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O Itamaraty declarou que está em busca de informações sobre os brasileiros que estavam nos barcos

Protestos eclodiram, nesta quinta-feira (02/10), em várias partes do mundo, especialmente na Europa, para denunciar o ataque de Israel contra os barcos que faziam parte da flotilha internacional que tentava levar ajuda humanitária para a população da Faixa de Gaza. Além das manifestações de rua, a agressão israelense desencadeou uma onda de condenações por parte de vários países – incluindo o Brasil -, e até retaliações diplomáticas.
A interceptação ilegal dos barcos ocorreu em águas internacionais por militares israelenses, que levaram à força os participantes da Global Sumud Flotilla – incluindo brasileiros -, para Israel, impedindo que os ativistas pudessem entregar a ajuda humanitária para os moradores do território palestino.
Na França, os manifestantes se reuniram na histórica Place de la Republique, em Paris, para denunciar o ataque. Carregando bandeiras palestinas, a multidão gritava slogans como “Fora Israel, a Palestina não é sua” e “Vida longa à Palestina”. Eles exigiram a libertação de ativistas da flotilha, entre eles cidadãos franceses, que permanecem sob custódia israelense.
Na Bélgica, centenas de pessoas se reuniram em Bruxelas em frente ao Ministério das Relações Exteriores em um protesto organizado por vários grupos da sociedade civil. Os manifestantes marcharam sob o lema “Todos os olhos em Gaza”, agitando bandeiras palestinas e usando keffiyehs como símbolo de solidariedade. O protesto se deslocou do Ministério das Relações Exteriores para a Praça Luxemburgo, em frente ao Parlamento Europeu, onde a multidão gritava “Palestina Livre”, “Solidariedade com a Palestina” e “Liberdade para Gaza”. Os manifestantes instaram as instituições belgas e da UE a intensificarem o apoio à flotilha e ao povo palestino.
Na Espanha, manifestações de solidariedade ocorreram em 24 grandes cidades, lideradas por grupos da sociedade civil e partidos políticos de esquerda. Madri e Barcelona se tornaram pontos focais das manifestações. Milhares se reuniram em frente à residência do Ministério das Relações Exteriores, no Palácio de Santa Cruz, em Madri, pedindo a libertação imediata dos membros detidos da flotilha e instando o governo a impor sanções mais duras ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Na Suíça, milhares de pessoas se manifestaram na Praça Lisa Girardin, em Genebra, entoando palavras de ordem em francês, árabe e inglês. Os manifestantes exigiram o fim do bloqueio israelense e pediram a entrega irrestrita de ajuda humanitária a Gaza. Manifestações também foram registradas em Berna, Basileia, Lugano, Lucerna e Zurique. O protesto em Genebra durou cerca de duas horas sob forte presença policial e terminou sem incidentes.
No Reino Unido, centenas se reuniram na Praça do Parlamento, em Londres, antes de marchar em direção a Whitehall, sede dos escritórios do governo. Manifestantes agitando bandeiras palestinas gritavam “Palestina Livre” e “Não bombardeiem Gaza”. À medida que a multidão se espalhava pelas ruas, o trânsito parou, com alguns motoristas de ônibus buzinando em solidariedade. Posteriormente, a polícia impediu que os manifestantes avançassem até a Praça Trafalgar, o que levou a confrontos e várias prisões. Protestos menores também foram registrados em outras partes da capital.
Na Grécia, milhares marcharam em Atenas em direção à Embaixada de Israel, gritando “Acabem com o genocídio em Gaza” e “Rompam o bloqueio, libertem a Palestina”. Os organizadores leram uma declaração conjunta condenando Israel por violar o direito internacional e enfatizando que a missão da flotilha era uma tentativa legítima de entregar ajuda humanitária. Protestos paralelos ocorreram em Tessalônica, Patras, Chania, Lesbos, Quios, Volos e Larissa, com os participantes pedindo a libertação imediata de 27 cidadãos gregos detidos a bordo da flotilha.
Em Roma, a imprensa estimou que quase 10 mil manifestantes saíram às ruas. Também houve bloqueios de trens em Nápoles e Pisa, além de marchas em Milão, Turim, Gênova e Bolonha. Os atos, marcados por palavras de ordem como “Palestina livre” e pedidos de renúncia da primeira-ministra Giorgia Meloni, tiveram ampla cobertura na mídia.
Forças navais israelenses atacaram a flotilha quando ela se aproximava da costa de Gaza na noite de quarta-feira e detiveram pelo menos 443 ativistas a bordo, disseram os organizadores. O Comitê Internacional para Romper o Cerco a Gaza (ICBSG) confirmou que 22 navios foram atacados e apreendidos pelas forças israelenses, e acredita-se que 19 tenham sido atacados, mas ainda não os documentou. Das quatro embarcações restantes, dois navios de apoio retornaram.

