Papa Leão XIV pede fim da violência contra palestinos e defende ‘solução de dois Estados’

Pontífice faz apelo por paz e destaca ataques de colonos militantes na região ocupada

Papa pediu o fim da violência contra os palestinos na Cisjordânia (Foto: Vaticano News)

O Papa Leão XIV pediu, após o Angelus deste domingo (16/08), o fim “dos repetidos atos de violência contra a população palestina”, principalmente na Cisjordânia Ocupada, onde os moradores nativos da região estão ameaçados de extermínio por parte dos invasores judeus. A informação foi divulgada pelo site Vaticano News.

Na mesma ocasião, o líder cristão pediu avanços na implantação de uma solução que resultasse no estabelecimento de dois Estados, sendo um palestino e outro para os israelenses.

“Renovo o meu apelo para que cessem as repetidas violências contra a população civil palestina na Cisjordânia e peço com urgência à comunidade internacional que faça em modo que progrida a solução de dois Estados, para uma paz justa e duradoura”, disse Leão XIV.

A violência dos colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada atingiu níveis recordes, registrando um aumento alarmante de episódios marcados por invasões, destruição de propriedades e agressões físicas com o objetivo de deslocar comunidades locais.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) e de entidades de direitos humanos apontam que a Cisjordânia vive um “ponto de ruptura” humanitário, agravado por ações coordenadas de grupos extremistas judeus.

Violência de invasores judeus cresce na Cisjordânia

A população da Cisjordânia tem sofrido com os constantes ataques ilegais de colonos israelenses, que cresceram mais de 63% apenas no primeiro semestre, superando as marcas históricas anteriores. Autoridades registraram mais de 3,4 mil incidentes violentos, incluindo incêndios provocados em veículos, oliveiras e residências.

No vilarejo de Qusra, perto de Nablus, na Cisjordânia, Estado da Palestina, colonos judeus continuam bloqueando as casas de moradores do povoado. O cerco já dura uma semana.

Seis moradores de duas famílias estão confinados em suas casas há dias, bloqueados por postos avançados de colonos israelenses, privados até mesmo de comida e água.

A tentativa de restabelecer a eletricidade

Uma equipe da prefeitura de Qusra foi atacada, no último sábado (15/08), por um grupo de colonos israelenses enquanto se dirigia à casa da família Abu Rida no vilarejo para restabelecer a rede elétrica, após ter sido danificada por colonos no início da semana.

Segundo a agência de notícias palestina Wafa, apesar do bloqueio militar da área pelas forças de ocupação israelenses, um grupo de 15 colonos voltou a se aproximar de uma das casas dos palestinos.

De acordo com fontes internacionais, entre as casas afetadas pelo cerco está a de Loui Ridi, um cidadão palestino-estadunidense, cuja família relatou que o fornecimento de água e eletricidade foi cortado e que eles não podem sair de casa por medo que o imóvel seja atacado.

O aumento constante da violência
Colonos judeus em territórios palestinos são protegidos pelas tropas de ocupação de Israel (Foto: Agência Anadolu)

“Todos os dias recebemos notícias de violência cometida por colonos contra povoados palestinos. Este último caso é um exemplo entre outros”, afirmou o vigário geral do Patriarcado Latino de Jerusalém, dom William Shomali, a descrever a situação à Agência SIR.

O prelado sublinhou que, apesar da retirada parcial dos colonos, a situação continua instável. “Mesmo que os colonos tenham se retirado das imediações da casa, eles permanecem na colina próxima e podem regressar a qualquer momento”.

Para o vigário do Patriarcado Latino, a solução passa por um compromisso renovado da comunidade internacional. “Para pensar numa saída que garanta aos palestinos o respeito pelos seus direitos, o direito internacional deve ser fortalecido, dando mais força às Nações Unidas e ao Conselho de Segurança”. O pedido surge num momento em que cresce o alarme sobre o aumento dos incidentes de violência perpetrada pelos colonos na Cisjordânia.

Segundo as Nações Unidas, até o final de junho, em torno de 2,2 mil palestinos foram deslocados na Cisjordânia por causa da violência dos colonos ao longo deste anos de 2026. Relatórios da organização israelense Yesh Din apontam que cerca de 91% das investigações de crimes de colonos contra palestinos são arquivadas sem condenação.

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