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Para professor do Labclim/UEA, instituições públicas e privadas devem estar preparadas para minimizar impactos da seca no Amazonas.

O El Niño começa a preocupar as autoridades em todo o mundo, inclusive no Brasil. O sinal para o perigo soou mais forte, nesta terça-feira (02/06), após a agência meteorológica das Nações Unidas avisar que o fenômeno deve ser tratado como um alerta climático urgente.
No Amazonas, a situação não é diferente. O alerta dos especialistas é que tanto o poder público quanto a iniciativa privada devem estar preparados para minimizar os impactos da seca que deverá atingir o estado nos próximos meses.
De acordo com o professor Francis Wagner Silva Correia, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA), o padrão atual do El Niño ainda é considerado fraco. Porém, ele ressalta que a partir do próximo mês de julho, essa situação deverá mudar, evoluindo para uma condição de moderada, chegando a uma intensidade mais forte nos últimos meses do ano.
“O prognóstico para os próximos meses, de julho em diante, vem se configurar o padrão do El Niño, a principio, numa condição de moderado, mas, segundo dados da agência americana (NOAA), a partir de outubro e novembro, ele venha a evoluir de uma condição de moderado para forte, impactando lá para o final do ano, as estações chuvosas da região amazônica”, avaliou Francis Wagner.
Para o especialista, os órgãos públicos e as empresas privadas devem estar preparadas para os efeitos da seca que é prevista para este ano no Amazonas. Apesar do alerta, a expectativa é de que a estiagem deste ano não seja tão severa quanto a histórica seca de 2023.
“Independentemente da situação do El Niño, se vai ser moderado, forte ou severo, eu recomendo a todas as instituições da gestão pública e privada a se prepararem e anteciparem suas ações para minimizar os impactos da seca nesse ano de 2026”, afirmou Francis Wagner ao portal Panorama Real.
Segundo o especialista, as empresas devem adotar um planejamento estratégico com a antecipação da chegada de insumos e materiais, evitando depender do transporte de cargas durante o período do pico da seca, previsto para outubro e novembro deste ano.

As declarações do professor Francis Wagner foram dadas, nesta terça-feira (02/06), durante palestra promovida pela Suframa e pelo Labclim/UEA, na sede da autarquia, no Distrito Industrial, com o tema “Prognóstico Climático para a Cheia e Vazante no Amazonas 2026”. O evento reuniu representantes da indústria, comércio, órgãos públicos e a academia para debater cenários climáticos e subsidiar ações preventivas que evitem o desabastecimento e interrupções na produção do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Francis Wagner foi um dos palestrantes junto com a professora e subcoordenadora da área de logística do Labclim, Fabiana Lucena Oliveira.
O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, ressaltou a importância da integração entre ciência e setor produtivo, para possibilitar decisões mais apropriadas diante dos desafios climáticos. “Nosso objetivo é transformar conhecimento científico em informação estratégica para que as empresas possam se planejar com antecedência e reduzir riscos à produção e ao abastecimento durante os períodos de estiagem”, frisou.