Venda da Mineração Taboca pode ser investigada por CPI na Câmara Federal

O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL/AM) pediu a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar, no prazo de até 120 dias, a compra da maior reserva de urânio do Brasil pela China, colocando em preocupação a questão da soberania e defesa nacional. Já o deputado federal Fausto Santos Jr. (União-AM) apresentou um requerimento à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados solicitando uma audiência pública para discutir a venda.

A Comissão, que deverá ser composta por 27 membros titulares e igual número de suplentes, vai investigar a venda da Mineração Taboca, que atua há mais de 40 anos na exploração de estanho no Amazonas, por US$ 340 milhões, cerca de R$ 2 bilhões, para empresa chinesa China Nonferrous Trade (CNT), uma subsidiária, que pertence ao governo chinês.

A área, conhecida como Reserva do Pitinga, fica situada 107km de Manaus, e é reconhecida não apenas pela abundância de urânio, mas também pela presença de outros minerais valiosos, como tântalo, nióbio, estanho e tório, elementos essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia, incluindo a fabricação de turbinas, foguetes e baterias.

“Essa operação levanta preocupações significativas no âmbito da soberania nacional e da segurança estratégica do Brasil. A transferência de uma reserva dessa magnitude para controle estrangeiro traz reflexões sobre nossa capacidade de gerir e proteger as riquezas naturais, além disso a exploração responsável desses recursos poderia impulsionar significativamente o desenvolvimento econômico e tecnológico no país”, destacou.

Dados da produção da mina indicam que a reserva produz 7.000 t de estanho, valor atual U$ 32.000/ton = U$ 220M; 1.500 toneladas de nióbio, valor atual U$ 45.000/t = U$ 67,5M e 500 toneladas de tântalo, valor atual U$ 190.000/t = U$ 95M, totalizando anualmente U$ 360M. Ou seja, o valor da compra é quase o mesmo da produção de apenas um ano.

“A gente sabe que essa é uma das maiores reservas do mundo com grandes potenciais de exploração de urânio, nióbio e minerais estratégicos. O fato dessa reserva estar sob a exploração de uma empresa chinesa mostra que precisamos analisar e debater quais os impactos no ponto de vista diplomático e da soberania nacional’’, destacou Fausto Jr.

Para o parlamentar é preciso fomentar parcerias com empresas brasileiras e estrangeiras que valorizem a exploração sustentável dos nossos recursos, promovendo o crescimento do país, a geração de empregos e a renda da região amazonense.

Fausto reforça que decisões sobre riquezas naturais e estratégicas não podem ser tomadas sem debate público e análise criteriosa.

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