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Iranianos e norte-americanos relataram, ao longo deste sábado (23/05), avanço nas negociações para acabar com quase três meses de guerra. O otimismo foi confirmado pelo Paquistão, país que tem mediado o fim do atual conflito iniciado no dia 28 de fevereiro deste ano após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, a prioridade no momento é chegar a um acordo sobre um “Memorando de Entendimento”, composto por 14 parágrafos, que deveriam incluir as questões mais importantes para o fim da guerra imposta e as questões de fundamental importância para o Irã. “Estamos na fase final de um memorando de entendimento”, disse Baqaei, ao destacar que o Paquistão desempenhou um papel importante como principal mediador das negociações.
Conforme fontes diplomáticas, o entendimento proposto não é um acordo final. Os principais pontos do “Memorando de Entendimento” são:
“Nosso foco nesta fase é pôr fim à guerra imposta com base na proposta de 14 pontos do Irã, que foi discutida e sobre a qual foram trocadas opiniões”, afirmou o porta-voz iraniano, Esmail Baqaei. Ele acrescentou que “dentro de um período de 30 a 60 dias, os detalhes das questões devem ser discutidos e, finalmente, um acordo deve ser alcançado”.
Em relação à possibilidade de um acordo com os Estados Unidos, Baqaei afirmou: “Podemos dizer que estamos muito longe e (ao mesmo tempo) muito perto de um acordo. Por um lado, temos a experiência de contradições por parte dos norte-americanos, que mudam de opinião constantemente. Eles expressaram posições contraditórias muitas vezes. Não podemos ter certeza absoluta de que essa abordagem não mudará. Por outro lado, nas negociações entre os dois lados, a tendência é de maior convergência. Não no sentido de que possamos chegar a um entendimento sobre questões tão importantes, mas no sentido de que possamos alcançar uma solução mutuamente aceitável com base em um conjunto de parâmetros”, disse.
Conforme revelou Baqaei, as negociações nesta fase “estão focadas no fim da guerra”. “A questão do fim da agressão naval dos EUA e as questões relacionadas à liberação de ativos iranianos bloqueados serão abordadas neste memorando de entendimento.”
Em relação à situação no Estreito de Ormuz, Baqaei afirmou que esse ponto estratégico não tem relação com os EUA. “Um mecanismo deve ser definido entre nós e Omã, como países costeiros. Estamos em negociações com as organizações relevantes. Estamos cientes da importância desta hidrovia para a comunidade internacional. A comunidade internacional sabe que a insegurança é causada pelas ações agressivas dos Estados Unidos e do regime sionista. Eles entendem que a ação responsável do Irã e de Omã para criar um mecanismo para a passagem segura de navios por esta hidrovia é do interesse da comunidade internacional”, disse.
Em relação à questão nuclear, Baqaei afirmou: “Não estamos discutindo os detalhes da questão nuclear neste momento. Sabemos que nossa questão nuclear foi um pretexto para duas guerras de agressão contra o Irã. Ao mesmo tempo, fomos alvo de ataques ilegais durante as negociações nucleares. Portanto, decidimos, sabiamente, priorizar, neste momento, a questão urgente, que é o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”, revelou o porta-voz iraniano.
Do Salão Oval da Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma conversa telefônica “muito boa” com diversos líderes regionais a respeito do acordo com a República Islâmica do Irã e de todos os assuntos relacionados a um “memorando de entendimento sobre a paz”.
Trump explicou que participaram da conversa “Mohammed bin Salman Al Saud, da Arábia Saudita; Mohammed bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos; Tamim bin Hamad Al Thani, primeiro-ministro Mohammed bin Abdulrahman Al Thani e ministro Ali Al Thawadi, do Catar; o marechal de campo Syed Asim Munir Ahmad Shah, do Paquistão; o presidente Recep Tayyip Erdoğan, da Turquia; o presidente Abdel Fattah al-Sisi, do Egito; o rei Abdullah II da Jordânia; e o rei Hamad bin Isa Al Khalifa, do Bahrein”.
O presidente americano afirmou que “um acordo foi amplamente negociado, aguardando a redação final, entre os Estados Unidos, a República Islâmica do Irã e os demais países mencionados”.
Nesse mesmo contexto, Trump indicou que teve uma conversa telefônica separada com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, dizendo que “também correu muito bem”.
Ele acrescentou que “os aspectos e detalhes finais do acordo estão sendo discutidos e serão anunciados em breve”. Trump acrescentou ainda que “além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”. O regime genocida israelense expressou insatisfação com o possível acordo.