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Instituição digital que estopim da prisão de Santiago Peña patrocinou fórum de extrema-direita nos EUA; escândalo envolve intervenção bancária e rombo de US$ 850 milhões

O desdobramento da grave crise política no Paraguai ganhou contornos internacionais e respingos na política brasileira. O Ueno Bank — banco digital no epicentro do escândalo de corrupção que culminou no impeachment e na prisão do ex-presidente paraguaio Santiago Peña — figurou como um dos financiadores do Hispanic Prosperity Gala, evento da extrema-direita global realizado em fevereiro no clube Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump nos Estados Unidos.
A conferência em solo americano reuniu figurões da direita conservadora internacional, contando com a participação do ex-deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro como palestrante. O evento também listou nomes como o presidente argentino Javier Milei (que discursou via vídeo), a política peruana Keiko Fujimori, Robert F. Kennedy Jr e o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho.
A teia de relações entre a instituição financeira e o poder público paraguaio desmoronou na última semana. O Banco Central do Paraguai decretou intervenção no Ueno Bank por descumprimento grave dos requisitos mínimos de solvência. A instituição administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos quando entrou em colapso.
O terremoto financeiro derrubou o Palácio dos López. Santiago Peña, que tentou renunciar ao cargo sem sucesso antes da votação do Congresso, acabou destituído e preso. O ex-presidente mantém ligações históricas com a estrutura do banco: foi acionista da Ueno Holding — controladora ligada ao Grupo Vázquez, principal acionista da instituição financeira —, deixando o conglomerado apenas em março de 2025. O caso expõe a intrincada rede de financiamento entre bancos sob suspeita na América Latina e a articulação política em redes conservadoras no exterior.