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O veterano ator Daniel Dantas, 70 anos, que fez uma breve participação em “Ainda estou aqui”, filme brasileiro que recebeu três indicações para o Oscar – prêmio mais importante do cinema nos Estados Unidos -, afirmou, durante passagem por Manaus, que está na torcida para que a película nacional e a atriz Fernanda Torres vençam a premiação mais famosa da indústria cinematográfica do mundo.
Porém, ele destacou que Brasil não precisa do Oscar ou dos Estados Unidos para que as pessoas entendam a grandeza e quão valoroso é o cinema brasileiro.
“O mais legal, talvez, dessa indicação é fazer uma galera – que só consegue entender o quanto o Brasil é grande quando alguém de fora diz que o Brasil é grande – entender o quão grande a gente é. A gente não devia precisar de americano nenhum. O brasileiro não tem ideia (por exemplo) de como o teatro brasileiro é visto no mundo. Pergunte a própria Fernanda (Torres) como foi fazer (a peça) ‘Orlando’ no mundo inteiro. O que significa o teatro brasileiro no mundo. A gente não precisa que venha nenhum americano nos dizer o quanto a gente vale. Agora vai ter uma galera que só vai entender quando alguém brasileiro aparecer com um Oscar na mão”, disse o artista.
As declarações de Daniel Dantas foram concedidas, exclusivamente, ao portal Panorama Real durante a passagem do ator por Manaus, onde encenou a peça “Ilíada”, juntamente com a atriz Letícia Sabatella, no palco do Teatro Amazonas, entre os dias 14 e 16 de fevereiro. Na ocasião, a plateia que escutava a entrevista aplaudiu intensamente a resposta do ator.
No filme “Ainda estou aqui”, Daniel Dantas aparece em poucas cenas para interpretar o jornalista e político Raul Ryff, amigo do ex-deputado Rubens Paiva, personagem principal da trama dirigida pelo diretor Walter Salles.
Indicações ao Oscar
No sábado (15/02), o filme alcançou 5 milhões de espectadores, puxado pela expectativa em relação ao Oscar, conforme dados divulgado pela Sony Pictures. Nos Estados Unidos, “Ainda estou aqui” já arrecadou a marca de US$ 1 milhão ( (em torno de R$ 5,87 milhões).
Roteiro

“Ainda estou aqui” é um filme baseado em uma autobiografia, de mesmo nome, escrita por Marcelo Rubens Paiva. A trama retrata o desaparecimento do político Rubens Paiva, pai de Marcelo Rubens Paiva, durante a ditadura militar brasileira.
O foco da trama é Eunice Paiva. Casada com Rubens Paiva e mãe de cinco filhos, ela passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso, torturado e assassinado por agentes da ditadura.
Atriz fala da importância do filme
Para a atriz Letícia Sabatella, o filme ‘Ainda estou aqui” tem uma importância grande não somente porque foi indicado ao Oscar, mas por retratar uma triste realidade de um “passado sombrio” da história do Brasil, que não deveria mais se repetir.
“O filme fala de um mundo que a gente não pode negar o que aconteceu e nem pode repetir o passado sombrio. A gente não pode apagar a vida e devemos fazer jus as pessoas que sofreram (na ditadura militar). Tem ocasiões que não podemos passar por cima da memória das pessoas”, afirmou Letícia Sabatella ao portal Panorama Real. Ela revelou que, também, está na torcida pela vitória do filme “Ainda estou aqui”. “Acho que vai ganhar”, completou a artista.