Na Colômbia, manifestantes protestaram em Bogotá diante da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI), acusada por um movimento pró-Gaza de manter vínculos econômicos com Israel.
Em Buenos Aires, na Argentina, centenas marcharam contra o que chamaram de “ataque das forças de ocupação israelenses” e pediram o fim do genocídio em Gaza. Já no Uruguai, ativistas foram as ruas de Montevidéu para defender a libertação da Palestina e exibiram cartazes pedindo a prisão do premiê israelense Benjamin Netanyahu.
A interceptação também provocou forte reação internacional. A Turquia classificou a ação israelense como “ato de terror”, enquanto o chanceler da Irlanda definiu a missão como pacífica e voltada a expor a crise humanitária em Gaza. O partido de um senador irlandês que estava a bordo de um dos barcos acusou Israel de “sequestrar” os passageiros.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, expulsou todos os diplomatas israelenses que ainda estavam no país e suspendeu os tratados comerciais acordados com Israel. “O tratado de livre comércio com Israel está denunciado imediatamente. Toda a delegação diplomática israelense na Colômbia deve sair [do país]”, escreveu em seu perfil no X.
Petro também informou que duas cidadãs colombianas estavam a bordo de um dos barcos e foram detidas. “O Ministério das Relações Exteriores deve executar todas as demandas cabíveis, inclusive por meio da Justiça israelense. Convido advogados internacionais a servirem à Colômbia, junto de nossos advogados”, disse Petro. Na semana passada, o presidente já havia criticado a guerra em Gaza em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ação como uma prova da “essência genocida de Israel” e reafirmou a solidariedade aos tripulantes da missão. O Irã denunciou o ataque em águas internacionais como uma “violação flagrante do direito internacional e ato de terrorismo”, pedindo à comunidade internacional medidas urgentes para impedir o genocídio em Gaza.
O governo da Venezuela descreveu a ação como “ato covarde de pirataria”, destacando que a flotilha transportava 5,5 mil toneladas de ajuda humanitária para palestinos sob fome e extermínio. Na Bolívia, o presidente Luis Arce condenou o ataque como “violência inaceitável” e “afronta à dignidade humana”, acusando o premiê israelense Benjamin Netanyahu de promover uma política de terrorismo de Estado contra civis desarmados.
O Chile também manifestou apoio à flotilha e a seus cidadãos, com o governo atuando para proteger os dois chilenos a bordo. A França exigiu que Israel garanta a segurança dos participantes, seus direitos consulares e seu retorno seguro.
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim: “Essas embarcações levavam civis desarmados e suprimentos humanitários vitais para Gaza, mas foram recebidas com intimidação e coerção”, disse em suas redes. Entre os voluntários da flotilha estava a cantora Zizi Kirana, que registrou em vídeo a sua prisão pelas forças israelenses.
A ativista ambiental Greta Thunberg, que também estava a bordo de uma das embarcações, publicou uma mensagem de vídeo em seu perfil no Instagram pouco antes da interceptação: “Meu nome é Greta Thunberg. Estou a bordo do navio Alma. Estamos prestes a ser interceptados por Israel”, disse.
O Ministério das Relações do Brasil declarou que está em busca de informações sobre os brasileiros que estavam nos barcos interceptados. No entanto, Israel afirmou que disponibilizará informes sobre as pessoas detidas apenas a partir desta sexta-feira (03/10).
“O governo brasileiro deplora a ação militar israelense, que viola direitos e coloca em risco a integridade física de manifestantes em uma ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, afirmou a nota oficial do Governo Federal.
“(O governo) reitera, nesse contexto, exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário”, acrescenta o Itamaraty.

Entre os brasileiros detidos, está a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou apoio ao Itamaraty na comunicação com Israel.
“Pedi o apoio do Itamaraty no contato com as autoridades israelenses visando que a deputada Luizianne tenha todas as suas prerrogativas enquanto parlamentar respeitadas, bem como os direitos dos demais brasileiros que estão passando por esse momento”, declarou o parlamentar.
Além de Lins, também fazem parte da Flotilha os brasileiros Thiago Ávila, membro e organizador da flotilha; Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo Psol; Gabi Tolotti, presidente do Psol-RS; Nicolas Calabrese, professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro; Bruno Gilga, trabalhador da USP e ativista da CSP-Conlutas; Lisiane Proença, comunicadora popular; Magno Costa, diretor do SINTUSP; Ariadne Telles, advogada popular e militante da luta pela terra na Amazônia; Mansur Peixoto, criador do projeto História Islâmica; Mohamad El Kadri, presidente do Fórum Latino Palestino e coordenador da Frente Palestina de São Paulo; e Lucas Gusmão, ativista internacionalista.
A Global Sumud Flotilla zarpou no final do último mês de agosto a partir de vários países, carregada principalmente com ajuda humanitária e suprimentos médicos para a população da Faixa de Gaza. A iniciativa visa quebrar o bloqueio imposto por Israel contra esse território palestino, que é habitado por mais de 2,4 milhões de pessoas.
A flotilha é composta por mais de 40 navios que transportam mais de 440 participantes de 43 nacionalidades diferentes. O cerco contra a Faixa de Gaza foi intensificado há quase 18 anos, ou seja, em 2007. Porém, a partir de outubro de 2023, Israel adotou uma política de genocídio total contra a população palestina local.
Dados da ONU estimam que, 24 meses de agressões israelenses, o regime genocida de Israel já matou mais de 66,2 mil palestinos, a maioria mulheres e crianças.
Com informações das agências internacionais de notícias e do site Brasil de Fato