Bacias que banham a cidade de Manaus estão degradadas, aponta estudo científico realizado no AM

A qualidade da água foi analisada em 55 pontos das bacias hidrográficas da capital amazonense

Bacias que banham Manaus estão degradadas, segundo estudo (Foto: Arquivo/Fapeam)

As bacias do São Raimundo e Educandos estão bastantes degradadas, enquanto que a do rio Tarumã-Açu começa a apresentar os primeiros sinais de degradação. Essa é a principal conclusão de um estudo elaborado por cientistas que avaliam a qualidade da água das bacias hidrográficas que banham a cidade de Manaus.

“Os principais resultados obtidos nestes anos de monitoramento são, resumidamente, a determinação detalhada da degradação grande nas bacias do São Raimundo e Educandos, e dos primeiros sinais de degradação que a Bacia do Tarumã-Açu está nos contando através dos dados gerados no monitoramento”, afirmou o doutor em Físico-Química da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Sérgio Duvoisin Junior, coordenador do grupo de pesquisa ‘Química Aplicada à Tecnologia-GP QAT’, responsável pelo estudo, que conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). 

Tarumã-Açu

No caso da bacia do Tarumã-Açu, o grupo de pesquisadores identificou, no intervalo de dois anos de monitoramento, que apesar das análises de água estarem dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) há uma diferença para pior. Entre os fatores poluentes que influenciam neste impacto ambiental estão o aterro sanitário, os condomínios no entorno da região e também os flutuantes.

“A bacia do Tarumã-Açu está dizendo estou sofrendo com os impactos e conseguindo absorver, mas está na hora de tomarmos alguma atitude porque no futuro, de repente, não vamos conseguir absorver todo esse impacto que a cidade de Manaus está colocando na bacia do Tarumã-Açu”, disse Sérgio Duvoisin.

O pesquisador destaca ainda que o Conama indica para tomar banho no corpo hídrico, por exemplo, no máximo até 1 mil coliformes, que são bactérias indicadoras de contaminação em alimentos e água, seu alto potencial patogênico representa riscos à saúde humana. No Igarapé do Mindu, que faz parte da bacia do São Raimundo, na área que passa por trás da EST/UEA, foram detectados 5 milhões de coliformes, em 100 ml de água, ou seja, uma bacia extremamente degradada pelo esgoto doméstico, explicou o cientista.

Puraquequara e Tarumã Mirim

Em contrapartida dos dados negativos encontrados na pesquisa, Sergio Duvoisin destacou que também foram constatados resultados positivos. “Podemos constatar que as águas do Tarumã Mirim e do Puraquequara são bacias muito sadias”, observou o cientista.

Coleta de dados

Pesquisador Sérgio Duvoisin coordena o estudo sobre a qualidade da água das bacias que banham Manaus (Foto: Nathalie Brasil/Fapeam)

Segundo a Fapeam, atualmente, o grupo de pesquisa usa 138 parâmetros de qualidade, com base no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para realização das análises em cada bacia monitorada, entre os quais pH, condutividade elétrica, temperatura, oxigênio dissolvido, nitrogênio, metais, coliformes totais e termos tolerantes. Ao todo, foram feitas coletas de água em 55 pontos das bacias que banham a cidade de Manaus.

As amostras são analisadas pela expedição científica na embarcação de pesquisa “Roberto dos Santos Vieira”, e nos laboratórios da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA).

Desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado), o estudo busca fornecer informações robustas para o adequado monitoramento da qualidade de águas das bacias que circundam a cidade de Manaus, para auxiliar de forma decisiva na tomada de decisão de gestores públicos quanto às ações necessárias para garantir a conservação dos corpos hídricos da região.

Os resultados obtidos na pesquisa de monitoramento ambiental do GP-QAT estão abertos ao público, e podem ser acessados em: www.gp-qat.com.

Parceria

Além do apoio da Fapeam e do Governo do Amazonas, o estudo faz parte do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH) iniciado em parceria do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

A pesquisa também conta com a cooperação de pesquisadores de instituições internacionais como a Universidade de Harvard, que participaram da campanha no Rio Negro, em setembro, bem como do Instituto Max Planck, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Paraná (que participaram da campanha do Rio Negro em Janeiro/23), entre outras instituições locais e do Brasil.

Com informações da assessoria de imprensa

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