‘Sustentabilidade é pensar o desenvolvimento como um todo’, afirma superintendente da Sudam, Paulo Rocha

Paulo Rocha é superintendente da Sudam desde junho do ano passado (Foto: Anwar Assi/Portal Panorama Real)

Criada em meados da década de 1960, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) foi estabelecida para promover o desenvolvimento regional por meio de incentivos fiscais e financeiros para atrair investidores.

De lá para cá, a autarquia federal sofreu várias mudanças, inclusive chegou a ser extinta, em 2001, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, para dar lugar a outro tipo de agência de desenvolvimento, até ganhar o atual formato, em 2007, quando o presidente Lula instituiu a nova Sudam.

Porém, esse propósito sofreu um duro golpe ao passar por um processo de desmonte no governo Jair Bolsonaro, que reduziu o orçamento e o número de servidores da autarquia, prejudicando a execução de políticas que pudessem favorecer a redução das desigualdades regionais.

Vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a Sudam tenta hoje se reestruturar e retomar sua política de desenvolver os Estados da Amazônia Legal.

Desde junho do ano passado, a Sudam é comandada pelo ex-senador do PT, Paulo Roberto Galvão da Rocha, 72 anos, que concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Panorama Real durante sua passagem por Manaus, na semana passada, quando participou da reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS). Segundo ele, “sustentabilidade é pensar o desenvolvimento como um todo”.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Panorama Real: O senhor assumiu a Sudam há quase nove meses. Na ocasião, afirmou que o governo Bolsonaro chegou a promover uma espécie de desmonte da Sudam. Ao assumir o cargo, qual foi a situação que o senhor encontrou na Sudam?

Paulo Rocha: Na verdade, houve uma desestruturação da Sudam e diminuiu o seu papel de pensar o desenvolvimento. Portanto, estamos no processo de recuperação de seu papel.

Panorama Real: Como se dará essa recuperação?

Paulo Rocha: A ideia é fazer a integração entre os vários órgãos do Governo Federal aqui na região para pensar coletivamente sobre os desafios postos para o desenvolvimento da Amazônia. Envolver Suframa, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, enfim, os bancos que interferem por meio dos investimentos e financiamentos para buscarmos as soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O desenvolvimento sustentável não é só vinculado ao meio ambiente, mas pensar a pessoa humana como um todo, que precisa vestir, trabalhar, estudar, de saúde etc. Ou seja, é pensar o desenvolvimento (sustentável) como um todo.

Panorama Real: A retomada da Sudam mostra que há um interesse do Governo Lula em desenvolver os Estados da Amazônia?

Paulo Rocha: Exatamente.

Panorama Real: E como será feito esse desenvolvimento?

Paulo Rocha: Decidimos que iremos pensar o desenvolvimento de todos os setores a partir das áreas mais empobrecidas. Começamos no Marajó, agora vamos para o Vale do Javari, no Amazonas, e depois vamos para Roraima, no sentido de começar a movimentar e unir todos os setores neste processo.

Panorama Real: Quais ações deverão ser aplicadas no Vale do Javari?

Paulo Rocha: A partir da vocação do que se pode incluir no processo de investimentos a partir da vocação daquela região, ou seja, o que ela produzir, gerar renda, enfim, integrar todo mundo.

Panorama Real: Qual é o volume de recursos que a Sudam tem hoje?

Paulo Rocha: A Sudam tem o FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), da ordem de R$ 11 bilhões, tem os incentivos fiscais e tem o FDA (Fundo de Desenvolvimento da Amazônia), que vem do orçamento da União para investir na infraestrutura dos empreendimentos, que pode chegar a R$ 3 bilhões ou R$ 4 bilhões.