Venezuela é bombardeada pelos Estados Unidos e ativa plano de defesa

País declarou estado de emergência na Venezuela após relatos de explosões em várias regiões do país

Fogo é visto em local bombardeado pelos EUA (Foto: Reprodução/TV)

A Venezuela emitiu um comunicado oficial rejeitando “a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana”, após relatos de explosões na capital, Caracas, e outras três regiões na madrugada deste sábado (03/01).

De acordo com a nota do governo venezuelano, os ataques afetaram “localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira”. “Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos seus artigos 1.º e 2.º, que estabelecem o respeito pela soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força”.

De acordo com lista divulgada pelo presidente colombiano Gustavo Petro e confirmada pelo Brasil de Fato junto à diplomacia brasileira, foram bombardeados: La Carlota, Quartel de la Montaña (Catia La Mar), Palacio Federal Legislativo, Forte Tiuna, Aeroporto el Hatillo, Base n3 de F16 em Barquisimeto, aeroporto privado Charavalle, centro de Caracas, Base Militar de helicópteros de Higuerote. Além disso, diversas localidades estão sem acesso a energia elétrica, por conta de ataques à infraestrutura.

Além disso, o texto destaca que “tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em sério risco a vida de milhões de pessoas”. De acordo com o governo, o objetivo da agressão é a apropriação de recursos estratégicos venezuelanos.

“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, diz o comunicado. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro declarou estado de emergência nacional.

Já a Embaixada dos EUA em Caracas emitiu um comunicado de nível 4 instando os cidadãos do país a não viajarem para a Venezuela “por qualquer motivo”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em sua primeira declaração após os relatos dos ataques, afirmou que “os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em grande escala à Venezuela”. Ele acrescentou que o presidente Nicolas Maduro e sua esposa “foram capturados e levados para fora do país”. Ao mesmo tempo, Trump anunciou a realização de uma coletiva de imprensa às 11h do horário local (13h do horário de Brasília) para comentar os ataques deste sábado na Venezuela.

A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Fuentes confirmou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, de quem pediu prova de vida. Ela reforçou o chamado para a ativação do plano de defesa que envolve as diferentes forças de defesa do país. “Ninguém vai vulnerar o legado histórico do nosso pai libertador Simón Bolivar”, afirmou.

Reações internacionais

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou a agressão dos EUA contra a Venezuela, manifestando preocupação com a tensão na região. “O Governo da República da Colômbia observa com profunda preocupação os relatos sobre ataques e atividades aéreas incomuns registradas nas últimas horas na República Bolivariana da Venezuela, assim como o consequente aumento de tensão na região”, afirmou Petro.

Além disso, o presidente colombiano publicou uma lista de alvos atacados na Venezuela, incluindo o palácio legislativo em Caracas, uma base de helicópteros e uma base de caças F-16. Segundo a lista publicada pela Petro, foram bombardeados o Palácio Legislativo Federal de Caracas, o aeroporto de Hatillo, a base de caças F-16 N3 de Barquisimeto, o aeroporto privado de Charallava, bem como a base de helicópteros de Higuerote.

Quem também se manifestou foi o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, que classificou as ações dos EUA como um “terrorismo de Estado” contra o povo venezuelano. “Cuba denuncia e demanda URGENTE reação da comunidade internacional contra o criminoso ataque dos EUA contra a Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente assaltada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra Nossa América”, declarou o líder cubano na rede social X.

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