Amazonenses vão processar deputado por associá-las ao terrorismo em lista enviada à embaixada dos EUA

A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Andréa Santos, e a ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, devem tomar medidas judiciais contra o extremista Gustavo Gayer (PL/GO), que divulgou relação com falsos apoiadores do grupo palestino Hamas

A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Andréa Santos, e a ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, devem tomar medidas judiciais contra o deputado federal da extrema-direita, Gustavo Gayer (PL/GO), que associou as amazonenses com o terrorismo em uma lista que teria sido enviada à embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Elas são citadas em um documento divulgado nas redes sociais, na semana passada, com uma falsa lista de “apoiadores do Hamas”, associando uma série de parlamentares, entidades e intelectuais brasileiros ao grupo palestino envolvido no conflito com Israel. O ofício é assinado pelo deputado Gustavo Gayer e teria sido encaminhado, no último dia 20 de outubro, para a representação norte-americana em Brasília. “Estamos analisando a possibilidade de representar judicialmente contra ele (Gayer)”, afirmou a presidente da UBM, Vanja Andréa, à reportagem do portal Panorama Real.

Além de Gustavo Gayer, medidas judiciais deverão ser tomadas, também, contra a deputada da extrema-direita, Júlia Zanatta (PL/SC), que divulgou alguns dos nomes na lista – a qual o portal Panorama Real teve acesso -, e chegou a fazer um vídeo dizendo que se inspirou em uma iniciativa do senador republicano, Marco Rubio, que é um extremista pró-Israel, de sugerir o cancelamento de vistos americanos de pessoas que estariam supostamente apoiando ações do Hamas na luta contra a ocupação israelense.

A reportagem tentou falar com a ex-presidente da UNE, Bruna Brelaz, mas não obteve sucesso. Porém, uma fonte próxima a ela afirmou que a líder estudantil deverá tomar providências contra o parlamentar que a associou ao terrorismo. 

Outras medidas

Além da ação judicial, outras medidas estão sendo tomadas contra os deputados bolsonaristas da extrema-direita. A UBM (União Brasileira de Mulheres), representada pelo escritório NN- Advogados Associados, por meio do advogado Carlos Nicodemos, que é, também, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), apresentou uma série de ações contra Gustavo Gayer e Júlia Zanatta.

Carlos Nicodemos é membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (Foto: Arquivo Pessoal)

De acordo com Nicodemos, entre as medidas está o envio de um ofício para a embaixada dos Estados Unidos solicitando uma agenda para levar o plano de trabalho da UBM; um pedido respaldado pela Lei de Acesso a Informação para saber do Ministério de Relações Exteriores se foi instalado algum tipo de procedimento sobre o assunto e, também, o envio de outro ofício, desta vez, à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, solicitando a realização de uma audiência pública para debater com todos os citados dessa falsa lista junto com o deputado Gustavo Gayer.

Tantos problemas acontecendo no Brasil como resultado de uma política nefasta e de destruição da nação brasileira e do meio ambiente imposta pelo ex-presidente (Jair Bolsonaro, que é do PL) e vemos o deputado utilizando o mandato e a tribuna para disseminar mentiras, ódio e defender a guerra. Pautamos a paz, a vida e a liberdade do povo palestino e tantos outros oprimidos, principalmente em sua economia, pelos Estados Unidos”

Vanja Andréa, presidente da UBM
Gustavo Gayer elaborou lista falsa de apoiadores do Hamas no Brasil (Foto: Agência Câmara)

Entenda o caso

Na semana passada, foi divulgado um ofício que teria sido encaminhado à representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil pelo deputado Gustavo Gayer. No documento há um lista com falsos apoiadores do Hamas na qual são citados parlamentares do PT, do PSB e do PSOL, além de ministros, intelectuais e entidades da sociedade civil.

Já Júlia Zanatta divulgou um vídeo no qual diz ter se inspirado na iniciativa do senador radical pró-Israel, Marco Rubio, para sugerir o cancelamento de vistos americanos de pessoas que estariam supostamente apoiando ações do Hamas. Ela listou nomes de deputados do PT, do PC do B, do PSOL e do PSB e disse que iria encaminhá-los à Embaixada dos EUA no Brasil, assim como ao senador americano.

Racismo e discriminação

Os nomes na lista elaborada pelo deputado extremista, Gustavo Gayer, são de pessoas que fazem parte de diversos setores da sociedade brasileira, incluindo, partidos do campo da esquerda, membros das comunidades árabe e muçulmana, movimentos populares e sociais, intelectuais, professores universitários e até indigenistas, que jamais prestaram apoio ao Hamas, mas sim, defendem o fim da ocupação militar israelense na Palestina, cuja população sofre com políticas de Apartheid praticadas por Israel, conforme denúncia realizada pela Anistia Internacional em um relatório divulgado, no ano passado.

‘Complexo de vira-lata’

Para um especialista consultado pelo portal Panorama Real, a “Lista de Gayer” revela racismo, preconceito religioso, discriminação e intolerância política. “Essa perseguição contra apoiadores da Palestina é inaceitável, pois apoiar o legítimo direito de lutar contra a ocupação militar israelense do território palestino, incluindo a Faixa de Gaza, jamais pode ser considerado como terrorismo. O comportamento do deputado Gustavo Gayer chega a ser de ‘vira-lata’ e vergonhoso para o Brasil”, avaliou o especialista, que pediu para não ser identificado.

Ação no STF

Na semana passada, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Julia Zanatta (PL-SC) por injúria e difamação. As ações são motivadas pelo repasse de informações feito pelos dois bolsonaristas à Embaixada dos Estados Unidos com os nomes de brasileiros que, segundo eles, apoiam o grupo Hamas.

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