Minorias fazem história nas urnas e ampliam representatividade política nos EUA

Vitórias de mulheres latinas, indígenas, negros e muçulmanos marcam as eleições de meio de mandato; democratas também conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota histórica a Trump

Gina, Abdul El-Sayed e Deb Haaland foram alguns candidatos eleitos que entraram para a história da política estadunidense (Foto: Reprodução)

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (03/11), entraram para a história não apenas pela derrota expressiva dos republicanos, mas também pelo avanço da representatividade política. Mulheres, negros, indígenas, latinos, muçulmanos e integrantes da comunidade LGBTQIA+ conquistaram espaços inéditos em governos estaduais e no Congresso, em uma onda de vitórias democratas que enfraquece a influência do presidente Donald Trump.

Um dos resultados mais emblemáticos veio do Texas, onde a democrata Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, que tentava conquistar o quarto mandato consecutivo. Aos 52 anos, ela se tornará a primeira mulher latina a governar o estado e a primeira democrata a ocupar o cargo desde Ann Richards, que deixou o governo em 1995. A vitória também encerra mais de três décadas de domínio republicano no Executivo texano.

Representante estadual pela região de Austin e filha de uma família de origem mexicana, Hinojosa construiu sua campanha sobre a defesa da educação pública, o combate à corrupção e a redução do custo de vida. Durante o discurso da vitória, destacou o compromisso de governar para toda a população.

Outra conquista histórica ocorreu no Novo México. Deb Haaland, integrante do povo indígena Laguna Pueblo, foi eleita governadora e se tornou a primeira mulher indígena a comandar um estado norte-americano. Ex-secretária do Interior no governo Joe Biden e uma das primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso, Haaland venceu o republicano Gregg Hull. Sua eleição representa um marco para povos historicamente afastados dos principais espaços de poder nos Estados Unidos.

Em Michigan, Abdul El-Sayed fez história ao se tornar o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano. Filho de imigrantes egípcios, o médico de 42 anos derrotou o republicano Mike Rogers. Ex-dirigente da saúde pública em Detroit e no condado de Wayne, El-Sayed defendeu a ampliação do acesso à saúde, o combate à influência do dinheiro na política e a suspensão da ajuda militar dos Estados Unidos a Israel.

Sua campanha também enfrentou ataques islamofóbicos. Trump ironizou seu nome em declarações públicas, enquanto adversários tentaram associá-lo ao extremismo religioso, acusações que o democrata rejeitou. A vitória ganha dimensão ainda maior diante da resistência enfrentada por sua candidatura.

A representatividade negra também avançou. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos. Já em New Hampshire, Chris Pappas conquistou uma cadeira no Senado e será o primeiro homem abertamente gay a ocupar o cargo.

Brasileiros também conquistam espaço

A onda de representatividade chegou à comunidade brasileira. Sete brasileiros foram eleitos ou reeleitos para legislativos estaduais, todos pelo Partido Democrata, em quatro estados americanos.

Massachusetts concentrou quatro vitórias: Danillo Sena, Priscila Sousa e Rita Mendes foram reeleitos, enquanto Lorena Betts conquistou seu primeiro mandato. Na Flórida, Felipe Sousa-Lazaballet tornou-se o primeiro brasileiro eleito para a Câmara estadual. Farley Santos foi reeleito em Connecticut, e Elaine Marzola manteve sua cadeira em Nevada.

Derrota política para Trump

As conquistas ocorreram em meio a uma derrota nacional dos republicanos. Os democratas retomaram o controle da Câmara dos Representantes e conquistaram maioria no Senado, ampliando sua capacidade de fiscalização e resistência à agenda presidencial.

Além do Texas e de Michigan, a legenda avançou em estados como Iowa, Kansas, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O resultado reflete o desgaste da administração Trump diante da inflação, do custo de vida, da guerra com o Irã e de questionamentos sobre corrupção no governo.

A nova composição do Congresso deverá dificultar a aprovação de projetos da Casa Branca e abrir espaço para investigações sobre integrantes da administração republicana.

Mais do que uma mudança na correlação de forças partidárias, as eleições de 2026 revelaram uma transformação no mapa da representação política americana: grupos historicamente marginalizados conquistaram posições de poder e passaram a ocupar espaços que, até então, pareciam reservados a uma parcela restrita da sociedade.

*Com informações do Brasil de Fato

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