200 dias do massacre em Gaza: protestos pró-Palestina crescem nos EUA; Hamas diz que manterá resistência

Total de mortos na Faixa de Gaza ultrapassa 34 mil pessoas; organizações apontam "crime de guerra" em valas comuns
Crianças palestinas são as maiores vítimas do genocídio cometido por Israel (Foto: Divulgação/ TV Al Jazeera)

Brasil de Fato – O massacre de Israel contra a população palestina da Faixa de Gaza completa 200 dias nesta terça-feira (23) com 34.100 mortes, segundo informações do Ministério da Saúde em Gaza. Cerca de 85% dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados e mais de 14 mil crianças foram mortas na ofensiva israelense.

Em declaração transmitida pela televisão, o porta-voz da ala militar do Hamas afirma que o grupo manterá a resistência contra as tropas de Israel, enquanto durar a ocupação militar dos territórios palestinos.  “Continuaremos nossos ataques e a nossa resistência enquanto a agressão da ocupação continuar em nossa terra”, disse Abu Obeida.

Protestos pró-Palestina crescem nos Estados Unidos

Manifestações pró-palestina ganharam as principais universidades nos Estados Unidos, incluindo Yale, de Nova York e Columbia. Os protestos foram marcados por repressão policial e prisão de manifestantes na segunda-feira (22), data que marca a Páscoa judaica.

O Departamento de Política de Nova York informou nesta terça (24) que 133 pessoas foram presas durante os protestos no campos da Universidade de Nova York.

Os protestos começaram na última semana na Universidad de Columbia, também em Nova York, onde um grupo de manifestantes estabeleceram um “acampamento de solridariedade à Gaza” no campus.

Os protestos também acontecerma no MIT (Intituto de Tecnologia de Massachusetts) e nas universidades de Michigan e Yale, onde pelo menos 47 pessoas foram detidas na segunda-feira (22). 

No domingo, o rabino Elie Buechler, ligado à Universidade de Columbia pediu aos estudantes judeus que ficassem em casa. O presidente da Columbia, Nemat “Minouche” Shafik, anunciou em um comunicado oficial que professores e funcionários que puderem trabalhar remotamente devem fazê-lo.

Organização aponta “crime de guerra” de Israel por valas comuns em Gaza

Na segunda-feira (22), autoridades palestinas encontraram centenas de corpos em valas comuns no Hospital Nasser, em Khan Younis, após a saída das tropas israelenses. Dezenas de corpos também foram encontrados no Hospital al-Shifa, o maior da Faixa de Gaza, segundo as autoridades palestinas, que apontam crianças, mulheres, idosos e integrantes da equipe médica entre as vítimas. 

Nesta terça-feira (23), Zainah Haroun, porta-voz da Al-Haq, uma organização independente de defesa dos direitos dos palestinos sediada na Cisjordânia ocupada, afirma que a descoberta das valas comuns é “prova evidente dos crimes de guerra e, claro, do genocídio que está a ser perpetrado por Israel contra o povo palestino em Gaza”.

Ela defende um “um mecanismo de investigação adequado” com acesso total e irrestrito a toda a Faixa de Gaza, incluindo os locais onde foram descobertas valas comuns. “A maior parte das informações que recebemos neste momento provêm de jornalistas palestinos incrivelmente corajosos que relatam estas atrocidades no território e que também são alvos de Israel”, acrescentou.

Também nesta terça, a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, disse que trabalha no sentido de averiguar os relatos dos funcionários palestinos. “Sentimos a necessidade de soar o alarme porque claramente foram descobertos vários corpos”, disse à Al Jazeera.

*Com Al Jazeera