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Duas semanas após o fim das eleições em Manaus, analistas políticos ainda debatem sobre o resultado do pleito deste ano. Um dos assuntos que permanecem em discussão é sobre os motivos que levaram a derrota do candidato da extrema-direita Alberto Neto (PL), que parecia ser tão combativo e com chances de vencer o atual prefeito David Almeida (Avante), reeleito no segundo turno.
Entre os principais fatores apontados por especialistas ouvidos pelo portal Panorama Real foi a escolha da empresária Maria do Carmo Seffair, do partido Novo, para vice da chapa apoiada pelos bolsonaristas. Ela teve uma atuação pífia e ainda foi alvo de denúncias de corrupção.
“Na última semana da eleição, veio à tona a denúncia de caixa 2 promovido pela candidata a vice dele, a empresária Maria do Carmo Seffair. Foi um banquete para o adversário”, avalia o cientista político Luiz Carlos Marques, que vê na derrota de Alberto Neto um exemplo da perda de força da extrema-direita em uma das capitais mais bolsonaristas do País.
Porém, na avaliação de Luiz Carlos, há outros fatores que contribuíram para a derrota do candidato bolsonarista no segundo turno. “Alberto Neto demonstrou nervosismo e falta de experiência durante os debates. Esse foi um ponto relevante nessa reta final. A população de Manaus ainda observa muito a conduta dos candidatos nesse momento tão importante do pleito. Tanto é que vimos uma repercussão grande nas redes sociais a cada encontro desse. Alberto fez acusações e não soube dar boas respostas quando foi pressionado pelo David Almeida, que já tem uma larga experiência na política e está acostumado com esse ambiente”, aponta o especialista.
Apoio expressivo não ajudou
Mesmo com apoio massivo de vários grupos políticos locais, incluindo o dos correligionários do governador Wilson Lima, do presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Roberto Cidade, e da família Bolsonaro, Alberto Neto não conseguiu vencer as eleições municipais.
Entre os que o apoiavam estavam Amom Mandel (Cidadania) e Wilker Barreto (Mobiliza), ambos candidatos derrotados à Prefeitura de Manaus. O candidato bolsonarista ainda teve o apoio às escondidas do governador Wilson Lima e a sua tropa, incluído Roberto Cidade, que também foi derrotado nas urnas.
Da turma do Wilson Lima que apoiou Alberto Neto estão, entre outros, o ex-candidato a vice-prefeito de Roberto Cidade, Coronel Menezes (Progressistas); os deputados Rozenha – presidente do Partido da Mulher Brasileira (PMB) no Amazonas -, Débora Menezes (PL) e Joana D’arc (União Brasil), os vereadores Caio André (União Brasil) – atual presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que não foi reeleito para a próxima Legislatura; Elissandro Bessa (PSB), Taysa Lippy (PRD), Glória Carrate (PSB), Lissandro Breval (Progressistas) e Diego Afonso (União Brasil), além dos eleitos no último dia 6 de outubro, Rodrigo Sá (PP), e Aldenor Lima (União Brasil).
“Vários fatores influenciaram para esse resultado nas urnas, o que gera na extrema-direita uma análise minuciosa para tentar entender o que aconteceu, tendo em vista, que Manaus é uma das capitais com maior número de simpatizantes do bolsonarismo. Só que mesmo Bolsonaro, Michele Bolsonaro e até o filho dele, o Eduardo Bolsonaro, vindo aqui para apoiar a candidatura do Capitão, não surtiu o efeito esperado”, observa Luiz Marques.
Esquerda
Para o cientista político, Luiz Carlos Marques, o pragmatismo político de David Almeida, que conseguiu atrair até os partidos de esquerda, também favoreceu a reeleição do atual prefeito.
“Apesar de David Almeida ser conservador e com fundamentos que se pautam no perfil da direita, ele é maleável, conseguindo dialogar e estreitar relações com políticos de todas as vertentes. Isso se tornou atraente para os eleitores da esquerda e de outros campos políticos que discordam completamente do perfil adotado por Alberto Neto. David Almeida tem o perfil que a maioria da população busca, sem extremismos. Essa característica é diferente do que vemos na conduta política do adversário”, avalia.

Abstenções
Por último, Luiz Carlos Marques aponta que o número de abstenções nesta eleição foi de fundamental importância para o resultado do segundo turno.
Em meio ao feriado prolongado, 338 mil pessoas deixaram de ir votar no dia 27 de outubro. Mais de 70 mil do que o registrado nas abstenções do primeiro turno, que ficou com 280 mil.
“Muita gente aproveitou o feriado para viajar ou descansar com a família fora de Manaus. Além disso, percebi que as pessoas ficaram descontentes com os ataques que ambos promoveram nas últimas duas semanas para o segundo turno. Foi em um nível tão baixo que não víamos nas eleições há muito tempo. Foram ataques pessoais que fizeram com que parte da população não se interessasse em ir às urnas”, destaca o analista político.
Além das abstenções, o número de votos em branco chegou a mais de 22 mil e os nulos somaram mais de 30 mil em Manaus, segundo dados da Justiça Eleitoral.
Após o resultado final das eleições municipais, Alberto Neto disse, em coletiva de imprensa, que sua derrota se deu porque ele teve que enfrentar a “máquina da prefeitura”. “A máquina da prefeitura é muito forte”, disse na época.
Alberto Neto ainda tentou “passar pano” para as denúncias de uso de caixa 2 na campanha de sua vice na chapa, Maria do Carmo Seffair, alegando que o episódio não teve influência no resultado da eleição.
“Não teve nenhuma influência nessa campanha. Ali foram mentiras, mentiras e mentiras e o prefeito trouxe a campanha para a lama, trazendo inverdades. A minha visão sobre isso: não teve influência nenhuma”, declarou o político do PL.