Salazar e Kidson ameaçam Alessandra Campelo de morte em debate na TV

Salazar e Kidson fizeram gesto de “cortar o pescoço” para Alessandra Campelo (Foto: Reprodução vídeo)

O vereador Sargento Salazar e seu aliado Kidson Maia, ambos do PL, causaram polêmica, nesta terça-feira (13/10), após fazerem um gesto de “cortar o pescoço” em direção a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice na chapa de Omar Aziz (PSD), logo depois do término do debate promovido por uma emissora de TV local com os candidatos ao Governo do Amazonas. O gesto de Salazar e Kidson (veja vídeo abaixo) foi interpretado como uma ameaça de morte para Alessandra Campelo, que tem se destacado pelo combate à violência contra as mulheres.

A ameaça gerou polêmica e críticas aos políticos bolsonaristas. O senador Omar Aziz gravou um vídeo ao lado de Alessandra Campelo para se solidarizar com sua candidata a vice.

“As pessoas que estavam acompanhando minha adversária passaram o debate provocando, fazendo gestos e no final fizeram um gesto que sinaliza ameaça a uma mulher [Alessandra Campelo]. E eu reagi e reagiria em qualquer momento que visse um homem ameaçar de matar uma mulher. Isso não se faz, nunca vi isso em campanha, olha que já participei de muitas”, afirmou. Ele destacou ainda que “se essa é a política nova que querem implantar no nosso estado, isso não tá correto”, completou Omar Aziz.

A União Brasileira de Mulheres (UBM) divulgou nota para manifestar solidariedade à deputada e candidata a vice-governadora Alessandra Campelo. “O respeito, a dignidade e a integridade das mulheres devem ser preservados em todos os espaços, inclusive no ambiente político. Violência e intimidação não podem ter espaço na democracia”, disse a UBM.

Alessandra registra denúncia na Delegacia das Mulher

A candidata a vice-governadora do Amazonas, Alessandra Campelo registrou denúncia na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher e solicitou medida protetiva após ser ameaçada de morte durante o debate da TV Norte/SBT, por parte do ex-PM Kidson Maia e do vereador Alexandre Salazar, ambos do PL. Ela classificou o caso como violência contra a mulher e violência política de gênero.

Alessandra afirmou que o gesto de cortar o pescoço teria sido feito três vezes diante das câmeras e que, segundo ela, é utilizado pelos envolvidos para fazer referência a ameaças de morte. .

“Isso é uma violência contra mulher, uma violência política de gênero também, mas mais que isso é uma ameaça a integridade física, porque quando ele faz esse gesto, ele acostumado a fazer isso na internet, ele está falando de cortar o pescoço de morte. Ele fez isso três vezes com câmeras filmando. Então, se esse homem desse faz isso na frente de tantas pessoas, imagina o que ele não pode fazer com uma mulher”, disse.

Alessandra também afirmou que levará o caso às autoridades e destacou que a violência contra mulheres é uma realidade que enfrenta no trabalho público. “A gente não pode brincar. Feminicídio e crime contra mulher são uma realidade que vivo e combato todos os dias. Isso não vai ficar impune”, declarou.

Salazar tenta se justificar

Salazar foi o deputado federal mais votado nas eleições deste ano no Amazonas. Já o ex-PM Kidson Maia ficou como primeiro suplente de deputado estadual pelo PL na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Salazar justificou o ato como “algo da política”. Já Kidson se esquivou das perguntas dos jornalistas sobre o assunto.

Aleam repudia ameaças contra Alessandra

Por meio de nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) manifestou repúdio ao episódio envolvendo a deputada estadual Alessandra Campelo, ocorrido nesta terça-feira (13/10), nos bastidores do debate eleitoral promovido pela TV Norte, em Manaus.

A parlamentar afirmou ter se sentido ameaçada após o candidato a deputado estadual não eleito Kidson Maia realizar gestos que ela interpretou como ameaças de morte, incluindo um movimento semelhante ao de cortar o pescoço.

“A Assembleia Legislativa considera inadmissível qualquer atitude que possa intimidar, constranger ou colocar em risco a integridade de uma mulher, especialmente no exercício de sua atuação pública. Gestos dessa natureza, quando associados a ameaças, representam uma afronta ao respeito, à dignidade e à segurança que devem ser assegurados a todas as mulheres”, disse a Aleam em nota.

A Aleam destacou ainda que “o episódio reforça a necessidade de combater todas as formas de violência contra a mulher, inclusive a violência política de gênero, que busca intimidar e silenciar mulheres que ocupam espaços de representação e decisão”. “O presidente Adjuto Afonso e os deputados e deputadas estaduais solidarizam-se com Alessandra Campelo e reafirmam que divergências políticas jamais podem servir de justificativa para atitudes intimidatórias ou desrespeitosas”.

Por fim, a Aleam defendeu a apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres, com o respeito às instituições democráticas e com uma atuação política pautada pelo diálogo, pela civilidade e pelo respeito à dignidade humana.

Veja o vídeo:

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