem nenhuma acusação.

*Com informações das agências internacionais de notícias

*Matéria atualizada às 7h35 de 23/10/23

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