Vereadores rejeitam laudo e avançam com CPI da Semcom na CMM

O objetivo da CPI é apurar denúncia sobre pagamento em dinheiro a um portal de notícias da capital
Israel Conte afirmou que um laudo aponta que o vídeo foi manipulado (Foto: Divulgação CMM)

As explicações que o secretário de Comunicação, Israel Conte, deu, na quarta-feira (20/03), sobre o vídeo que mostra o motorista de um portal de notícias recebendo dinheiro em espécie na sede da Semcom, dentro do prédio da prefeitura, não convenceram os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Mesmo com a apresentação de um laudo pericial – feito pela empresa particular “Smart Perícias” -, de que o vídeo foi manipulado, parlamentares rejeitaram as alegações do titular da Semcom e avançaram com o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o episódio.

Para o vereador Rodrigo Guedes (Podemos), a ação da Prefeitura foi suspeita, visto que o correto, segundo ele, seria recorrer primeiramente à polícia, para, assim, ter um laudo oficial.
 
“Quando o prefeito foi alvo de ‘fake news’ ele, no mesmo dia, foi até a Polícia Federal para prestar queixa sobre o assunto. E agora a Prefeitura vai até uma empresa privada para fazer uma perícia antes mesmo de ir até a polícia. Esse laudo não passa credibilidade, trabalho que poderia ser feito pela polícia e, assim, saberíamos que é inteiramente verídico”, afirmou Guedes.

Segundo Israel Conte, o vídeo foi manipulado, conforme o laudo da perícia.
 
“O laudo pericial apresentado foi feito por uma empresa que há mais de 20 anos presta serviços periciais para todo o Brasil”, afirmou o secretário.

Assinaturas

O requerimento já conta com as assinaturas de oito vereadores. Para abrir a CPI são necessárias 14 assinaturas dos 41 parlamentares da Casa Legislativa.

Além dos três vereadores que propõem a CPI – William Alemão (Cidadania), Capitão Carpê (Republicanos) e Rodrigo Guedes (Podemos) -, já assinaram o requerimento Diego Afonso (União Brasil), Thaysa Lippy (PP), Everton Assis (União Brasil), Lissandro Breval (Avante) e Professora Jacqueline (União Brasil).

De acordo com os parlamentares, o objetivo da CPI é apurar denúncia sobre pagamento em dinheiro a um portal de notícias da capital, conforme vídeo divulgado pelo portal Metrópoles no dia 14 de março. As imagens, conforme a publicação, teriam sido gravadas no interior da Semcom, que funciona no mesmo prédio da Prefeitura de Manaus.

“Já temos oito assinaturas para a instalação da CPI, ainda precisamos de mais seis. Acredito que até a próxima semana já estaremos levando esse documento para ser votado dentro do plenário. A população de Manaus precisa dessas informações concretas, coisa que não foi feita aqui no dia de hoje”, destacou William Alemão, em coletiva de imprensa após a Sessão Plenária da quarta-feira.

Denúncia

Na avaliação dos parlamentares, a denúncia feita pelo Portal Metrópoles caracteriza possíveis atos de improbidade administrativa e crimes decorrentes de suposto desvio de verbas públicas, em razão de pagamento em espécie aos possíveis prestadores de serviços.

Capitão Carpê classificou o material apresentado por Israel Conte como “provas rasas”. Ele considerou, ainda, que “as respostas do secretário foram todas tentativas de sair pela tangente, e de falta de compromisso com a verdade”, ressaltando a necessidade da instalação da CPI.

O requerimento para abertura da CPI foi feito pelos três vereadores (Foto: Divulgação CMM)