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Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 iniciaram oficialmente, nesta sexta-feira (26/07), e as polêmicas começaram, também, já na abertura do evento.
Apesar da inovação na parte do desfile – que pela primeira vez ocorreu fora de um estádio -, e de alguns gestos políticos discretos – como o lançamento de flores pela delegação da Argélia no rio Sena, local onde os corpos de milhares de argelinos foram jogados após terem sido massacrados pela polícia francesa em 1961 -, um ponto em particular gerou intenso debate nas redes sociais, com internautas a favor e outros contra: a apresentação de drag queens (transformistas) numa representação da “Santa Ceia”, episódio em que Jesus Cristo se reuniu com seus apóstolos em torno de uma mesa servida como parte de sua última refeição antes de ser preso pelos romanos.
Enquanto apoiadores do ato citaram a diversidade e representatividade da situação, os críticos afirmaram que a encenação ofende os cristãos, com alguns taxando a representação das drag queens como “blasfêmia” e ritual “satânico”.
“Encontre Thomas Jolly, o “artista” que está por trás da satânica e anti-cristã cerimônia das Olimpíadas de Paris. Thomas é um judeu e gay de 42 anos”, escreveu numa postagem em inglês Klaus Arminius, na plataforma X (antigo twiiter), em referência ao artista Thomas Jolly, 42 anos, que é o diretor artístico das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024.

Uma das drag queens que participou da apresentação, de nome Piche, chegou a publicar uma foto e escreveu: “Vai ser um grande e histórico dia”. Outro drag, de nome Paloma, postou uma foto da apresentação fazendo uma comparação com a obra “A Última Ceia”, pintada por Leonardo da Vinci entre 1495 e 1498.
A montagem gerou críticas pesadas. Em seu perfil na plataforma X, o economista e escritor Paulo Nogueira Batista Jr. escreveu: “O fim da picada essa paródia de mau gosto da Santa Ceia na abertura da Olimpíada. Decadência da França”, disse.

França promove Islamofobia nos jogos olímpicos
Outros críticos lembraram que a França tem usado a comunidade LGBTQIAPN+ para desviar a atenção das violações dos direitos humanos que os franceses têm cometido contra minorias, como os negros e muçulmanos, numa prática conhecida como “pinkwashing”, ou seja, usar os homossexuais como desculpa para cometer violações. O politólogo Raphael Machado lembrou que essa mesma França que se vangloria de defender a “diversidade” é a mesma que proibiu o uso de hijab (véu) por parte de atletas francesas de fé muçulmanas durante as Olimpíadas.
